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Categoria: Diversos
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 Por General de Exército A. L. M. de Paiva Chaves  Ternuma Regional Brasília
  Os acontecimentos que envolveram a Embaixada Brasileira em Tegucigalpa, a partir  do acolhimento do Presidente deposto Manuel Zelaya, levam a reflexões sobre os  insucessos acumulados por nossa política exterior. Para quem conhece os fatos somente pelos canais públicos de informação, é  razoável inferir que todas as atitudes tomadas pelo Itamaraty convergem para um único objetivo: alimentar a campanha para obter assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas.  É indiscutível que a ambiciosa pretensão, se alcançada, representará extraordinária projeção no cenário internacional. Potencializará o destaque que o país já alcançou no campo econômico, ao exibir sua desenvoltura para reverter os efeitos da crise mundial nascida nos EUA - que já lhe devolveu o grau de investimento - e ao acenar com as vultosas reservas petrolíferas do Pré-Sal.

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Porém subentende grandes responsabilidades, que vão de atuação diplomática firme à retaguarda militar que a respalda, passando pela redução de problemas crônicos de educação, saúde, infra-estrutura, entre outros.
 
 O insucesso de numerosos patrocínios oficiais de brasileiros ou estrangeiros para o exercício de cargos em organismos internacionais, sempre visando prestígio para chegar á almejada cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, tem redundado em alentado desgaste diplomático. Em 2005, não elegemos nosso candidato na OMC. Em 2007, não teve sucesso eleição de um brasileiro para o BID. Em 2009, nova derrota na OMC. Ainda neste ano, em eleição para a UNESCO, o  Governo, surpreendentemente, descartou o apoio a um brasileiro para apoiar um egípcio, de prestígio comprometido por sua declarações anti-semitas, Amargou mais uma derrota.

 A essas candidaturas fracassadas, somam-se decisões controvertidas, como a tolerância com a desapropriação de refinarias da Petrobrás na Bolívia, a omissão de defesa de empresa brasileira expulsa do Equador, as concessões feitas ao Paraguai no Tratado de Itaipu e o silêncio sobre medidas antidemocráticas tomadas por Hugo Chávez na Venezuela.
 
 

 A aproximação com o ditador líbio Khadafi, com o norte-coreano Kim Il e com o iraniano Ahmadinejah - próximo de vir ao país em visita oficial - e a complacência com Cuba, readmitida na OEA com voto brasileiro, a despeito de seu regime ditatorial, ajudam a compor um quadro de incoerências de nossa diplomacia que contrasta visceralmente com um passado de séculos.


 Desde o Barão do Rio Branco, o Itamaraty sempre se impôs no cenário internacional por uma política de moderação e equilíbrio; pelo respeito a princípios consagrados, como a de não-ingerência nos assuntos internos de outros países, a defesa da liberdade de expressão, o desapoio a governos totalitários e o patrocínio dos interesses brasileiros além-fronteiras. Mesmo sem se nivelar ao poder da diplomacia das grandes potências, sua política exterior é respeitada e elogiada há séculos, assim como seus funcionários de carreira, reconhecidos por sua  alta competência.

 O que se vê nos dias atuais é um assessor presidencial com status de ministro colocar em posição subalterna diplomatas efetivos, sempre que o assunto em pauta ganhe contornos que fujam à normalidade. E o caminho adotado se distancia, frequentemente, de nossas tradições. Foi o que ocorreu em Honduras.


O próprio chanceler, em audiência no Senado, teve dificuldade para relatar convincentemente os acontecimentos, precisar e justificar nossa atuação diplomática. Naquele pequeno país centro-americano, vestimos uma camisa de onze varas e não a despiremos sem pagar o preço de expressivo desgaste de nossa imagem no exterior.


 É difícil visualizar a ascensão do país a membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, esgrimindo uma diplomacia que não convence pela coerência.