Por Murilo Ramos, de Tegucigalpa, Honduras - Revista Época
Líder do movimento favorável ao presidente deposto Manuel Zelaya, Rafael Alegria, diz que organizações brasileiras prometeram ajuda financeira. O líder do movimento que apoia o presidente deposto Manuel Zelaya, em Honduras, Rafael Alegria, disse a ÉPOCA que conta com o apoio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Via Campesina no Brasil, que teriam até prometido ajuda financeira à "resistência" (como é chamado o grupo favorável a Zelaya). Porém, segundo Alegria, o dinheiro das organizações brasileiras não chegou. “Disseram que mandariam. Para mim não chegou nada. A não ser que vocês tenham recebido alguma coisa”, afirmou, enquanto olhava e sorria para manifestantes que acompanhavam a entrevista. “Não temos (dinheiro) nem para a água”, disse.

Texto completo Alegria comandou, nesta segunda-feira (28), manifestação em Tegucigalpa, desafiando o decreto do governo interino de Roberto Micheletti, que estabelece o “estado de sítio” em Honduras. Um das medidas do decreto proíbe a realização de protestos. Centenas de pessoas se reuniram em frente à Universidade Pedagógica Francisco Morazan desde as oito da manhã. Os manifestantes foram cercados por aproximadamente 250 policiais do batalhão de operações especiais.

Apesar do clima tenso, não houve embate entre a polícia e os manifestantes. No local, formou-se um grande comércio informal. Havia lenços para serem utilizados caso a polícia lançasse gás contra os manifestantes, chapéus parecidos ao de Manuel Zelaya, CDs e imagens de Che Guevara, milho assado, água e refrigerantes. Alegria disse que organizará protestos todos os dias.

Como os principais canais de comunicação da oposição foram fechados, desde o decreto de ontem, simpatizantes de Zelaya usavam o carro de som para propagar que uma rádio (Cadena Mi Gente) de El Salvador, país vizinho, está transmitindo informações de interesse dos apoiadores de Zelaya
 MST nega promessa de ajuda financeira

A assessoria de imprensa do MST nega que o grupo tenha prometido qualquer apoio financeiro direto aos simpatizantes de Manuel Zelaya. “Nosso apoio é político”, diz nota enviada a ÉPOCA.

No entanto, a assessoria afirma que o MST participa, juntamente com outras entidades brasileiras e latino-americanas, de uma campanha de arrecadação de fundos para os camponeses organizados na Via Campesina que participam da resistência democrática em Honduras. 

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