Foto do carro que arrastou o menino João - Fote o Estadão - http://www.estadao.com.br/banco/img/livre/2007/02/752007020812030815meninorio.alaorfilho.8fevhorw.jpgTERNUMA Regional Brasíla
Por Carlos Alberto Cordella 
Será que atingimos o limite da impunidade e da violência praticada com requintes de extrema crueldade? Será possível continuarmos impassíveis às cenas de pura barbárie que estão se tornando comuns no nosso dia-a-dia? Quando será que as autoridades constituídas deixarão o discurso primoroso, porém vazio de conteúdo, de lado, para fazerem algo de eficaz? Quantas Forças Nacionais de Segurança (FSN) precisarão ser criadas? Quantos Programas Anti-Violência (PAV) permanecerão apenas no papel? Quando deixaremos de lado esta mania nacional de criar siglas, programas, convênios e uma infinidade de cargos que no papel resolvem tudo, mas quando aplicados à prática permanecem emperrados na burocracia estatal, mostrando-se ineficazes e alimentando o desperdício e a corrupção.
O governo federal é especialista na prática da propaganda enganosa. Dos feitos homéricos  atribuídos a si próprio tem tirado muito proveito, mas,  me pergunto, onde estão os resultados.  Alguns dos novos governadores parecem ter aprendido bem a lição e aderido aos ensinamentos de mestre Lula. São vistos diariamente, sob os holofotes da mídia, em discursos eloqüentes no meio da multidão, inspecionando hospitais, circulando em lotações,  tentando explicar o inexplicável e por aí vai.

Tudo isso é maravilhoso e gera muitos dividendos aos adeptos desse populismo barato de camelódromo. É no contato, corpo-a-corpo, junto ao povo, e nas promessas intermináveis que está a garantia de votos.

Estamos, também, saturados de ouvir justificativas de que a violência tem sua causa primária nos problemas sócio-econômicos.  Ora, assim fosse e não existiriam as gangues formadas por adolescentes de classe média, que adotam como diversão à prática de espancamentos, furtos e outros delitos. Por que governantes, políticos, juízes, empresários e funcionários públicos, bem remunerados, se corrompem? Qual a explicação para este fenômeno? Esta corrupção apesar de mais branda é uma forma de violência brutal contra o povo e a nação. Neste tipo de violência os recursos destinados às áreas essenciais, sob responsabilidade do Estado, são desviados e acabam por alimentar a outra violência, a que está presente nas ruas.  É como tirar o pão daquele que passa fome para alimentar o que não precisa.

Essa violência toda que tomou conta do país e cresce a passos largos, seja nas ruas ou nos gabinetes, sem a devida punição, e continuadamente justificada e amparada nos problemas sociais, em realidade, é conseqüência da omissão e incompetência das autoridades constituídas que não fazem seu dever de casa perdendo-se na demagogia.

A culpa é sim do Estado. O controle da violência é dever do Estado. O que vemos, no entanto, é o Estado se omitindo de suas responsabilidades e atribuindo aos ditos problemas sócio-econômicos a onda crescente de violência, como se também isto não fizesse parte das responsabilidades e atribuições desse mesmo Estado.

Nossos governantes especializaram-se na arte de bem discursar e enganar. São mestres do ilusionismo e da prestidigitação. Preocupam-se apenas com suas imagens e em como perpetuar-se no poder.

O Legislativo se confronta com o Judiciário e vice-versa, apenas pela manutenção de seus próprios e gordos salários em que o excesso dessa gordura vem de gratificações cuja legitimidade é discutível.  Nosso célere Ministro da Justiça, como contribuição ao país, legou, ao erário, uma fabulosa herança-despesa, concedida à ex-guerrilheiros e terroristas, na forma de indenizações e pensões vitalícias, isentas de impostos e abrangendo, inclusive, herdeiros. E neste vendaval de paixões e alucinações desmesuradas o país fica entregue ao regime do caos. O chamado socialismo democrático progressista do século XXI. Fosse uma máquina do tempo estaríamos de volta para o passado e não ao futuro.

Todos estamos carecas de saber que a melhoria sócio-econômica de uma nação tem sua origem no aprimoramento da educação. A mesma educação que incutirá no indivíduo os valores éticos, morais e espirituais que são essenciais à vida humana e à sua convivência social. Sem esses valores estaremos igualados aos animais irracionais desprovidos da razão e motivados apenas pela realização das paixões mais deploráveis. Estaremos caminhando para o processo de autofagia coletiva.

A educação é dever do Estado, mas seu princípio básico está alicerçado no seio da família. São os pais os primeiros educadores e responsáveis pelo caráter e personalidade de seus filhos. Este o dever dos pais.
Como estão nossas famílias? Os pais parecem estar se perdendo na educação de seus filhos, compensando sua ausência e omissão através do consumismo e da liberdade excessiva, não impondo limites e responsabilidades.

O fim da impunidade exigida ao Estado no combate a violência precisa ser dividido com os pais. Esta cumplicidade família-estado está degradada e precisa urgentemente ser resgatada. O Estado e a família são os pilares de uma nação. O enfraquecimento desses pilares gera a violência que aí está. A violência é o resultado da ausência de autoridade e da impunidade. O atual Estado, ao combater o autoritarismo, de forma doentia, tornou-se permissivo demais. Transformou-se naquilo que combatia e hoje desconhece o verdadeiro sentido de sua existência.  Ao Estado compete a garantia das leis e da ordem. Este o dever do Estado. O Estado está combatendo a violência com o mesmo objetivo que tenta ensinar o saci pererê a andar de patinete. Tudo não passa de uma grande brincadeira!
 
 
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