Por Vasconcelos Quadros, JB Online
BRASÍLIA - A polícia do Mato Grosso acredita que os sete fuzis apreendidos terça-feira à noite, em Primavera do Leste, estariam a caminho dos morros do Rio. As armas – cinco de calibre 7.62, de poder idêntico ao usado para abater o helicóptero da Polícia Militar no Engenho Novo, no sábado, e duas carabinas .30, todos de uso restrito – podem ter saído das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

– É a hipótese mais provável. É o armamento típico usado pelas guerrilhas – disse nesta quarta o delegado Rafael Siteel Fossari.

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O delegado afirmou que os detalhes que chamam mais atenção são a quantidade de armas encontradas numa única vez – foi a maior apreensão já feita na região – a numeração e o brasão, raspados para apagar identificação e símbolo da corporação a que pertenciam e o resultado de uma pesquisa da própria polícia, que não encontrou nesta quarta nenhum registro de furto, roubo ou sumiço em nenhuma das corporações brasileiras que poderiam usá-las.

Os fuzis belgas 7.62 são usados regularmente pelas Forças Armadas ou por grupos revolucionários, por seu poder de fogo.

– Os fuzis estavam azeitados e bem cuidados. Quem faz isso conhece armas – afirmou o delegado. A suspeita é reforçada também, segundo ele, pela conhecida relação entre o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, do Comando Vermelho, com integrantes das Farc.

As corporações de segurança só usam esse tipo de armamento em operações especiais.

– Toda a Polícia Civil do Mato Grosso tem apenas cinco fuzis – explicou Fossari.

Há dois meses, num assalto a banco na mesma região foi usado armamento parecido, mas a polícia não vê relação com a apreensão.

As armas foram apreendidas pela Polícia Rodoviária Federal, numa fiscalização de rotina na altura do quilômetro 286 da BR 070, com o motorista Vanderlei de Souza, 37, no forro falso de uma caminhonete. Era a terceira viagem de Souza transportando armas para o Rio. Os fuzis foram apanhados em Ji-Paraná (RO). O rapaz disse que deixaria o carro num posto de combustível conhecido por Ipirangão, a 30 quilômetros de Juiz de Fora (MG), no caminho do Rio. Com ele, havia também 1.500 cartuchos de munição calibre 7.62 e 450 de .30.

Ao ser abordado pelos policiais, que suspeitaram de tráfico de drogas ao perceber modificações no forro da caminhonete, Souza foi logo confessando:

– Não é droga. Tô carregando é arma.

Ele contou que receberia R$ 13 mil pelo transporte. A polícia encontrou com Souza vários cartões de oficinas e de borracharias do Rio, o que levanta a suspeita, segundo o delegado, que ele fez várias outras viagens e chegaria mais perto dos morros.

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