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Categoria: Diversos
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Por ELIANE CANTANHÊDE

BRASÍLIA - Depois o PSDB choraminga pelos cantos, perguntando-se por que perdeu uma eleição tida como ganha. Simples: o partido não tem liderança nem estratégia. É um punhado de gente batendo cabeça por questiúnculas. Sem demérito nenhum a Arlindo Chinaglia, deputado experiente e de um partido importante, qual o sentido de o PSDB apoiar o PT para a presidência da Câmara, a terceira posição da República?

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Chinaglia é PT, é Lula, é Dirceu, é Berzoini. Eleito presidente, suas primeiras providências serão fechar uma pauta com o Planalto, trabalhar para enterrar atuais e futuras CPIs e articular a anistia de Dirceu. Ou alguém tem dúvida disso? O PT cresce, o PSDB encolhe.
Lula, que é Lula, não exerceu comando nem liderança durante o imbróglio da Câmara. Achava Aldo Rebelo mais forte e mandou dizer que ele era seu candidato. Quando viu que Chinaglia estava no páreo, passou a dizer que apoiaria quem se viabilizasse. Deixou o pau correr.
E o PSDB, que é, ou deveria ser, de oposição, viu o PMDB assumir seu apoio e foi logo pulando no barco governista. Lula deveria mandar uma garrafa de champanhe para os "estrategistas" tucanos. E o PT, no mínimo, uma caixa inteira. Quem não quer uma oposição assim?
Será que é isso que os tucanos chamam de "movimento para melhorar a imagem do Congresso"? Parece o contrário: uma grande jogada de pequenos interesses, em que um carguinho a mais para um tucano na Câmara e um troca-troca com governadores pesam mais do que princípios, brios.
Democracias se fazem com governo, oposição, negociações em torno de temas e propostas. No Brasil, ninguém mais sabe quem é quem, e temas e propostas é que não há. Do jeito que vai, Lula já pode preparar o terceiro mandato. E sem precisar massacrar a oposição, como Chávez na Venezuela. Aqui, a oposição se massacra sozinha.


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