Por: MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA

Que triste e deprimente espetáculo do crescimento da desfaçatez os brasileiros puderam assistir quando da eleição dos presidentes da Câmara e do Senado, no dia 1 de fevereiro. Marquemos essa data histórica. Nela, um festival de traições, nunca dantes havido nesse país, fez definitivamente do Congresso Nacional um balcão de negócios. E subjacente às negociatas houve a entrega do poder Legislativo ao partido dominante, o PT, significando a outorga de quase plenos poderes ao presidente da República. 

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Vai-se, assim, aperfeiçoando no Brasil os métodos do ditador Hugo Chávez, companheirão da Venezuela que aqui manda e desmanda com a certeza de ter apoio para isso.

Em vão os apelos de Gustavo Fruet por moralização e ética. Deve soar como palavrão aos ouvidos de mensaleiros e demais companheiros de falcatruas tais palavras, se bem que a maioria deles nem sequer conhece o significado destes vocábulos. Afinal, o que importa a moralização da Instituição que é um dos pilares da democracia, se o que interessa são cargos, sinecuras e a doce vida do poder doam a quem doer, custe o que custar. Nós elegemos deputados e senadores para que eles se locupletem. Fazemos retornar ao Congresso mensaleiros e outros tipos de pilantras. Depois batemos palmas para seus desmandos.  Ou melhor, nem lembramos de quem elegemos.

O Congresso, com as honrosas exceções que sempre existem, vai ficando cada vez mais parecido com um refúgio de larápios da coisa pública. Um circo em que desfilam personalidades folclóricas. Um lugar de recreio onde pouco importa as funções constitucionais, entre as quais controlar o Poder Executivo.

O fato é que a humanidade sempre padeceu do complexo de Barrabás. E isto se acentua em determinadas épocas. Refiro-me simbolicamente a passagem bíblica, em que Pilatos, tendo apresentado ao povo Jesus e o homicida Barrabás, teve como resposta o clamor da multidão que, referindo-se a Jesus gritou instada pelos pontífices: “crucifica-o”. Aos cristãos e não-cristãos esse episódio deve servir como entendimento sobre nossa espécie, nossa selva humana tangida sempre pelos “pontífices” do poder que instigam as massas a votarem em Barrabás.

O PSDB e o PFL vêm padecendo da síndrome do assassino bíblico. Geraldo Alckmin foi traído por seu partido e pelo PFL. Agora, Gustavo Fruet. Não é possível ganhar quando a turba é instigada por certos “pontífices”. Sobretudo alguns muito poderosos, como Aécio Neves e José Serra. E na eleição para presidente da Câmara, o PSDB, em grande parte, apoiou o petista Arlindo Chinaglia. Melhor seria que esses tucanos se mudassem de mala e cuia para as hostes do PT. Seria mais honesto. Mas quem se importa com honestidade?

Na Câmara, seguiu-se o espetáculo deprimente com o partido dito Liberal apoiando o dito comunista Aldo Rebelo. No senado, José Agripino Maia (PFL) sofreu a derrota para o homem que serve fielmente o governo do PT, Renan Calheiros (PDQEL – Partido de Quem está Lá).

Como sempre disse e reafirmo, não existe oposição no Brasil. Nossas instituições estão fragilizadas e cooptadas pelo poder central. Nossa democracia definhou. É de se temer pela manutenção do Estado Democrático de Direito.

E enquanto aqui se gesta o ovo autoritário do PT, disfarçado de democracia como está em moda na América Latina, o superpoderoso Hugo Chávez vai conseguindo seu intento de governar totalitariamente e de estender seu poder sobre o continente. Na Bolívia, no Equador, na Nicarágua ele fez seus fiéis seguidores. Fará outros. E no Brasil também fez. Tudo indica que fazemos parte de um plano mais amplo da esquerda do século 21, que ostenta um capitalismo de mercado, mas mantém a linha “politicamente correta” do comunismo que, fracassado em todo mundo, teima em ressurgir por essas plagas sob a roupagem de falso progresso, mas com todo seu séqüito de horrores como a perda de das liberdades, o empobrecimento generalizado em nome da igualdade, o avanço da mentalidade do atraso que para nós, latino-americanos, vem sob o comando do caudilho venal, corrupto e incompetente.

O Brasil comunga com os ideais chavistas. Isto fica claro nas palavras do presidente da República que defende ardorosamente o ditador venezuelano, que se humilha diante dele e de Evo Morales, que tem por ditadores africanos admiração que apenas não se compara com a que nutre por Fidel Castro.

Incitado pelos “pontífices” o povo vota nos Barrabás da América Latina. Tristes trópicos esses. Mas pelo menos nos países vizinhos existem oposições. Aqui não. Com diria Boris Casoy, demitido da TV Record por dizer certas verdades: “tá tudo dominado”. Agora é aguardar pela canonização de José Dirceu e demais companheiros aloprados. Afinal, ao PT tudo é permitido. Os outros que se cuidem. Quem sabe vem aí uma Constituinte? É só o presidente pedir. O Congresso faz.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

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