Por Ilimar Franco - O globo
Os partidos silenciaram diante da proposta do primeiro secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEMPI), de “renúncia coletiva” de toda a Mesa. A renúncia provocaria nova eleição. O DEM quer que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), se licencie. O PSDB quer o mesmo, já que a oposição passaria a dirigir as votações em plenário. O PMDB saiu em defesa do presidente Sarney, e o bravo PT se escondeu.
“Aplicar um golpe na atual Mesa, jamais aceitaria.
Em nome da unidade, convença a renúncia coletiva de todos. Intervenção, não!” — Heráclito Fortes, primeiro secretário do Senado (DEM-PI), reagindo à proposta de criar uma comissão de senadores para reformar a Casa

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Os partidos se dividem sobre Sarney

Na crise por que passa o Senado, a posição dos partidos não é unânime. No PSDB, Papaléo Paes (AP) e Eduardo Azeredo (MG) ficaram contra o pedido de licença do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AL). Marconi Perillo (GO), vice-presidente da Casa, bateu boca com o presidente do partido, Sérgio Guerra (PE). No PT, há cinco senadores contra Sarney. No PSB, Renato Casagrande (ES) quer o afastamento de Sarney, enquanto Antonio Carlos Valadares (SE) é contra. No DEM, Heráclito Fortes (PI), ACM Júnior (BA) e Elizeu Resende (MG) foram contra o pedido de licença. Os governistas Marcelo Crivella (PRB-RJ) e Francisco Dornelles (PP-RJ) continuam ao lado de Sarney.

PEREGRINAÇÃO. Um dia depois de ser indicado pelo presidente Lula para o cargo de procurador-geral da República, Roberto Gurgel fez uma peregrinação pelo Senado, onde será sabatinado e precisa ter seu nome aprovado em votação secreta. Entre os gabinetes visitados por ele estão os dos senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) — que apoiava o segundo da lista, Wagner Gonçalves — e Romeu Tuma (PTB-SP), com ele na foto.

Contrabando Sem que se conheça qualquer caso de fraude eleitoral, a proposta de mudança da lei eleitoral em debate na Câmara reintroduz o voto impresso.

Mas apenas 2% desses votos, por sorteio, seriam apurados para fins de auditoria

O povo fala Resultado de pesquisa telefônica feita pelo Senado, entre 3 e 19 de junho: 89% a favor de uma reforma administrativa, 88% por um corte de 10% nas despesas, 86% pela limitação do uso de passagens aéreas e 84% pela redução de diretores.

Comissão aprova jornada de 40 horas A emenda constitucional dos senadores Paulo Paim (PTRS) e Inácio Arruda (PCdoB-CE) que institui a jornada semanal de 40 horas foi aprovada por comissão especial na Câmara. O líder do PT, Cândido Vaccarezza (PT-SP), informou que seu partido votará a favor em plenário. As entidades empresariais pretendem barrar a mudança no Senado, pois foram informadas que o presidente Lula não tem intenção de vetar a emenda.

Orçamento: rebelião na base aliada

Os partidos governistas, na Câmara, estão em pé de guerra com o Planalto. O Ministério das Relações Institucionais havia prometido liberar R$ 1 bilhão em emendas parlamentares até maio. O Congresso está entrando em recesso, e nada. Ontem, o líder do PMDB, Henrique Alves (RN), protestou junto a Marcos Lima: “Isso é inaceitável, é um desrespeito.

Vou reunir a bancada amanhã (hoje). A situação é grave, e tenho certeza que o Lula não sabe desse caos”.

SENADORES em pânico. O líder tucano Arthur Virgílio (PSDB-AM) não foi o único a recorrer aos cofres do Senado para resolver problemas de saldo bancário.

A HISTÓRIA SE REPETE. Foi um escândalo em 1993, quando foi descoberto um “fundo reservado” da Câmara. O dinheiro era usado para resolver os problemas de saldo bancário dos deputados.

A LÍDER do governo no Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), está cobrando do ministro Guido Mantega (Fazenda) desoneração tributária para os produtos da linha marrom (móveis).

ILIMAR FRANCO com Fernanda Krakovics, sucursais e correspondentes

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