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Categoria: Luta armada
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 Por Gen.Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Ternuma Regional Brasília

Rejubilamo–nos com a esquerda nacional por mais esta acachapante vitória antidemocrática.

Aos poucos, quase que diuturnamente, “zás–trás”, mais um retumbante escárnio. Um guerrilheiro aqui, um terrorista lá, e vamos preenchendo de heróis sem mácula, o nosso árido passado histórico.

Carlos Marighella de alhures deve estar antegozando este reconhecimento. Felizmente, a sociedade agradecida enaltece com a merecida pompa a angelical figura.

Seus crimes, se os cometeu, foram perdoados, e mesmo exaltados, como acidentes de percurso, pois lutava e disseminava o terror por questões meramente ideológicas, e conforme os seus admiradores, pela ideologia certa, aquela que a tudo justifica.

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Estátuas, Títulos, Mausoléus, nada será suficiente para premiar o novo mártir da esquerda. Reverenciado pelo mentecapto mandatário como um grande exemplo, sua majestosa figura breve será entronizada em diversas ruas e praças, e loas serão entoadas pelos adoradores do comunismo.

Livros, filmes, peças de teatro, museus, e tantos quantos forem os “interesses” para celebrar o brioso terrorista deverão ser postos em prática.

Nesta terra, para ter o reconhecimento oficial e ser incluso no Panteão dos heróis, não basta ser cretino ou corrupto, é preciso ser de esquerda, comunista até a medula e, preferencialmente, guerrilheiro e terrorista, não necessariamente nesta ordem.

Marighella preencheu com louvor todos os parâmetros de um canalha de escol. Daí... 

Marighella foi um puro, de espírito e de idéias, as quais se apegava como uma hiena diante de uma boa carcaça. Era tão afeiçoado às suas convicções que por elas matava, roubava e enganava.

Inocente, misto de querubim, foi líder da ALN pelo seu espírito cordato e conciliador e, incompreensivelmente, procurado pelas autoridades policiais por crimes falsamente atribuídos a ele. Assim, sem motivo aparente foi assassinado, de modo torpe, em uma emboscada pelas forças legais (ilegais?).  

Eventualmente, descortinou sua verve literária, e deixou-nos um legado “O mini-manual do guerrilheiro urbano”. Cremos que, depois que o Collor foi eleito membro da Academia de Letras das Alagoas, sem ter escrito um livro sequer, o vate do combate irregular, sem dúvida, “in memoriam” será eleito membro da Academia Brasileira de Letras.

Diante da nauseante homenagem, concordamos com o diagnóstico de um “experto”, de que o País não tem mais jeito; pois mal comparando, “para a governança do Brasil, nos dias de hoje, todas as maracutaias e acertos são válidos, e o próprio Jesus Cristo, para levar a bom termo sua sacrificada jornada de salvação do mundo, se hoje vivesse, fatalmente, teria que negociar com Judas”.

 Certamente, Marighella, apesar de seus pecadilhos, era um homem de visão, quem entre nós, um bando de idiotas poderia imaginar que no futuro estaríamos de quatro e manietados diante de tantos descalabros? E ele, por artes da conjuntura política seria guindado aos píncaros da memória nacional?  

O Brasil do pão e circo, não precisa invejar a ninguém, pois já possui o seu “Che Guevara”. E viva o “mito” Marighella, um herói feito sob medida para aqueles, que como nós, pagamos o custo do pão, e resignados e amestrados burros, rodopiamos no picadeiro do circo.

 

Brasília, DF, 08 de novembro de 2009