Jornalista Aristóteles Drummond
Aristóteles Drummond
O filme "Cidadão Boilesen", embora dê acolhida a absurdas acusações contra o empresário que adotou o Brasil com maior fervor do que muitos brasileiros, serve para mostrar um momento histórico que não parece esclarecido mas sim muito deturpado pela máquina de mentir que é marca das esquerdas.
As acusações absurdas são as de que um homem da cultura, educação, presença social e moral ilibada, empresário de responsabilidade, pudesse assistir a torturas, prática imoral e condenável que mancha a humanidade desde sempre e não tem ideologia, nem raça nem nacionalidade. Desde que o mundo é mundo, na guerra como na paz, a autoridade policial, na angústia de obter informações, exorbita. Boilesen queria apenas ajudar o Brasil a afastar o perigo de descambar para um regime de esquerda radical, ou mesmo ter o terrorismo como uma rotina ou ver parte de seu território ocupado por um grupo a imagem e semelhança das Farc, da Colômbia.

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Chocante a informação de membros do movimento revolucionário que assassinou de maneira covarde e bárbara o empresário de que dois outros ilustres empreendedores estavam na lista: Otávio Frias, presidente da Folha de S. Paulo, e Sebastião Camargo, da Camargo e Correa.
Ora, na ocasião, o Dops paulista era comandado não apenas pelo controverso
 
  Henning Albert Boilesen
delegado Fleury, mas também pelo hoje senador Romeu Tuma, nome respeitado no Senado, onde exerce o segundo mandato. E o governador de São Paulo era o ilustre Roberto de Abreu Sodré.
Está chegando ao limite a paciência da sociedade que viveu ou conhece os anos de chumbo, marcados por sequestros, assassinatos, justiçamentos, assaltos a bancos com vítimas, atentados, com a tentativa de se mostrar os agentes da lei e da ordem como monstros. Circula, felizmente já com boa tiragem efetivada, o excelente "A verdade sufocada" - que não é encontrado em livrarias. Pode-se apenas comprá-lo pelo Correio -, em que o Coronel Brilhante Ulstra dá seu depoimento emocionado. Ele que foi vítima de tortura moral indigna, fartamente divulgada pela mídia.
Mas o que fica de positivo nessa onda de revanchismo delirante - querem chegar a alterar nomes de logradouros e grandes obras do período revolucionário, numa afronta à vontade popular, que reconhece em seus autores brasileiros notáveis - é que não escondem a verdade. Mataram e teriam matado mais em nome dos ideais de Stalin e Mao Tse Tung. E o que é pior: chegaram atrasados a este tipo de "revolução", pois em 20 anos o mundo mudou. Sobre estas verdades e equívocos não querem falar. O melhor seria ficarem calados e gratos à generosa anistia concedida pelo presidente João Figueiredo.
O presidente Lula, percebe-se bem, gostaria de virar a página. Ele sabe como foram as coisas. Representa um Brasil novo, mas é pressionado. Assim, esta união a destempo de esquerdistas ainda quer nos levar a uma sucessão entre dois nomes comprometidos com este ranço do ressentimento, da frustração de que, por mais que se esforcem, não chegam perto do acervo de realizações dos 20 anos de autoritarismo progressista, seja no plano federal ou nos estaduais.
Nesse capítulo de violência para cá, violência para lá, o mais sensato é que ambos os lados foram levados a exageros - sendo que a iniciativa naturalmente foi dos desajustados, normalmente filhos da classe média, é bom observar. O primeiro sangue derramado foi no Recife, visando ao Marechal Costa e
  

 o corpo de Henning Albert Bilesen
 assassinado em uma emboscada

Silva, candidato a presidente da República. Da bomba assassina, morreram um almirante e um jornalista. Mas desses, nem uma palavra de solidariedade e muito menos verbas públicas.
Para se avaliar a dimensão de homem de visão e preocupação social, é bom lembrar que foi Henning Boilesen quem teve a ideia e fundou o CIEE, que tem ajudado centenas de milhares de jovens a se encaminhar na vida.
Não se pode acreditar, portanto, em atos de sadismo, divulgados por mero ódio de gente ressentida com a vida. A estes, nem os cargos e os ganhos financeiros obtidos servem para aplacar complexos de fundo estético e social cultivados ao longo da vida
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