A corrupção é tanta que provoca ãnsia de vômito
Autor Carlos Alexandre - Correio Braziliense
Se há algum ponto positivo na crise detonada pela Operação Caixa de Pandora, é a revelação da política brasiliense sem efeitos especiais, maquiagem ou verniz marqueteiro. A sala de Durval Barbosa é o confessionário do big brother paroquial. Longe do olhar público, personalidades e anônimos da cidade retiram a máscara ética, se despem de qualquer decoro, escondem o dinheiro sujo em lugares inconfessos e protagonizam cenas de corrupção explícita. Caixa dois de campanha eleitoral, suborno de secretários do GDF e de deputados distritais, oração da propina, conchavos milionários. Implacável e lancinante, a lente secreta de Durval joga luz sobre as trevas da capital federal.
Com as vísceras expostas, a sociedade brasiliense tem o dever de se mobilizar para varrer a corja instalada nos poderes locais. Os desafios imediatos são dois: estabelecer condições de governabilidade e garantir o andamento dos processos políticos e judiciais para que o escândalo não resulte impune. Em longo prazo, o eleitor tem a missão de avaliar o voto em outubro de 2010. As imagens dos acusados, ao contrário do que o presidente Lula afirma, são eloquentes.
O escândalo da propina reacendeu a discussão sobre a autonomia política do DF. Poucas vezes se disse tanta bobagem a respeito. Se tivermos de retirar a autonomia de toda unidade federativa a cada escândalo que surgir, não restará uma. A corrupção é um problema estrutural do país, atinge as estruturas de poder em níveis municipal, estadual e federal, e não apenas no Executivo. O desafio do Distrito Federal é demonstrar que tem instituições com credibilidade suficiente para levar as denúncias a um resultado efetivo, com a punição exemplar dos acusados.
Outro ponto também muito comentado é a tal da reforma política. De pouco adianta discutir mudanças na nossa organização política se não for precedida por uma reforma moral. Políticos no Brasil cometem crimes não apenas porque o sistema permite a impunidade. Fazem-no porque agem de acordo com interesses que conflitam com valores éticos. Uma discussão técnica jamais garantirá a lisura em campanhas eleitorais ou a honestidade dos homens públicos. Cabe ao eleitor julgar se o candidato tem condições de se manter na vida pública. Assistir ao acervo do crime acumulado por Durval Barbosa é um passo nesse sentido.
 
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