Transcrito do livro "A verdade sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça " do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.
No dia 20 de fevereiro de 1970, quatro policiais militares tentavam apurar o roubo de um carro. Chegaram até uma casa no Jardim Cerejeiras, em Atibaia, onde residiam Antônio Lucena, sua mulher Damaris e três filhos menores. Lucena militava no PCB desde 1958. Os policiais nem imaginavam que ali era um “aparelho” da VPR. Eles não pertenciam a nenhum órgão de segurança, tanto que chegaram sem “estourar o aparelho.”

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Bateram na porta e pediram para ver os documentos do carro. Lucena disse aos policiais que iria buscá-los. Como o carro fora roubado pela VPR, evidentemente, estava em situação ilegal. Temendo ser preso, Lucena decidiu reagir. Voltou com um fuzil FAL, abriu a porta e disparou uma rajada nos policiais, matando instantaneamente o sargento PM Antônio Aparecido Posso Nogueró e ferindo gravemente o segundo sargento Edgar Correia da Silva. Os outros dois policiais reagiram. Lucena foi morto e Damaris presa.

Segundo Damaris Lucena em seu depoimento a Luiz Maklouf Carvalho, no livro Mulheres que foram à luta armada, está registrado o seguinte:

“Tinha um FAL por cima da mesa, coberto, que ficava sempre à mão. O Doutor pegou o FAL e atirou.”

Observação: Doutor, era o codinome de seu marido.

No aparelho, foram encontrados: material cirúrgico, 11 FAL, 24 fuzis, 4 metralhadoras, 2 carabinas, 2 espingardas, 1 Winchester, explosivos e cartuchos diversos.

Sobre os filhos de Damaris e Antônio Lucena  o jornal O Globo, em 30/10/2005, publicou a seguinte reportagem:

“Indenização chega agora a filhos de torturados”

Evandro Eboli


Brasília.

“Os três filhos pequenos do ex-guerrilheiro Antônio Lucena, braço direito do capitão Carlos Lamarca na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), foram parar na cadeia depois de verem seu pai ser morto na porta de casa pelos militares, em fevereiro de 1970, em Atibaia, interior de São Paulo. Hoje, 35 anos depois, casos como os deles, de filhos de militantes políticos e também vítimas da repressão militar, começam a chegar à Comissão de Anistia.

Na semana passada, a comissão aprovou, pela primeira vez, a condição de anistiado político e o direito à indenização de filho de guerrilheiros. Vladimir e Isabel Maria Gomes da Silva, filhos de Virgílio Gomes da Silva, que comandou o seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick, foram os primeiros beneficiados da lei...”

“... Os filhos de militantes políticos presos acham que perderam a infância e se tornaram adultos muito cedo ao viverem o drama da resistência à ditadura. Depois de presos só reencontrariam os pais meses depois ou anos depois. Existem casos de filhos de presos que foram incluídos nas listas de prisioneiros que seriam trocados por autoridades estrangeiras seqüestradas, algo que, até então, só se imaginava ocorrer com adultos...”

Em uma reportagem muito longa, de página inteira, alguns filhos de militantes de organizações terroristas se dizem perseguidos e irão pedir indenização, porque seus pais eram comunistas.

Seus pais não eram apenas comunistas. Pegaram em armas, praticaram assaltos, assassinatos, atentados a bomba e outros desatinos em nome de uma ideologia estranha à índole do povo brasileiro, alegando que lutaram em nome de uma liberdade que sua ideologia não permitiu nem para seus próprios companheiros de luta armada.

As histórias vão virando lendas com a cumplicidade de setores da imprensa, fazendo de subversivos e terroristas heróis “salvadores da Pátria”, quando,  na realidade, tentaram impor suas idéias com a força das armas, arvorando-se de procuradores do povo, que não lhes deu apoio.

Pena que essas reportagens não tenham um cunho investigativo, para que sejam averiguadas as versões apresentadas. E, pior ainda, que não tenham, ao longo do tempo, e muito menos agora, sido rebatidas pelas autoridades das instituições atingidas por elas.

Pena, já que estamos em tempo de referendos, que não se pergunte ao povo, que paga essas indenizações com seus exorbitantes impostos, se concorda com o desembolso desse dinheiro.

Pena que crianças, como os filhos de Antônio Raimundo Lucena e outros entrevistados na reportagem, tenham tido que passar por todos esses traumas por causa do caminho que seus pais escolheram.

Um dos casos de crianças que seguiram para o exterior foram os filhos de Lamarca que, por imposição da Vanguarda Popular Revolucionária, viajaram para Cuba, juntamente com a mãe, no dia em que Lamarca desertou do Exército e ingressou na luta armada.

Os filhos de Antônio Lucena, que são entrevistados na reportagem, foram trocados, juntamente com a mãe, Damaris de Oliveira Lucena, viúva de Antônio Lucena, pela vida do cônsul japonês, seqüestrado pelas três organizações terroristas. A mãe e as crianças foram incluídas, por exigência de Lamarca, na relação dos presos que deveriam ser libertados e enviados para Cuba.

Damaris estava presa há 20 dias.

Segundo Kito, um dos filhos de Damaris, em depoimento publicado no livro Mulheres que foram à luta armada, de Luiz Maklouf Carvalho, nenhuma instituição os quis abrigar por medo de que Lamarca os tentasse resgatar. Acabaram, ainda, segundo ele, recolhidos à Febem. Portanto, segundo as próprias “vítimas”, não foram parar na cadeia, como cita o repórter Evandro Éboli.

Pena que a reportagem não lembre, também, dos parentes do sargento Antônio Aparecido Posso Nogueró, que nem tiveram o consolo de ter o nome de seu ente querido lembrado na matéria. Este, sim, cumpria o seu dever.

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