Cel Ref Manuel J. Cordero Piacentini em ambulân-
 cia-UTI ao ser extraditado para a Argentina
Pela editoria do site
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Para entendermos o que está acontecendo com a extradição do coronel reformado  Manuel Juan Cordero Piacentini, é necessário que conheçamos a história da violência revolucionária que atingiu a América Latina.na década de 70. Em janeiro de 1966, foi criada a Organização Latino Americana de Solidariedade - OLAS -, numa reunião em Havana, com a presença de 700 delegados representando os movimentos revolucionários de 22 países. A sua finalidade era “Unir, coordenar e estimular a luta contra o imperialismo norte-americano, por parte de todos os povos explorados da América Latina”. O documento final  determinava, por consenso, a existência de um Comitê Permanente, sediado em Havana, que se constituiria na genuína representação dos povos desses países.  Dessa organização partiriam as ondas vermelhas, em cujas cristas estariam os movimentos revolucionários que inundariam a América Latina.
O documento final  determinava, por consenso, a existência de um Comitê Permanente, sediado em Havana, que se constituiria na genuína representação
 
  Grupo de parlamentares apoiam Battisti na prisão
dos povos desses países.  Dessa organização partiriam as ondas vermelhas, em cujas cristas estariam os movimentos revolucionários que inundariam a América Latina. A OLAS passou a ser dirigida por representantes de Cuba, Brasil, Colômbia, Peru, Uruguai, Venezuela, Guatemala, Guiana e
México. Orientada política e ideologicamente pelo Partido Comunista da União Soviética - PCUS-, Caberia à OLAS conduzir e impulsionar, operacionalmente, o processo revolucionário. Nos debates predominavam as discussões sobre a utilização da luta armada e pregava-se que "todos os movimentos de libertação têm o direito de responder à violência armada do imperialismo com a violência armada da revolução” e que “a luta revolucionária deve estender-se a todos os países latino-americanos”.
 Che Guevara influenciava os jovens  com suas teorias de que: “Na América Latina luta-se de armas na mão, na Guatemala, na Colômbia, na Venezuela e na Bolívia e despontam já os primeiros sinais no Brasil. Quase todos os países deste continente estão maduros para essa luta que só triunfará com a instalação de um governo socialista. O ódio intransigente ao inimigo deve ir além das limitações naturais do ser humano. Deve se converter em violenta, seletiva e fria máquina de matar. Nossos soldados têm de ser assim, um povo sem ódio não pode triunfar sobre um inimigo brutal.”
Assim, os tentáculos do Movimento Comunista Internacional (MCI) expandiam-s
e para a América Latina de forma organizada. A partir de então, surgiram inúmeras organizações que participaram da luta armada, todas recebendo apoio em dinheiro, armamento e munição, fornecidos pela União Soviética por intermédio de Cuba, além de cursos de treinamento de guerrilha nesse último país.
No Brasil, foram criadas 29 organizações terroristas e outras 22 que optaram por outras “formas de resistência”, sob o pretexto e a justificativa de lutarem contra a “ditadura”.
No Chile, o Movimiento de Izquierda Revolucionário (MIR), fundado em 1965 durante o governo de Eduardo Frei, iniciou, efetivamente, suas atividades revolucionárias em 1967.
Quando a luta armada terminou, o número de vítimas passava de 4.000.
Na Argentina, vários grupos estavam em atividade, porém dois eram particularmente poderosos: os Montoneros e o Ejército Revolucionário del Pueblo (ERP). Entre 1970 e 1973, o terror aumentou suas ações. Em 1971, eles fizeram 21 tentativas de invasão de unidades militares, 466 atentados a bomba, assassinaram 110 pessoas e seqüestraram outras 117. Na década de 1969 -1979, foram praticados pelas organizações terroristas argentinas 21.000 atentados a bomba, 1.748 sequestros e 1.501 assassinatos. Em 1983, ao término da luta armada, o saldo de mortos era superior a 30.000 pessoas.
Hoje, são muitos os ex-montoneros que estão no governo da presidente  Cristina Kirchner.
No Uruguai, o Movimiento de Liberación Nacional (Tupamaro), que atuava desde 1963, intensificou as suas ações a partir de 1971. Quando os terroristas foram derrotados o número de vítimas era superior a 1.000.
Nas últimas eleições foi eleito presidente o antigo tupamaro Pepe Mujica . No  Senado e na Câmara dos Deputados a representação de ex-militantes tupamaros é grande.
Durante a guerrilha revolucionária, o coronel reformado Manuel Juan cordero Piacentini, na época um jovem major,  combateu  os Tupamaros .
Um peso e duas medidas 
Casado há 32 anos com uma brasileira, residente em Santana do Livramento, Cordero foi preso em 26/02/ 2007. Sua extradição foi pedida pela Argentina e pelo Uruguai  Os  crimes dos quais é acusado teriam sido cometidos na Argentina. Seu pedido de refúgio foi negado. Doente, em agosto do ano passado, a Justiça determinou o cumprimento da prisão no âmbito domiciliar para tratamento médico.
Ainda em agosto de 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a extradição do uruguaio para Argentina, mas a redação final da decisão foi publicada apenas em dezembro.. Um mês depois ,  de publicada a sentença, Cordero, hoje, dia 23/01/2010, em uma ambulância-UTI,  foi entregue   às autoridades argentinas, na cidade de Paso de los Libres.  
Interessante é comparar esse processo com o  que envolve o italiano Cesare Battisti, ex-militante do movimento extremista de esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), preso em Brasília desde março de 2007. Em 28/11/2008, o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) rejeitou por 3 votos a 2 o pedido de refúgio de Battisti. O ministro Tarso Genro e  militantes da luta armada no poder defendem a permanência de Battisti no Brasil. O pedido de extradição  foi feito pelo governo italiano em maio do ano passado, sob a alegação de que Battisti foi condenado naquele  país  à prisão perpétua, por quatro homicídios ocorridos entre 1977 e 1979.
O ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado de Battisti e ideologicamente ligado à seu cliente, afirma que os crimes foram imputados falsamente ao italiano. “Os delitos, ainda que falsamente imputados a Battisti no pedido de extradição, são frutos de ação política, e o Brasil impede a extradição por crimes dessa natureza. Nossa Constituição, nossas leis, nossa jurisprudência e o tratado de extradição entre Brasil e Itália impedem a extradição por crimes políticos”, diz ele. Melhor seria se dissesse: "nossa ideologia não permite punir um companheiro";  "Crimes cometidos em nome da ideologia vermelha são crimes políticos" ; "reações à violência comunista   são considerados crimes comuns"
Battisti tem a seu favor o fato de o Supremo ter rejeitado a extradição de outros três italianos — Pietro Mancini, Luciano Pessina e Achille Lollo, todos esquerdistas, militantes nos anos 70. Mancini foi condenado na Itália a 20 anos de prisão por ter cometido vários crimes. Lollo, por ter incendiado o apartamento onde residia a família de Mário Mattei, um militante de direita. No incêndio morreram carbonizados dois filhos de Mattei ( com 8 e 12 anos).. Pessina, também condenado, por vários atentados a bomba, sem vítimas . Nos julgamentos, o STF concluiu que a motivação para os pedidos teria fundo político. Quando a extradição é rejeitada, o estrangeiro pode viver livremente no Brasil. "O STF, por sua tradição de respeito às garantias constitucionais e aos direitos Humanos tem se posicionado frontalmente contra esse tipo de iniciativa”, diz Greenhalgh, referindo-se ao que chama de extradições políticas, ele mesmo casado com uma militante da luta armada no Brasil.
Ele afirma, em defesa de Battisti que ele — oriundo de uma família de militantes comunistas — ingressou na militância política muito jovem, no fim da década de 70 e início dos anos 80, quando havia "enorme disputa entre o mundo capitalista e o comunista."
 O processo de Battisti está confuso. Apesar do STF ter votado pela extradição, caberá ao presidente Lula a última palavra. Comentam que se procura uma saída para manter o companheiro de ideologia no país.  Provavelmente pelo lado humanitário (?)  Lula decidirá pela permanência de Battisti no país. Mais um assassino, comunista, livre, leve e solto no Brasil. A ideologia vermelha justifica qualquer ato: os  assaltos, os atentados, os sequestros e os assassinatos.
O major Cordero na década de 70, jovem também, lutou contra a guerrilha vermelha, quando havia enorme disputa entre o mesmo mundo capitalista e comunista que motivou Battisti  a cometer os quatro assassinatos. Só que, como Cordero não estava do lado dos companheiros que hoje estão no poder, os crimes atribuidos a ele não são políticos, são crimes comuns, sem direito às benesses que favorecem os "resistentes". Um peso e duas medidas, justiça ideologicamente comprometida.

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