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Categoria: Diversos
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 Pela editoria do site www.averdadesufocada.com
 Em três expedições espetaculosas, o governo federal recolheu 12 ossadas de supostos guerrilheiros que foram colocadas sob a guarda do Ministério da Justiça desde  1996. Uma delas foi chefiada por Luiz Eduardo Greenhalgh, o circense “procurador de ossos” e que hoje só se preocupa em procurar dinheiro no lamaçal dos apadrinhados do PT. Esses despojos humanos foram recolhidos na região da guerrilha do Araguaia e estão guardados em um armário  da Secretaria de Direitos Humanos, mas a identificação se arrasta até hoje por causa de atropelos burocráticos e da falta de efetiva vontade dessa gente em esclarecer os fatos. Tais restos mortais seriam  de guerrilheiros que atuaram na luta armada. Das 12, apenas uma, a de Maria Lúcia Petit, morta em 1972, foi identificada oficialmente. Em 2004o corpo do guerrilheiro cearense Bérgson Gurjão Farias, do PCdoB, morto por tropas do Exército nos embates do Araguaia, em maio de 1972, também foi identificado extra-oficialmente. 

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   No início de 2008, o deputado Pompeo de Mattos do PDT/RS assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e se deparou com os ossos guardados em um armário. Perguntamos: guardados ou esquecidos? Revoltado com o descaso desumano, denunciou o fato e repassou o material para   a Secretaria. Aguardou providências e, um ano depois, há dois meses, em discurso em plenário, declarou que há anos a ossada de Bérgson Gurjão Farias, estaria entre as ossadas existentes no armário da Secretaria.

  Irritado com a demora em providenciar-se  a identificação das ossadas, o deputado  Mattos contratou um perito para examinar as amostras e fez as declarações de que uma ossada pertencia a Bergson, com base na análise feita pelo perito.

 Pressionado pelas declarações do deputado, no dia 6 de junho,  Paulo Vannuchi encaminhou parte da ossada ao Laboratório Genomic. Um mês depois - vejam como foi rápido -, foi-lhe entregue o resultado do teste. A ossada era realmente de Bérgson Gurjão Farias.

  Finalmente, ontem, 7/07/2009, Paulo Vannucchi anunciou  a identificação.

 Segundo o Jornal do Brasil, " Em 2005, o Estado publicou na reportagem "X2, um esqueleto no armário da Justiça, incomoda os amigos do presidente", que a ossada de Bérgson causava constrangimentos no governo, que já possuía 12 corpos supostamente de guerrilheiros guardados num armário do Ministério da Justiça. Myrian Luiz Alves, ligada ao PT, travou uma guerra contra setores do governo que não aceitavam seus argumentos de que o corpo era de Bérgson. A versão dela, aceita agora por causa da disputa política, foi classificada de "surrealista" em 2007 por Paulo Vannuchi. "É o dia mais importante da minha vida de pesquisadora, foram sete anos de trabalho e dedicação", disse Myrian, chorando ao Estado, ao saber do anúncio".

  Finalmente, Bérgson Gurjão Farias poderá ser  sepultado pelos  seus familiares. As outras dez ossadas, infelizmente, restam esquecidas e aguardarão por  mais quantos anos  para que as autoridades tomem providências a fim de que sejam identificadas?

 Por que tanto descaso  com os familiares que esperam a identificação  desses restos mortais? Descaso maior é com os mortos que tiveram seus túmulos violados para as fanfarronadas desses pretensos defensores de direitos humanos. 

 Será que, no momento,  é mais importante gastar  tempo e dinheiro em novas expedições, ao invés de nomear gente séria e sem motivações políticas para resolver de uma vez por todas a identidade desses restos mortais  há 13 anos esquecidos no armário? Já seriam 12 famílias que teriam os restos mortais de seus parentes restituídos. Entre eles possivelmente guerrilheiros tombados e, provavelmente, humildes cidadãos que não merecem nenhum respeito desses fanfarrões da estirpe de Vanuchis e Greenhalghs.

 Para essa politicalha são mais importantes as manchetes fantasiosas sobre  o número exagerado de  desaparecidos políticos do Araguaia do que a verdade esclarecedora sobre os restos mortais de 12 seres humanos, trazendo um pouco de consolo a seus parentes e amigos, sejam quais foram os motivos de suas mortes e quais tenham sido suas convicções políticas, inclusive a nenhuma daqueles pobres homens que tiveram seus túmulos profanados.  

 Será que o desejo de revanche é mais importante do que aplacar a dor de familiares?  Essa gente insiste na tese absurda de que os fins justificam os meios?