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Mourão diz que “eventuais erros” do governo não podem ser debitados na conta das Forças Armadas
Posted on 16 de fevereiro de 2020, 08:40 by Tribuna da Internet
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Mourão ratificou que Forças Armadas estão “do lado de fora”Pedro Henrique Gomes-  G1

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse na última sexta-feira, dia 14, em entrevista à Rádio Gaúcha, que eventuais erros e acertos do governo “não podem ser debitados” na conta das Forças Armadas.

Ele deu a declaração ao ser questionado sobre a nomeação de mais um militar para chefiar um ministério, o general Braga Netto, novo ministro da Casa Civil. Com isso, todos os ministros que têm gabinete no Palácio do Planalto são militares. O próprio Mourão e também o presidente Jair Bolsonaro são militares da reserva.

ENTIDADES DIFERENTES – Mourão afirmou que a gestão do presidente tem a preocupação, desde o início, de deixar claro que as Forças Armadas e o governo são entidades diferentes.

“Essa é uma preocupação que a gente tem desde o começo do nosso governo. A gente tem que deixar claro que as Forças Armadas continuam do lado de fora, apesar de nós termos a presença de elementos do meio militar. Mas as Forças Armadas estão fora na mão dos seus comandantes. E isso a gente tem que deixar muito claro o tempo todo porque eventuais erros e acertos do nosso governo não pode ser debitados na conta delas”, disse o vice-presidente.

AGILIDADE – Na última quinta-feira, dia 13, Bolsonaro anunciou que Braga Netto assumiria no lugar de Onyx Lorenzoni, que foi para o Ministério do Desenvolvimento Regional. De acordo com o Mourão, o presidente entendeu que as trocas vão dar mais “agilidade” e “capacidade de negociação” nas conversas do governo com o Congresso.

O vice-presidente afirmou que o Executivo entregou “muita coisa” para ser votada no parlamento, porém recebeu pouca de volta. “As mudanças que o presidente Bolsonaro promoveu são mudanças que considerou necessárias no sentido de dar mais agilidade, mais capacidade de negociação. Digamos também que ele julgou que a articulação política não andou da forma necessária. Nós entregamos muita coisa para o Parlamento e recebemos muito pouca coisa de volta. Apesar do parlamento ter aprovado a reforma da previdência, que foi uma coisa extraordinária e ser um parlamento reformista”, disse Mourão.

DEMARCAÇÕES – O vice-presidente, que assumiu a presidência do Conselho Nacional da Amazônia Legal na última terça-feira, dia 11, afirmou que as demarcações de terra indígenas foram “excessivas” no que diz respeito ao tamanho das áreas.

“O conhecimento de ter vivido na Amazônia e de ser filho de amazonense também, é em primeiro lugar, essa é a minha opinião, e do governo também, de que as terras foram demarcadas de forma excessiva em tamanho para cada uma delas e o grupo que ela engloba. Se você olhar o mapa, verá terras enormes”, analisa Mourão.

Entretanto, Mourão acredita que diminuir o tamanho das terras indígenas, possibilidade já levantada pelo presidente Bolsonaro, não é possível. “Isso não se pode mudar mais. Temos que entender que isso é dado do problema, faz parte da questão”, disse.

“DIGNIDADE” – O vice-presidente também foi questionado sobre o impacto que o projeto de regulamentação da exploração econômica das terras indígenas que o governo federal enviou ao Congresso Nacional teria nas comunidades indígenas. Mourão disse que que o governo quer oferecer “dignidade” para o indígena que quiser montar um negócio no seu território.

“Tem que haver alguma legislação para que o indígena tenha dignidade. Muitas terras podem ser exploradas, e os índios lá estão morrendo de fome, vivendo do Bolsa Família. Essa é a questão que o presidente coloca”, defende Mourão.

CRITÉRIO – O vice também foi questionado sobre o critério para a retirada dos governadores do Conselho da Amazônia. Mourão afirma que o objetivo do conselho é coordenar as ações dos ministérios voltadas para a Amazônia, e é, portanto, uma questão federal. Ele diz que vai ouvir os governantes locais para tomar as decisões.

“É algo de nível federal. Não estamos intervindo nos estados. Isso não significa que as administrações estaduais e municipais estão excluídas. Muito pelo contrário. Eu vou ir em cada estado, já fui em Roraima e na segunda irei ao Amazonas, para ouvir os governadores. Que eles me apresentem as formas como eles enxergam os problemas, como eles acham que podemos resolver e quais as demandas principais para que a gente possa alinhas as políticas do governo”, declarou.

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