Ditaduras não começam apenas por movimentos armados, por revoluções longas ou nem tanto, por marchas contra Roma, como aconteceu em 1917 pelas forças de Mussolini, ou pela vitória de Fidel em Sierra Maestra; acontecem, também, pela pregação política em busca de postos de governo, como aconteceu com Hitler. Aqui, na América Latina, está sendo desdobrado esse tipo de política.

 

 

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Chávez é o seu capitán. O de que menos cuida, depois que sufocou rebeliões no início de seu governo, é da condução da vida no país. Está constantemente viajando, seja para representar sua Venezuela em atos oficiais de outras nações, seja para indisfarçáveis vilegiaturas de essência puramente ideológica, em que aparece como a figura de maior importância pessoal, tendo atrás de si a condição de país petrolífero exportador, não tem os embaraços de governo tão comuns aos vizinhos continentais.

Agora mesmo, conseguiu da Assembléia Nacional, por unanimidade de votos, licença para governar por decreto por um período de ano e meio. Assim, durante 18 meses, decidirá por vontade monárquica sobre todo e qualquer assunto. Já tem, segundo a imprensa do país, uma agenda formada: a estatização do serviço de fornecimento de energia elétrica da cidade de Caracas, da telefonia do país, da exploração de petróleo na bacia do Orinoco são alguns dos temas. Pela nova sistemática, os decretos serão enviados ao Legislativo apenas em caráter formal, mas a Assembléia não terá poder de modificar os textos.

Haverá uma reforma da Constituição condensando como legislação superior muitas das idéias de Chávez, e isso marcará a caminhada para um governo praticamente totalitário. A modificação central deverá ser a adoção de reeleições sem número de vezes, que garantirão a Chávez governadorias seguidas com aparência democrática. A América Latina caminha, na Venezuela e na Bolívia, por enquanto apenas aí, para o totalitarismo. Com Mercosul e tudo.

 

 

Correio do Povo
Porto Alegre - RS - Brasil

 

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