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Categoria: Diversos
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 Por Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), apresentou nesta segunda-feira uma denúncia contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e pediu abertura de investigação contra ele no Conselho de Ética da Casa. Virgílio requisita que o peemedebista seja investigado pela edição de atos secretos com a nomeação de parentes do presidente do Senado para diversos cargos na Casa e pelos empréstimos consignados fechados pelo Senado com a empresa de seu neto.

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O tucano espera que hoje, após a reunião da bancada, o PSDB opte por endossar a denúncia contra Sarney e apresente uma representação contra o peemedebista. As bancadas do PT e DEM também devem se reunir hoje para fechar um posicionamento sobre a permanência de Sarney no cargo.

Para entregar a representação, Virgílio precisa do aval do partido, mas o presidente da legenda, Sérgio Guerra (PE), ainda estava viajando nesta segunda-feira. Outra diferença é que a denúncia pode não ser acolhida pelo Conselho de Ética, enquanto a representação obriga o conselho a abrir processo e analisar o caso.

Segundo Virgílio, o Senado não pode se calar diante das denúncias que surgem contra o presidente da instituição. Virgílio lembrou as denúncias de que Sarney foi envolvido na nomeação secreta de pelo menos nove familiares, recebeu indevidamente auxilio moradia de R$ 3.800 e ainda utilizou seguranças do Senado para fazer a vigilância de sua residência no Maranhão.

Para o líder tucano, a descoberta de que o esquema de empréstimo consignado para servidores do Senado inclui entre seus operadores, José Adriano Sarney, neto do peemedebista, mostra que a situação de Sarney é insustentável.

– São fatos que precisam ser esclarecidos. No caso dos empréstimos consignados, a Polícia já identificou que houve desvio na gestão do Zoghbi (João Carlos Zoghbi, ex-diretor de Recursos Humanos). O Senado e a sociedade esperam uma resposta – disse o líder tucano.

Na tribuna do Senado, Virgílio subiu o tom do discurso e responsabilizou Sarney e seus aliados pela divulgação de que teria recebido um empréstimo do ex-diretor-geral Agaciel Maia, teria mantido funcionário fantasma em seu gabinete e ultrapassado limites com gastos de saúde. Virgílio classificou as denúncias como “sarneianas” e “agaceianas” para calar quem pressiona pelo afastamento do peemedebista.

O tucano ressaltou que as informações contra ele foram divulgadas após uma reunião de Sarney com o líder do PMDB, Renan Calheiros (PMDB-AL), e com o vice-líder do governo no Senado, Gim Argello (PTB-DF).

– Essa informação foi resultado de uma reunião sua (Gim), do Renan Calheiros e do presidente Sarney. Uma tática que visaria calar não um dos que estavam falando, mas o primeiro que não silenciou e nem silenciará. O presidente Sarney não tem mais condição moral de permanecer à frente desta casa – disparou o tucano.

Virgílio explicou as denúncias contra ele. O tucano disse que pediu que o subchefe de seu gabinete, Carlos Homero Vieira Nina, tentasse resolver o problema de seu cartão porque era casado com uma alta funcionária do Banco do Brasil. Segundo Virgílo, partiu de Vieira Nina a iniciativa de procurar Agaciel. Virgílio sustentou ainda que o dinheiro foi ressarcido.

– Se eu quisesse um empréstimo teria ligado para algum amigo rico. Não ligaria para amigo pobre. Procurei o Nina porque ele é marido de uma ex-funcionária do alto escalão do Banco do Brasil. Foi decisão dele procurar o Agaciel que o considerava um amigo – afirmou.

Carta


Na tentativa de evitar que novos pedidos de afastamentos se repitam na tribuna do Senado, Sarney encaminhou no fim de semana uma carta aos 80 colegas se defendendo das denúncias de que seu neto teria sido favorecido em negociações com a instituição e requisitando à Polícia Federal que investigue todos os empréstimos consignados na Casa e as empresas que têm operações na área. Sarney reconhece que uma empresa de José Adriano Sarney intermediava empréstimos consignados para servidores da Casa, mas afirma que não interferiu nos negócios do neto.

“Nenhuma ligação pode ser feita entre a minha presidência e o fato objeto da reportagem”, afirma Sarney no documento.