Me digam se esse rapaz pode ter um título de eleitor... ?

Por Osmar José de Barros Ribeiro

Vivemos tempos estranhos. Se não, sem a menor intenção de esgotá-los, vejamos alguns exemplos:

- a economia mundial treme em seus alicerces, nossos indicadores econômicos não vão lá das pernas, mas nossas autoridades proclamam aos quatro ventos, com o apoio da mídia amestrada, que o pior da “marolinha” já passou e vamos voltar a crescer nos próximos meses.

- o presidente continua no seu périplo de caixeiro viajante, a “mãe do PAC” dá as ordens, os escândalos políticos pipocam a três por quatro e, salvo um ou outro descontente (afinal é muito difícil agradar a todos), a satisfação popular com “o cara” e com o seu governo, alcança níveis extraordinários;

- nossa taxa anual de homicídios por 100 mil habitantes (25,7) é indecente, sinal de que a violência, de mãos dadas com a impunidade e com o crescimento exponencial do consumo de drogas, campeia à solta.

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Os modelos de conduta dos nossos homens (e mulheres) públicos, mostrados a todos, são de fazer corar um frade de pedra: a impunidade e o apoio que altas autoridades dão a corruptos situados em posições de relevo, em nome de uma pretensa governabilidade, embaralham e escondem as mais elementares e comezinhas noções do que seja certo ou errado. Não se leva às barras dos tribunais os responsáveis por crimes de morte praticados para salvaguardar o prestígio de líderes partidários, da mesma forma que se posterga a apuração de escândalos notórios quais sejam, sem querer esgotá-los, o célebre “mensalão”, os “aloprados” ligados ao partido do presidente, a máfia dos sanguessugas, os dólares viajando em cuecas, as contas secretas no exterior e por aí vai.

Ao mesmo tempo, ONGs internacionais, coadjuvadas por maus brasileiros, ditam os rumos da política indigenista, busca-se a implantação de cotas raciais para a admissão ao ensino superior, prega-se deslavadamente a luta de classes e o ecologismo radical ganha foros de verdade incontestável, tudo em nome do discurso “politicamente correto” que nada mais é que uma sucessão de êxitos do gramscismo e dos seus “apóstolos” (todos eles encastelados em cátedras universitárias ou em altos cargos governamentais) na sua luta para subverter a sociedade.

E não se diga que a doença ainda não foi diagnosticada. Gaudêncio Torquato, jornalista e professor universitário além de consultor político e de comunicação, foi um dos muitos que o fez, ao assinalar em seu artigo “A menor nódoa destrói a maior alvura” (O Estado de S. Paulo, 21/06/2009):

Descerrando a placa na parede dos sistemas ocidentais, lêem-se as promessas não cumpridas pela democracia, tão enfatizadas por Norberto Bobbio: a educação para a cidadania deixa a desejar, o acesso de todos à Justiça é uma quimera, o combate ao poder invisível pelo Estado é uma frustração. O acervo de problemas encontra terreno fértil para se expandir em países como o Brasil. Por aqui, a semente da contaminação tem o nome de patrimonialismo, a apropriação da coisa pública por entes privados. O bicho tem se propagado entre nós de maneira geométrica porque o País virou, sob o mando lulista, um gigantesco balcão eleitoral.

Tanto é verdadeiro o diagnóstico acima que, se no horizonte da administração pública surge um escândalo capaz de deixar nódoas nas imaculadas vestes do “partido da ética”, algumas das incontáveis mazelas do Poder Legislativo são logo trombeteadas. O objetivo do atual clima de “salve-se quem puder” instalado no Senado é meridianamente claro: para retardar ou mesmo impedir a instalação da CPI da Petrobras, nada melhor que mostrar ser aquele um lugar onde, com as exceções de praxe, não se pode falar em espírito público, em conduta ilibada, etc. Resolvido o problema pela sábia intervenção presidencial, tudo deverá correr segundo os desejos do Palácio do Planalto: não há nada a apurar. Afinal, como bem assinala a sabedoria popular, “uma mão lava a outra e as duas lavam o rosto”.

Como chegamos a esse ponto? As respostas, ninguém as tem com absoluto grau de certeza, mas, talvez, elas possam ser encontradas na necessidade de desmontar as estruturas sociais existentes para reconstruí-las de conformidade com o pensamento gramscista. A experiência de Chávez na Venezuela, apontada como exemplo de democracia pelo atual presidente brasileiro, ambos fervorosos admiradores do regime cubano, bem pode ser o caminho para isso .

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