Por Carlos José Marques - diretor editorial ISTOÈ
Sim, a candidata Dilma Rousseff pode misturar-se aos foliões e sambistas da Mangueira e sair como porta-bandeira da escola beijando o símbolo da verde e rosa. Pode colocar um capacete na cabeça e bancar a operária ao lado de catadores de lixo, garis, funcionários de fábrica. Pode até convencer alguns de que bate um bolão no futebol, em pleno estádio de times de várzea. A candidata pode comer acarajé, andar no lombo de um burrico ou conduzir um trem como maquinista, apenas para sair bonita na foto de campanha. Todo esse show de aparições faz parte do mimetismo eleitoral e Dilma já entendeu bem como anda o bonde à cata de novos simpatizantes.

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O que Dilma fez além e está por despertar protestos é a mistura de epítetos da gestão pública com o objetivo fi m do voto. No seu camaleônico papel de ministra de Estado que é ao mesmo tempo a escolhida de Lula para sucedê-lo, Dilma vem atravessando sistematicamente a fronteira do interesse público e do privado, tão em voga na gestão governamental. A visibilidade dirigida e distorcida começou lá atrás. Com passos calculados, seu mentor e padrinho a batizou como "Mãe do PAC". Acrescentou-lhe depois a  alcunha de "Mãe do Pré-sal". Não por acaso, são esses considerados os dois mais importantes e mais caros projetos em andamento no País - financiados via arrecadação de contribuintes. São também programas que garantem amplo espaço no noticiário nacional, levando a reboque a marca da ministra-candidata. Não satisfeitos com a envergadura desses motores de propaganda, gratuitos e efi cazes, a elegível Dilma e seu patrono resolveram adicionar mais um título de projeção na trajetória rumo às urnas. Desta feita mirando o público internacional. Dilma é agora, designada por Lula, a chefe da delegação brasileira que vai à Conferência do Clima em Copenhague - talvez a mais importante reunião de todos os tempos para discutir a sustentabilidade do planeta -, que acontece em dezembro. É bom que se diga que a ministra-candidata Dilma possui tanta familiaridade com a questão ambiental como um peixe tem com a floresta. Mas isso não importa para os gestores de sua escolha. O objetivo aberto é ampliar a colheita. De votos, naturalmente.

 

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