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Categoria: Diversos
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 Por Aloisio Rodrigues dos Santos
As autoridades brasileiras vêm se manifestando de forma equivocada, irresponsável e atabalhoada em relação aos recentes acontecimentos em Honduras. O Presidente da República, mal assessorado, vem deixando-se levar pelas convicções ideológicas e o Ministro das Relações Exteriores, que deveria ser o principal assessor e orientador para a política externa brasileira, tendo como coadjuvante o Secretário Geral, não têm competência nem estrutura intelectual para o cargo. 

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O “gigante” e o “gigantinho” não têm interesse em uma solução nos limites da lei, nem se propõem, pelo menos aparentemente, a conhecer os dispositivos legais que regulam e moldam o ordenamento jurídico do Estado de Honduras, em especial a sua Constituição. Democrática até demais se a compararmos com outras constituições de outros países da América Latina. Evocam, constantemente e com absoluta naturalidade, palavras de ordem e apelos demagógicos, que têm ressonância nas massas menos esclarecidas. Não levam em consideração o que reza a Constituição do país amigo, ao mesmo tempo em que buscam desqualificar todos os que se colocam em campos opostos aos seus interesses.

Despreparados intelectualmente, ideológicos e mal intencionados por convicção, não comentam os textos dos artigos 237-239-242-373- e 374 da Constituição Hondurenha, os quais, associados, delimitam, com clareza, o início, o desenvolvimento e os contornos da crise. Por outro lado, com alguma insistência, empregam raciocínios frágeis e palavras de ordem para convencer as massas, levando-as a aceitar a orientação do partido ou do governo. Quando solicitados a se manifestar, recorrem a um artigo da Constituição Hondurenha, normalmente dissociado das declarações, o que justifica as considerações que fazem, os textos que produzem e os compromissos que assumem, sem críticas ou contestações por aqueles que os ouvem, que se contentam com o que lhes é apresentado.

O “gigante” da politica, o Presidente da República, faz declarações sem a profundidade desejável, sem os conhecimentos necessários e sem a consistência recomendável. Não demonstra uma postura equilibrada e isenta de um Chefe de Estado e de Governo, mas procura apenas agradar os que o apóiam interna e externamente. Provavelmente não leu, nem lhe foi mostrado, os principais artigos da Constituição Hondurenha, que conduziram o país a uma crise que nunca deveria ocorrer. Por isso, mal assessorado, repete, como papagaio de pirata e de forma inconsequente, as contradições, as heresias e os contra sensos que o “gigantinho” lhe transmite. Esse, por sua vez, ansioso para restabelecer em Honduras o “status quo” anterior, se mostra incompetente e incapaz de propor alternativas viáveis que conduzam a uma solução negociada e que vá ao encontro dos interesses da nação Hondurenha.

 

Enquanto o bom senso não prevalecer; enquanto o viés ideológico anuviar as mentes; enquanto as adjetivações constituir, na essência, os argumentos dos mal intencionados; a crise perdurará e o Presidente da República, mal assessorado, mostrará nada saber como nada sabia dos “recursos não contabilizados”, dos “mensalões” e, também, da tentativa de desmoralização de um humilde e jovem caseiro. Esses eventos, ocorridos em 2005/06, levaram à cassação de parlamentares, como o Deputado Federal José Dirceu, e os afastamentos do Ministro da Fazenda, Dep Federal Antônio Pallocci, e do Secretário de Comunicação Social, Luiz Gushiken.