Por Ivo Salvany 

 Pela terceira vez fui a uma palestra do Comandante do EB, e  mais uma vez tive colossal decepção e não gostei do que assisti. Até um amigo me xingou de idiota masoquista quando lhe disse, um dia antes, que iria a essa palestra.

 

Texto completo


Pelas regras estabelecidas nada de debates. Somente o Cmt teria e teve o direito à palavra, por quase 4 horas.

Pelo nível da maioria dos convidados presentes, Oficiais Generais e superiores, esperava-se uma elevada avaliação da conjuntura política, uma abordagem de alto nível referente às questões da segurança nacional, desenvolvimento do País e soberania nacional. Inclusive às questões graves do momento atual:o julgamento revanchista do Cel Ustra, ao arrepio da Lei da Anistia; as especulações na mídia e internet da possível subordinação do Ministro da Defesa Brasileiro às diretrizes continentais de Hugo Chavez; a questão da Bolívia; as perspectivas do 2º mandato do Lulla em relação aos militares; a crescente ameaça de implantação do "socialismo autoritário" no País e na América do Sul; as ameaças internas do crime organizado, suas possíveis ligações com a FARC, PT e o MST; etc.

 Mas, cruel frustração, o que se viu foi uma exposição motivacional, tipo clichê do CComSEx, focada apenas na força Terrestre.

Palestra padrão dirigida para neófitos recrutas, que apresenta o Exército eficaz, operacional, as ilhas de excelência.

O Exército que a nação brasileira tem inteira confiabilidade, essa magnífica instituição que a maioria absoluta dos presentes na platéia conhece de cór e salteado.

Além de uma estafante saraivada de dados numéricos positivos da atual gestão, pelo visto a melhor da última década, tipo discurso "Exército melhor com Lulla".

Quanto a reajuste salarial dos militares, deixou bem claro que este ano não haverá, porque o reajuste já 'conquistado" e concedido deverá cobrir a inflação prevista para o próximo ano.

Pelo exposto, há uma tácita aceitação desta situação, em decorrência há de se convocar novamente as mulheres dos militares, a quem, por dever de justiça, deve-se creditar o sucesso de último reajuste.

Sinalizou também, que a paridade entre ativa e reserva deverá ser extinta, neste novo mandato do Lulla, desde que, em vários países sul americanos e europeus isso não existe mais, e o déficit-rombo da previdência está na ordem de 1 trilhão de reais. Nesta questão, também sob clara submissão, depreende-se que os militares estão sem pai nem mãe.

Ao final, foi destacada a linha mestra na atual condução do Exército:

 CONCILIAÇÃO e DEMOCRACIA.

A conciliação apresentada, para muitos dos presentes, aliada às estórias das medalhas e outras concessões a bandidos, soou mais como passividade, pusilaminidade, humilhação e subserviência.

É inacreditável que diante das crescentes agressões à anistia e enxurrada de atos revanchistas contra os militares, ainda exista alguém de sã consciência, que acredite em conciliação com radicais xiitas da esquerda brasileira.

É como acreditar em Papai Noel depois de velho.


E a democracia?

Foi citada como a melhor forma de regime de governo, que deve ser preservada a todo custo. Mas, não ficou óbvio qual o tipo de democracia. Será, talvez: a liberal; a cristã; a "socialista autoritária do PT", a "democracia totalitária de Stalin",  a "democracia cubana", a "democracia chavista", a "democracia chinesa", etc.

Há de ser ter muito cuidado com a palavra democracia,  a história comprova que a tendência da "democracia igualitária" é tornar-se totalitária, ditatorial.

Enfim, como nada se perde, tudo se transforma, entrei na palestra como um preocupado coronel e saí boquiaberto, como um alienado recruta.

 

 Ivo Salvany Cel Cav R/1

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar