Por Klécio Santos
Mangabeira Unger aterrissou no governo Lula provocando barulho. Agora, retorna para Harvard num silêncio sepulcral. Dois anos depois de ser ungido para pensar o Brasil de 2022, não conseguiu encontrar interlocutores dispostos a lhe ouvir. Foi tratado como um personagem folclórico. Em algumas reuniões interministeriais, palestrava em inglês, incomodando a plateia.

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Por essas e outras, ninguém no governo o levou a sério. Para atender a um pedido do vice José Alencar e do PRB, partido ligado à Igreja Universal, Lula teve de engolir alguns insultos do passado. À época do mensalão, se tornou célebre a frase de Mangabeira que classificou o governo petista de “o mais corrupto da história nacional”.

Mas tanto Lula quanto Mangabeira trataram de minimizar as declarações. A inclusão do antigo crítico na Esplanada custou caro a Lula: a perda da ministra Marina Silva, uma legenda mundial na defesa do ambiente. Quando Lula entregou o Plano Nacional da Amazônia Sustentável ao novo aliado, Marina se sentiu desprestigiada. Já descontente no governo, decidiu voltar ao Senado. Sua despedida foi antológica: “perco o pescoço, mas não perco o juízo”, decretou.

Antes de sair, Mangabeira reuniu em Tocantins os governadores da Amazônia. Foi a última reunião de um ministro que tinha a espinhosa tarefa de pensar o futuro, em um Brasil de tantos problemas no presente. Sua saída não chega a ser surpreendente. E pode dar curso a uma reforma

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