O Globo
TEGUCIGALPA -
A poderosa Igreja Católica de Honduras apoiou a deposição do presidente Manuel Zelaya, eliminando as chances de atuar como mediadora imparcial porque tomaria partido para conter a influência do presidente venezuelano, Hugo Chávez, no país. Mais cedo, o governo interino decretou um toque de recolher, pouco antes de seguidores de Zelaya terem convocado novos protestos.

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Líderes da Igreja Católica, que segundo as pesquisas é a instituição mais respeitada no conservador país centro-americano, apoiaram o golpe e colocaram seu peso por trás do governo interino instalado pelo Congresso hondurenho.

- A Igreja deveria adotar uma postura mais conciliatória - disse Efrain Dias, analista político da entidade não-governamental Centro para o Desenvolvimento Humano.

- O país está dividido e precisa de um clima de reconciliação."

Ismael Moreno, um padre jesuíta e comentarista de uma rádio que não integra a hierarquia da Igreja no país, foi mais crítico.

- A Igreja perdeu toda a capacidade de mediar. Perdeu toda a credibilidade.

O papel de mediador foi assumido pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que patrocinará uma nova rodada de negociações no fim de semana entre delegações que representam Zelaya e o presidente interino, Roberto Micheletti.

O cardeal Oscar Rodrigues Maradiaga, que muitos creem estar numa pequena lista de possíveis candidatos a Papa, justificou a destituição de Zelaya, embora tenha se oposto à expulsão dele do país.

Ele não tem nenhuma autoridade, moral ou legal - disse o cardeal ao jornal espanhol "El Mundo".

- Ele perdeu a autoridade legal porque violou leis e a autoridade moral ele perdeu com um discurso recheado de mentiras. A coisa mais patriótica que ele poderia fazer seria manter-se afastado. Qualquer outra coisa é simplesmente tentar impor o projeto de Hugo Chávez a qualquer custo - disse.

Em cadeia nacional, as autoridades interinas anunciaram nesta quinta-feira que o toque de recolher começaria à meia-noite de quarta-feira (3h no horário de Brasília) até 5h desta quinta (8h em Brasília).

"Em vista das contínuas e abertas ameaças por parte de grupos que buscam provocar distúrbios e desordem em alguns lugares de nosso país, e para dar segurança e proteção a todas as pessoas e seus bens, o governo interino resolveu instaurar o toque de recolher", disse o anúncio.

Na quarta-feira, o presidente do governo interino, Roberto Micheletti, afirmou que poderia renunciar ao poder. Segundo ele, a intenção da ação seria trazer a tranquilidade ao país. A renúncia ao governo interino só aconteceria, no entanto, caso o presidente deposto Manuel Zelaya não fosse reinstalado no cargo para o qual foi eleito pela população hondurenha.

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