Por Margrit Schmidt - Jornal de Brasília

  
             BALÃO DE ENSAIO ?
O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, disse que a criação da "Comissão da Verdade"não é um ato contra as Forças Armadas.Ao defender a apuração dos fatos ocorridos no período da ditadura militar, argumentou que não há motivos para divergências entre a área de direitos humanos do governo e as pastas da Defesa e militares.O fato está criado – a tentativa de revogar a Lei de Anistia de 1979, propondo a punição dos crimes de tortura cometidos por militares, livrando a carados criminosos do “outro lado”, os terroristas que fizeram vítimas civis. Mais uma vez, o governo e seus acólitos tentam mitigar o fato criado fazendo de conta que os críticos é que os interpretaram mal. O ministro Paulo Vannuchi agora tenta provar que “não há motivos para divergências” com os militares

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JOIO DO TRIGO
Ato contínuo, passa a desenvolver um linguajar vazio e bajulador, como demonstram suas declarações no último dia do ano: “ Criar a Comissão da Verdade é a favor das Forças Armadas, que são formadas por oficiais militares das três Armas, pessoas dedicadas à pátria, ao serviço público , com sacrifícios pessoais, das suas famílias . Esses oficiais não podem ser misturados com meia dúzia , uma dúzia de pessoas que prendiam as opositoras políticas, despiam-nas e praticavam torturas sexuais, que ocultavam cadáveres. È um grande equívoco e eu tenho certeza que o ministro Nelson Jobim sabe disso.  Vannuchi defendeu ainda a criação da ”Comissão da Verdade” – que em nome de honestidade e do bom senso só pode ser escrita entre aspas – como forma de não permitir o uso das
  
   Apoio à política de Direitos Humanos de
   Ahmadinejad?
Forças armadas para acobertar crimes contra os Direitos Humanos. Tanto esmero  em defender os Direitos Humanos por parte dos petistas não é compatível, nem coerente com o fato de o governo receber com pompa e circunstância o tirano Ahmadinejad, que atira balas de verdadeiros protestos da oposição no seu país. Tampouco faz sentido os
defensores da “Comissão da Verdadeincluírem o ditador bolivariano da Venezuela, Hugo Chávez, no rol dos aliados , rasgando cláusulas democráticas  do Mercosul, para agradar o maior incentivador de desrespeito aos direitos humanos na América Latina. Francamente, é de um cinismo avassalador.A oposição já está chamando, e com razão, de ”decreto-revanche” a tentativa de reformar a lei de anistia.Lula declarou mais uma vez que nada sabia e segundo quem conhece  os procedimentos palacianos é possível  que tenha sido omitido do presidente o caráter inconstitucional do decreto . Lula não lê detalhes e muito menos dos atos e processos que assina. Ouve no despacho da casa – responsável institucional pela redação final do que Lula assina – ou recebe um bilhetinho anexo com um resumo do que vai assinar. Mesmo no caso dos vetos, é assim que decide, a menos que a imprensa divulgue  conflitos relativos aos vetos e sanções . Na bola dividida ele fica obrigado a opinar.ATROPELO DA LEI
Neste caso, as conseqüências são graves. Primeiro porque atropela um longo processo de transição democrática, no qual a Lei de Anistia , vinda logo após Emenda Constitucional número 11, era parte central e consensual. E desperta fantasmas que estavam mortos e sepultados.Segundo e ainda mais
  

   VANNUCHI, LULA E DILMA.  SERÀ  QUE ALGUÈM
   OMITIU DETALHES DO DECRETO PARA LULA ?

grave, expõe a natureza dos métodos e do pensamento político da ministra Dilma Rousseff. Tentar passar à socapa que não apenas fere a Constituição do País, mas detona um acordo histórico que permitiu uma transição segura para a democracia. Isso cria enormes dúvidas sobre seu comportamento, caso chegue à Presidência da República. A escolha de marco Aurélio Garcia  - o maior defensor de Hugo Chávez – para sua coordenação de campanha , é um sinal das simpatias chavistas da ministra, embora oculta nas suas entrevistas e discursos. A imprensa não está dando a devida importância que o assunto requer.As  conseqüências do decreto-revanche não estão apenas na revogação de uma parte do passado – a parte que interessa aos ex-terroristas, hoje instalados no poder -, mas, principalmente, seu significado para o futuro das leis e da democracia  no País. E não pode haver meios termos: o decreto terá que ser cancelado e se não o for, a oposição recorrerá ao Supremo Tribunal Federal para garantir a anulação por inconstitucionalidade.
  

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