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Categoria: Diversos
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 Por: FRANCISCO VIANNA - Matéria escrita com base na mídia internacional

Os militares fizeram cumprir o que o Poder Judiciário hondurenho determinou (a prisão do Presidente da República) e depuseram o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, após uma grave crise institucional por ele mesmo criada, sob a inspiração e patrocínio de Hugo Chávez Frías. A ação gerou repúdio mundial das esquerdas, com o apoio dos europeus e o silêncio permissivo de Barak Obama, mas serviu de gáudio e alívio aos hondurenhos e dos povos americanos que não querem ver o surgimento de novos ditadores no continente.

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O povo hondurenho vive, um misto de perplexidade e alívio, à destituição do presidente da República, Manuel Zelaya, eleito em 2006 e cujo mandato terminaria em janeiro de 2010. Os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário vinham travando nas últimas semanas uma intensa disputa entre si pela defesa do que consideram “valores democráticos”, que culminou com a derrubada do presidente. O fato é que Zelaya queria convocar um plebiscito para decidir a possibilidade se sua reeleição, como já virou moda nas “banana’s republics” latinoamericanas. Agora ele diz que foi “vítima de um golpe de estado técnico”.

O Congresso e a Corte Suprema de Honduras decidiram que o plebiscito era ilegal e, pelo fato de ignorar tais decisões, o tribunal decretou a prisão de Zelaya e ordenou que as Forças Armadas o prendessem e o expulsassem do país, o que de fato ocorreu, sendo ele preso e levado ao país vizinho Costa Rica, país dirigido por esquerdistas. A reeleição presidencial é proibida pela constituição atual do país e o presidente, fã de carteirinha de Hugo Chávez, achou que poderia mudar isso no peito e na marra, como soe acontecer com a maioria dos governantes “socialistas”.

No fim da tarde, o presidente do Congresso, Roberto Micheletti foi escolhido pelos congressistas como “presidente provisório” e disse: “O que fizemos aqui é um ato democrático, de preservação da própria democracia, pois o nosso Exército só cumpriu com o seu dever de acatar o que lhe ordenara a Corte Suprema de Justiça, o Ministério Público e o Congresso, bem como em atendimento ao sentimento maior do povo hondurenho”. O Parlamento alegou que Zelaya incorreu em “reiteradas violações” da Constituição, além de outras leis e sentenças judiciais.

O analista político venezuelano Trino Márquez declarou que “é lamentável que nós, na América Latina, continuemos a resolver nossos conflitos acudindo às Forças Armadas e que os militares sigam atuando como árbitros”, o que não é verdade, pois a decisão de expulsar Zelaya não veio dos quartéis, mas do Poder Judiciário com amplo respaldo do Poder Legislativo hondurenho. Acrescentou ainda que “o ideal seria que tivesse havido uma negociação entre o Congresso e Zelaya”.  Para o analista Trino, a situação ficou complicada quando o presidente hondurenho se pôs à margem da Constituição ao insistir na consulta popular vetada pela Justiça. “Temos que lembrar que Zelaya não é um cidadão comum, mas foi designado presidente e chefe de Estado e, como tal, devia ser o primeiro hondurenho a respeitar e fazer respeitar a Carta Magna nacional”, enfatizou.

DESCULPA ESFARRAPADA DE CHÁVEZ PARA UMA POSSÍVEL INTERVENÇÃO MILITAR EM HONDURAS

Chávez “denunciou”, em um programa ao vivo na tarde de ontem, transmitido pelo canal de TV estatal TELESUR, um suposto sequestro dos embaixadores da Venezuela, Cuba e Nicarágua, em Tegucigalpa, quando, na verdade esses se encontravam reunidos com a chanceler hondurenha, Patricia Rodas.

O embaixador da Venezuela na OEA, Roy Chaderton Matos, chegou a interromper a sessão de urgência da OEA para informar sobre o “sequestro”. Chávez vociferou: “Não continuem a dar passos de besta. Até onde pode chegar isso? Se nossa embaixada e nosso embaixador foram atropelados, esta junta militar entraria em estado de guerra”. Até tarde da noite e pela madrugada, no entando, não havia qualquer confirmação deste inventado sequestro dos embaixadores, que alguns crêem se tratar de um factóide preparatório para uma possível intervenção armada da Venezuela em Honduras.

Outros governos de esquerda se manifestaram de forma mais diplomática contra a deposição de Zelaya. O parlamentar Micheletti, no entanto, deu garantias de que exigirá o devido respeito de “qualquer nação que tente se atrever a pisotear” a soberania do país. O congressista teoricamente permanecerá no poder até que sejam realizadas novas eleições, em novembro, e avisou que receberá Zelaya de volta a Honduras “de braços abertos” caso ele venha em paz e com boa-vontade de continuar servindo aos interesses da Democracia no país. “Se ele, em seu momento, desejar regressar ao país - sem o apoio do tiranete Hugo Chávez - nós vamos recebê-lo, com prazer”.

Chávez, nesmo sendo um militar de carreira, um coronel do exército venezuelano, continuou a vomitar a sua irada decepção com a deposição legal de Zelaya: “Não podemos ceder perante os ‘gorilas’. Eu os conheço. Eu os vi na Venezuela, e nós os derrotamos. Há que lhes dar uma lição. Digo aos militares que tenham sentido de pátria, que não se deixem levar por essa ação das casernas”.

Por sua vez, Bruno Rodríguez, ministro de Relações Exteriores de Cuba, não deixou por menos: “denuncio o caráter criminal e brutal desse golpe de Estado. Reitero a solidariedade de Cuba e dos países da ‘ALBA’ com o povo hondurenho que se mobiliza, resiste e luta contra o golpe”, o que é uma afirmação totalmente inverídica, pois essa “mobilização” só ocorreu por parte de uns poucos militantes de esquerda ligados a sindicatos e a partidos socialistas e comunistas, ou seja, os baderneiros de sempre.

O novo presidente socialistóide dos EUA, Barak Obama, declarou: “assim como fez a Organização de Estados Americanos (OEA) na sexta-feira, insto a todos os atores políticos e sociais a respeitarem as normas democráticas, o Estado de Direito e os princípios da Carta Democrática Interamericana” , o que, afinal de contas, não quer dizer muita coisa quando se trata de demover comunistas e “socialistas” de se manterem infieis às suas cartas magnas.

Por sua vez, a representante fascista-peronista da Argentina, Cristina Kirshner, marionete do marido, Néstor Kirchner, falou: “estou muito preocupada com a situação em Honduras. As Forças Armadas acabam de 'sequestrar' o presidente constitucional, em um fato que nos remonta à pior barbárie da historia da América Latina”. Convenientemente, ela interpreta a prisão determinada pela Suprema Corte hundurenha e com o apoio do Congresso de Honduras como um “seqüestro”, como fazem os agentes do estado argentino e como fizeram quase todos os que estão no poder, hoje, no Brasil, na década de 1960 e que acabaram provocando o patriótico movimento militar de 1964. Como os militares não implantaram no país uma “ditadura” e sim uma “ditamole” – que permitiu a debandada geral da comunistada para o exterior - acabaram por possibilitar a volta deles ao país, no final da administração Figueiredo e hoje gozando os privilégios de uma “anistia”, que só é ampla, geral e irrestrita para eles, pois tem sido patente a intenção revanchista desse bando que se apossou do país.

Entenda o caso da Reeleição proibida

O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, pretendia realizar um plebiscito que deveria servir para mudar a Constituição e permitir a sua reeleição no país. Queria ele que fosse instalada uma quarta urna, nas próximas eleições gerais de novembro de 2009, para decidir sobre a convocatória de uma Assembléia Nacional Constituinte para aprovar uma “nova Constituição”, como já virou moda entre os governos de esquerda latinoamericanos. A idéia não recebeu apoio do Congresso, nem de outras instituições do Estado, como o Tribunal Eleitoral, o Ministério Público e a Suprema Corte de Justiça. Mesmo contra decisões judiciais desautorizando a consulta, o presidente insistiu na realização do referendo, alegando ter cerca de 400 mil assinaturas de “iniciativa popular”.

O chefe do Estado Maior, Romeo Vásquez, se recusou a distribuir o material eleitoral para o plebiscito e foi destituído por Zelaya. O analista político venezuelano, Trino Márquez, citado acima, atribui o começo da crise à guinada que deu Zelaya, grande empresário do setor agropecuário que se elegeu em 2006 com uma propaganda neoliberal (enganosa, pois) e detinha a maioria no Congresso, dominado por seu Partido Liberal, quando se bandeou para o chamado “socialismo do século 21”, corrente política de inspiração comuno-fascista dominante na Venezuela, na Bolívia, no Equador, na Nicarágua e em El Salvador. Isto fez com que Zelaya perdesse a base política dentro do seu próprio partido.

A resposta brasileira

Como não podia deixar de ser, o ministro das Relações Exteriores, o ‘criptocomuna’ (nem tanto cripto assim) Celso Amorim, passou o sábado no gabinete articulando uma ofensiva diplomática vigorosa em apoio a Zelaya. O embaixador brasileiro na Costa Rica, Tadeu Valadares, foi instruído a receber Zelaya no aeroporto e expressar o firme apoio do governo Lula à sua ‘recondução ao cargo’.

O embaixador Ruy Casaes, representante do Itamaraty na OEA, recebeu orientação no sentido de mobilizar esforços para que a organização se mantenha em reunião permanente, com a esperança de ser aprovada pela OEA uma resolução condenando o ‘golpe’ e, quem sabe, intervindo no quadro hondurenho e obrigando o retorno do presidente anticonstitucional ao governo em Tegucigalpa.

Amorim se manteve em contato permanente também com Lula, com a cúpula do Foro de São Paulo (MAG et caterva), que acompanham a crise com “grande preocupação”. As articulações da esquerda brasileira se estenderam a outros governos da região afetados pela infecção socialista, no empenho de costurar (para dizer o mínimo) uma 'ampla frente' de apoio ao restabelecimento da 'ordem constitucional e democrática' no país centroamericano, a mesma ordem constitucional e democrática que Zelaya tentou, até onde pode, romper com seu desrespeito típico dos “socialistas” aos demais poders instituídos da República de Honduras.

É preciso que os brasileiros fiquem atentos e entendam as estratégias por trás disso tudo na América Central, pois é a mesma que os nossos conhecidos personagens vermelhos pretendem por em prática aqui no Brasil também.