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Categoria: Diversos
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 Os restos mortais de Bergson Gurjão Farias, ex-militante do Partido Comunista do Brasil (PC do B), serão enterrados nesta terça-feira em Fortaleza (CE), sua terra natal, 37 anos após sua morte na Guerrilha do Araguaia (1967-1972). O enterro ocorre às 17h, no cemitério Parque da Paz, e terá a participação dos parentes, inclusive da mãe, dona Luiza, 94 anos. Além dos parentes, o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, o governador do Ceará, Cid Gomes, e a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT-CE), acompanham a cerimônia.(...).
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(...)De acordo com o deputado federal José Genoíno (PT-SP), também ex-ativista do PC do B e guerrilheiro no Araguaia, Bergson "foi morto em combate", após ferir um capitão do Exército. Genoíno e Bergson (ex-estudante de química) foram colegas no Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Ceará em 1967. Um memorial em homenagem a Bergson será inaugurado na Concha Acústica, no bairro Benfica, na capital cearense. (...)

Portal Terra - Notícias Brasil

 

Comentário do site www.averdadesufocada.com
Ossadas  nos  armários

Em três expedições espetaculosas, o governo federal recolheu 12 ossadas de supostos guerrilheiros que foram colocadas sob a guarda do Ministério da Justiça desde  1996. Uma delas foi chefiada por Luiz Eduardo Greenhalgh.  Esses despojos humanos foram recolhidos na região da guerrilha do Araguaia e estavam guardados em um armário  da Secretaria de Direitos Humanos, mas a identificação se arrasta até hoje por causa de atropelos burocráticos e da falta de efetiva vontade dessa gente em esclarecer os fatos. Tais restos mortais seriam  de guerrilheiros que atuaram na luta armada. Das 12, apenas uma, a de Maria Lúcia Petit, morta em 1972, foi identificada oficialmente. Em 2004, o corpo do guerrilheiro cearense Bérgson Gurjão Farias, do PCdoB, morto por tropas do Exército nos embates do Araguaia, em maio de 1972, também foi identificado extra-oficialmente. E esse fato ficou por isso mesmo... Continuaram as ossadas esquecidas no armário da Secretaria Especial de Direitos Humanos,  apesar da luta de Myrian Luiz Alves, ligada ao PT,contra setores do governo que não aceitavam seus argumentos de que o corpo era de Bérgson. 
         Em 2005, o jornal O Estado de São Paulo publicou na reportagem "X2, um esqueleto no armário da Justiça, incomoda os amigos do presidente",  que entre as ossadas estavam os restos mortais de Bérgson Gurjão Farias. Afirmava também que o governo,  já possuía 12 corpos supostamente de guerrilheiros guardados num armário do Ministério da Justiça. mesmo assim , o silêncio continuava, apesar das constantes expedições exploratórias à região do Araguaia, em busca de novas ossadas, com estardalhaço na imprensa escrita e falada.. 
         Não fosse o deputado Pompeo de Mattos do PDT/RS, que ao  assumir a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, revoltado com o descaso desumano, denunciou o fato e repassou o material para   a Secretaria, essas ossadas continuariam esquecidas. Irritado com o descaso,o deputado pediu providências à Secretaria Especial de Direitos Humanos.  Aguardou  e como nada aconteceu, um ano depois, há alguns meses atrás, em discurso em plenário, declarou que há anos a ossada de Bérgson Gurjão Farias, estaria entre as ossadas existentes no armário da Secretaria.   Irritado com a demora em providenciar-se  a identificação das ossadas, o deputado  Mattos contratou um perito para examinar as amostras  e fez as declarações de que uma ossada pertencia a Bergson, com base na análise feita pelo perito.
Pressionado pelas declarações do deputado, no dia 6 de junho,  Paulo Vannuchi encaminhou parte da ossada ao Laboratório Genomic. Um mês depois - vejam como foi rápido - foi-lhe entregue o resultado do teste. A ossada era realmente de Bérgson Gurjão Farias.

 Finalmente, em 07/07/2009, Paulo Vannucchi anunciou  a identificação.   

Das 12, a de Maria Lúcia Petit  e agora a de Bergson , somente 2  foram identificadas. As outras dez ossadas, infelizmente, restam esquecidas e aguardarão por  mais alguns anos  para que as autoridades tomem providências a fim de que sejam identificadas. Por que tanto descaso  com os familiares que esperam a identificação  desses restos mortais? 

 .Será que, no momento,  é mais importante gastar  tempo e dinheiro em novas expedições, ao invés de nomear gente séria e sem motivações políticas para resolver de uma vez por todas a identidade desses restos mortais  há 13 anos esquecidos no armário? Já seriam 12 famílias que teriam os restos mortais de seus parentes restituídos. Entre eles possivelmente guerrilheiros tombados e, provavelmente, humildes cidadãos que não  não são nem lembrados nominalmente.

No momento ,  expedições ao Araguaia, com cerca de 66 pessoas, entre membros da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, de Ongs , de membos do PCdo B, familiares de mortos , de jornalistas, de convidados especiais e militares vasculham as terras onde mateiros, alguns em busca de indenizações, declaram ter presenciado o enterro de supostos guerrilheiros. 

 Para essa politicalha é mais importantes as manchetes fantasiosas sobre  o número exagerado de  desaparecidos políticos do Araguaia do que a verdade esclarecedora sobre os restos mortais de 12 seres humanos, dez dos quais , continuam esquecidos em armários.

Parece que o fato de  trazer um pouco de consolo a seus parentes e amigos, sejam quais foram os motivos de suas mortes e quais tenham sido suas convicções políticas, pesam menos do que manchetes escandalosas em jornais. Além do mais, se todos fossem identificados de uma só vez, não renderia a esses políticos as mesmas benesses que rende serem identificados um a um e feitas cerimônias oficiais espaçadas. A vingança  dos revanchistas  será aproveitada gota a gota, a longo prazo, não interessa que a dor dos familiares se prolongue por longo tempo.

  Essa gente insiste na tese absurda de que os fins justificam os meios?