BRASÍLIA E RIO - Na última hora, 45 deputados federais pediram a retirada de suas assinaturas da CPI mista para investigar denúncias de repasses supostamente irregulares de recursos do governo federal ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Com essas desistências, deixou-se de atingir o número mínimo de deputados (171) exigido para a instalação da CPI.

" É inacreditável, inconcebível um parlamentar de qualquer país desenvolvido retirar a assinatura depois de dar. É uma desonra, um vexame " 

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O requerimento de instalação chegou a ser lido em sessão do Congresso na terça-feira, quando ainda constavam 183 assinaturas. Mas, como o regimento permite desistências até a meia-noite do dia em que ocorre a leitura, houve tempo para as retiradas. A comissão seria mista, ou seja, composta por deputados e senadores - não houve desistências entre os 36 senadores que assinaram o documento.

A proposta de criação da CPI foi protocolada pelos líderes da bancada ruralista no Congresso no dia 17 de setembro. Os autores do requerimento foram a senadora Kátia Abreu (TO) e os deputados Onyx Lorenzoni e Ronaldo Caiado (GO) - todos integrantes do DEM.

A senadora ficou indignada com a retirada de assinaturas dos deputados, inclusive de integrantes da chamada bancada ruralista. Ela disse ainda que analisará com os colegas a estratégia a ser adotada, se um novo pedido de CPI Mista ou mesmo de uma CPI apenas no Senado.

- O que aconteceu só é a comprovação do terror que está o Incra e o governo, como são lenientes com o repasse de dinheiro para as ONGs, as cooperativas de fachada para o MST. Vamos analisar o que fazer, mas vamos continuar lutando. Vamos achar outro instrumento. É inacreditável, inconcebível um parlamentar de qualquer país desenvolvido retirar a assinatura depois de dar. É uma desonra, um vexame - disse Kátia Abreu, que nesta quinta-feira estava em Tocantins.

Muito irritada, a senadora, que é presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), se disse surpresa com algumas retiradas de assinaturas, citando muitos nomes como Enio Bacci (PDT-RS), Celso Maldaner (PMDB-SC), Odilio Balbinotti (PMDB-PR) e até do deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), integrante da chamada bancada ruralista.

Marquezelli disse que retirou o apoio a pedido do ex-ministro das Relações Institucionais José Múcio, cuja indicação para o Tribunal de Contas da União (TCU) estava para ser votado no Senado. O argumento do governo foi o de que não seria bom mexer nesse assunto agora. O deputado, porém, disse que apoiaria um novo pedido, mas reclamou que na Câmara faltou articulação.

- Fui solidário ao Múcio. O nome de Múcio estava para ser votado no Senado, e o PTB achou melhor retirar. Achamos que, com ou sem a nossa assinatura, iria sair a CPI. Mas acho que se deve investigar - disse Marquezelli.

Como resposta ao requerimento da CPI, foi lançado um Manifesto em Defesa da Democracia e do MST que recebeu, segundo o MST, mais de 4.000 assinaturas de intelectuais, entidades, partidos políticos, associações, artistas e cidadãos do país e do exterior.

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