Por Marcelo Rech

Há anos convivemos com um Congresso Nacional ineficiente, divorciado das necessidades e expectativas da sociedade, mas as últimas denúncias o colocam definitivamente na lama. O problema é que os senhores parlamentares não se preocupam com isso.

Estão se lixando! E não é de hoje. Na prática, sempre foi assim. O Congresso Nacional sempre foi um clube onde 594 caras dão as cartas de acordo com seus interesses.

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Lamentavelmente, por conta desses interesses, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz a defesa contundente e enérgica de sujeitos que se perpetuam no poder e fazem dele, seus feudos.

A Câmara dos Deputados e o Senado Federal espelham o que ocorrem nos Três Poderes, nas três esferas – federal, estadual e municipal.

O princípio da moralidade e da ética deixa de ser obrigação daqueles que parecem ter direitos adquiridos por se dedicarem à vida pública.

O que deram ao país? No que o país os transformou? Como saíram do nada e hoje acumulam patrimônios incalculáveis?

Para o presidente da República, um ex-retirante, oriundo de uma família sofrida e vítima de um país injusto, não se pode questionar um senador que tantos serviços prestou ao país.

Seria melhor se tivesse nos dado um chute no baço!

No Brasil é assim.

O cara tem milhares de parentes recebendo sem trabalhar, pagos pelo mesmo dinheiro que falta para a saúde, o transporte, a educação, e o culpado disso é quem critica, denuncia, fiscaliza.

Quando o presidente do Senado diz que a crise não é dele, tem toda razão. A crise é do país. É o país que paga pela cafajestagem.

Tem mais razão ainda quando dá de ombros para a opinião pública.

Quantas manifestações saíram às ruas cobrando vergonha na cara dos políticos? Quantos senadores e deputados foram constrangidos nos aeroportos onde embarcam com bilhetes pagos por nós?

Pelo contrário.

Quando o senhor Roberto Jefférson, então deputado federal e ainda presidente do PTB, partido que pertence a coalização governista, denunciou o mensalão, foi aplaudido, homenageado, tratado como um herói.

Ele que afirmou em comissão do Congresso ter recebido R$ 4 milhões do PT.

Perdeu o mandato, mas não o dinheiro e nunca foi incomodado pela Justiça.

Onde estão as centrais sindicais, os caras-pintadas, os movimentos sociais indignados?

Nada. Ruas vazias. Os políticos mantém suas rotinas.

Afinal, estamos num regime democrático.

Uma democracia que não permite, por exemplo, ignorar as eleições dessas sanguessugas.

Uma democracia que me obriga a votar mesmo não tendo expectativa, candidato, razão, motivo, justificativa.

Uma democracia que aceita a corrupção e o descalabro.

Uma democracia conveniente.

 

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais e Estratégias e Políticas de Defesa. Correio eletrônico: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..


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Fonte: www.inforel.org

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