Arruda usa cargos políticos para abafar o grito das ruas
Jornal do Brasil
BRASÍLIA - Favorecido pela proximidade do recesso do poder em Brasília, mas acuado por uma onda de manifestações que pipocam em vários pontos do Distrito Federal, o governador José Roberto Arruda aposta no loteamento de cargos públicos para empurrar a crise com a barriga e tentar salvar o resto de seu mandato. São cerca de 18.500 os cargos comissionados que deverão ser oferecidos – para ocupar ou substituir aliados em debandada – aos parceiros que aceitarem a tarefa de conspirar contra o impeachment na Câmara Legislativa do DF.
Embora os cargos comissionados sejam por si só um escândalo – o governo federal tem, em todo o país, pouco mais de 21 mil cargos – Arruda informou, através de sua assessoria, que enxugou os quadros, que empregavam, na gestão de seu antecessor, Joaquim Roriz, cerca de 31 mil vagas para apadrinhados, mais de 11 mil deles pendurados no extinto Instituto Candango de Solidariedade. Apontado pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal como o chefe do grupo que arrecada propina de empresas com negócios no governo e distribuía a parlamentares da base aliada, o chamado Mensalão do DEM, Arruda deverá negociar com aliados a distribuição dos cargos comissionados. Primeiro, para tentar evitar a abertura do processo de impeachment e, se isso não for possível, tentar a absolvição mais à frente.
Na semana passada, ao anunciar a desfiliação do DEM para escapar de uma constrangedora expulsão, o governador garantiu que quer terminar o mandato e encerrar a vida pública. Foi uma saída política para tentar aliviar a pressão popular pela renúncia. Estudantes e entidades sindicais ligadas à esquerda brasiliense acreditam que a única forma de derrubar todo o esquema Arruda é a renúncia e prometem aumentar a mobilização nas ruas de Brasília.
Neste fim de semana, acompanhados à distância pela Polícia Militar, os manifestantes se concentraram na entrada da residência oficial, em Águas Claras, e limparam e lavaram o chão para simbolizar a necessidade de varrer a corrupção do GDF.
Após três horas de carreata que reuniu cerca de 500 veículos e percorreu 50 quilômetros, os manifestantes pediram a renúncia de Arruda. Um caminhão pipa despejou água e os manifestantes utilizaram vassouras. Ao som de “se gritar pega ladrão, não fica um”, o grupo de cerca de 200 pessoas chegou a fechar a pista em frente à residência oficial por alguns momentos.
– Queremos ter Brasília limpa de novo. Até o Natal vamos limpar a cidade dessa corja – afirmou um dos coordenadores do Movimento Fora Arruda, o estudante Levi Brandão. O movimento defende também a saída do vice-governador, Paulo Octávio, e dos deputados da base aliada que aparecem na Operação Caixa de Pandora. (Com agências)
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