Por Leonardo Coutinho - Revista Veja -  edição 2132
Em 2005, o Bispo da diocese de Barra, na Bahia, dom Luiz  Flávio Cappio, ganhou os holofotes ao fazer uma greve de fome em protesto contra a transposição do Rio São Francisco . Em 2007, repetiu a dose com o apoio de esquerdistas e artistas da TV. Agora, o bispo volta à cena: quer construir un santuário no local onde o terrorista Carlos Lamarca foi morto, no sertão baiano.
O senhor vai erguer um túmulo para Lamarca?
 
 
 
 
 
 
- Farei um santuário para todos os mártires da diocese. Considero  mártir quem morre em defesa de uma causa justa e derrama seu sangue por valores evangélicos. O Lamarca é um mártir.
 
- Lamarca optou pelo caminho da violência e matou gente. Isso é evangélico ?
 - Não quero canonizar ninguém. Sei que o Lamarca teve culpas, e não podemos eximí-las, mas quero valorizar o que ele fez de bom.
 
- O que ele fez de bom?
- Lutou contra a ditadura. Estou na região há 35 anos e já ouvi histórias terriveis sobre ele. Diziam que comia gente e estrangulava crianças. Eram coisas que a ditadura colocava  na cabeça do povo.
 
- Como o senhor  vai bancar a obra?
- Com recursos de dois prêmios internacionais que recebi por defender o São Francisco.
 
- Quanto o senhor ganhou ?
- Um valor simbólico.
 
- Mas quanto ?
- Só posso dizer que dá para começar.
 
-O senhor não tinha nenhuma obra social com que gastar esse dinheiro?
-  Já fizemos isso. O santuário será um lugar onde gente que foi maltratada pela história poderá ter seus restos mortais depositados e descansar em paz.
 
-Quem serão os outros mártires ?
-Trabalhadores rurais mortos em conflitos

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