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Categoria: Política interna
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Câmara dos Deputados gasta um terço das sessões com homenagens e celebrações
Por RICARDO CORRÊA - 08/01/20
Enquanto o Brasil espera mudanças que possam aplacar o cenário de crise, o aumento da miséria e os enormes entraves ao desenvolvimento, a Câmara dos Deputados gastou um terço de suas horas de trabalho com sessões solenes, ou seja, reuniões para homenagens ou celebrações e não para o debate concreto dos problemas do país.
Enquanto cerca de 400, das 1.239 horas foram usadas para firulas, ficamos sem tempo - afinal exige-se prioridade - sequer para o envio de propostas como as reformas administrativa e tributária e a análise da autorização para a prisão em segunda instância.

O pior é constatar que há uma clara tendência de crescimento do tempo desperdiçado. As sessões solenes, que ocupavam 13% das horas trabalhadas em plenário, foram aos poucos tendo mais espaço, gradualmente. Em 2017, já ocupavam 16% do tempo. Um ano depois, 22%, até chegar aos 27% do ano passado.


Tudo isso, claro, custa muito caro. Afinal, pagamos, além dos 53 parlamentares, 9.989 secretários parlamentares que atuam na Casa. Investimos R$ 548 mil em verba de gabinete e pagamos o pomposo salário de mais de R$ 33 mil para cada parlamentar.

É mais curioso perceber que em meio a tanto debate, a Casa praticamente aprova tudo o que chega até o plenário. Durante todo o ano de 2019, de 116 propostas colocadas em votação no plenário, apenas duas foram rejeitadas. Afinal, há sempre acordos para só colocar em votação aquilo que tem razoável chance de passar.
Nos bastidores, os deputados são mais próximos do que as pessoas imaginam. A guerra que se replica nas redes sociais costuma fica apenas nos microfones, atrasando o futuro que o Brasil precisa.