Por Flávia Foreque e Tiago Pariz e Luiz Ribeiro - Correio Braziliense
No Nordeste, pré-candidata de Lula amplia agenda em templos e festas religiosas

Em paralelo às atividades institucionais(1) de ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff reforça, nesta semana, a agenda religiosa de pré-candidata. Após visita à Igreja Evangélica Assembleia de Deus em São Paulo, ela participa, amanhã, de celebração na Basílica do Senhor do Bonfim, em Salvador. Os eventos já fazem parte de uma estratégia do PT para ela viajar pelo país e debater temas previstos no programa de governo do PT.

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 A visita à Igreja do Senhor do Bonfim foi escolhida a dedo. Os organizadores colocaram a ministra na segunda missa da manhã, por volta das 7h, por ser a que mais fiéis recebe. Integrantes do candomblé se misturam a católicos no templo. O Senhor do Bonfim é um dos ícones do sincretismo religioso nacional. A previsão é de que 400 pessoas participem da missa celebrada pelo reitor da basílica, Edson Menezes. 

Esse tipo de contato com potenciais eleitores vai se intensificar, atendendo a um desejo do presidente Lula e dos líderes do PT. Eles aguardavam apenas que Dilma encerrasse o tratamento contra o câncer e fosse liberada pelos médicos. Durante a semana, a agenda vai privilegiar a divulgação dos programas do governo. Nos fins de semana, os encontros com lideranças locais e o contato com o eleitorado serão priorizados. Como muitos dos eventos são desvinculados das atividades de ministra, o partido deverá arcar com as despesas de deslocamento. “Ela vai ter agenda sexta, sábado e domingo para visitar o Brasil e ouvir o povo”, afirma o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).

No domingo, Dilma pretende marcar presença no Círio de Nazaré, em Belém do Pará. O evento reúne cerca de dois milhões de peregrinos na capital paraense. Eles percorrem 4km entre a Catedral de Nossa Senhora e a Basílica do Santuário. “As pessoas vêm ao Círio para agradecer à Nossa Senhora de Nazaré pelas graças que receberam. O Círio não só é uma manifestação da fé católica, mas cultural, turística e religiosa”, afirma o padre Jeorge Miranda, membro da Arquidiocese da catedral.

Graças
Para o filósofo da Universidade de Campinas Roberto Romano, autor do livro Brasil, Igreja contra Estado, a aproximação entre políticos e líderes religiosos ainda é rotina no Brasil em função da influência que esses exercem sobre o Estado. “Enquanto a religião tiver essa importância nos costumes, qualquer dirigente vai tentar conseguir as graças desse ou de outro religioso. Ou de todos”, afirma o professor da Unicamp. Apesar da crítica aos políticos, Romano aponta também o interesse direto das entidades religiosas, dotadas, segundo ele, de um “pragmatismo escandaloso”.

Na agenda de governo, Dilma acompanhará o presidente Lula na visita às obras de transposição do Rio São Francisco, no Nordeste, e de revitalização do leito do rio, em Minas. De acordo com o Ministério da Integração, o projeto da revitalização tem investimentos previstos de R$ 1,5 bilhão. A transposição exigirá R$ 5 bilhões. Durante visitas aos canteiros de obras, Lula deve discursar para 5 mil trabalhadores — mais da metade do número total de operários envolvidos na transposição.

1 - Divisão da xepa
Durante a viagem para acompanhar as obras no Rio São Francisco ao lado de Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai mesclar os momentos de que mais gosta: o de discursar e o de comer com trabalhadores. Primeiro, dividirá com operários da Barragem de Itaparica (PE) a xepa do almoço. Entre quinta e sexta-feira, deve ficar em acampamento do Exército, entre os municípios pernambucanos de Custódia e Sertânia.

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