Imprimir
Categoria: Diversos
Acessos: 2217

 Por - Dora Kramer - O Estado de S. Paulo 
Se o chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Félix, acha que a destruição parcial da plantação de laranjas da Cutrale em fazenda invadida é um excesso igual a tantos outros do MST, as declarações em tom de indignação conselheira por parte do ministro da reforma agrária e do presidente do Incra foram até contundentes. Pela ótica do governo federal - traduzida na manifestação do general e materializada na mobilização da base no Parlamento para impedir a investigação de repasses de dinheiro ao MST -, a percepção do ministro da Justiça para o problema está perfeitamente dentro dos conformes.

Texto completo

No último mês de março, quando quatro empregados de uma fazenda em Pernambuco foram assassinados em confrontos com sem-terra, Tarso Genro atribuiu o episódio às táticas arrojadas do MST.

Entre um arrojo e um excesso, temos a expressão ação grotesca empregada pelo ministro Guilherme Cassel para definir as imagens do trator derrubando o laranjal, e a avaliação de Rolf Hackbart, do Incra: Isso não contribui para resolver os conflitos nem colabora com o processo de reforma agrária.

É de se perguntar às quatro autoridades e a tantas outras que mantêm o financiamento público ao MST, além daquela autoridade maior que tudo vê e tudo corrobora, o que seria feito de um cidadão comum - ou mesmo de uma pessoa incomum, como o senador José Sarney, por exemplo - que entrasse com um trator em terras produtivas derrubando toda a produção.

Isso para não falarmos da rotina de vandalismo, que já inclui até a invasão das dependências do Congresso Nacional.

Sim, o que seria feito do invasor? Preso e, na melhor das hipóteses, declarado maluco.

Pois ao MST é dado o benefício das palavras amenas, das críticas construtivas - como as do presidente do Incra, ao molde de aconselhamento sobre o que é melhor para o movimento - e da licença para barbarizar a tudo e a todos impunemente.

Aos cumpridores da lei resta o malefício de ouvir impotentes à cínica declaração da meliante travestida de militante a dizer na televisão que a derrubada do laranjal se destinava a abrir espaço para o plantio de feijão. Não se vive só de laranja, zombou a bandida, de costas para a legalidade e de mãos dadas com as autoridades federais que se recusam a cumprir a Constituição no preceito da garantia à propriedade.

E ainda sustentam os bandoleiros com o dinheiro suado dos impostos pagos pela sociedade, enquanto se comemoram os maravilhosos feitos brasileiros em sua trajetória rumo ao Primeiro Mundo. Onde podem até ser aceitas, mas costumam ser condenadas as transgressões financiadas e abrigadas pelo aparelho de Estado