Por Carlos Ilich Santos Azambuja - Historiador, Fundador do FDR - http://www.faroldademocracia.org/

Os jornais de 28 de fevereiro de 2009 anunciaram que a Comissão de Anistia indenizou ontem 16 estudantes e funcionários de Universidades expulsos durante a ditadura militar. As reparações somam cerca de 2.879 milhões. Em 2004, 25 anos depois de aprovada a Anistia, só em atrasados, por conta da Anistia aos presos, banidos e perseguidos políticos, as indenizações alcançam a cifra de 1,44 bilhão nos 5.540 processos já aprovados pela Comissão de Anistia, que continua trabalhando a todo o vapor. Até no carnaval...

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O historiador Daniel Aarão Reis Filho da UFF recebeu uma indenização de R$ 800.391,35 por ter sido expulso da Faculdade de Direito da UFRJ e, banido do país, perdeu seu cargo no TST.

Não é verdade. A verdade é que, a partir do seqüestro do embaixador dos EUA no Brasil, que deu à luz o MR8, organização à qual Daniel Aarão Reis pertencia, ele optou por entrar na clandestinidade participando de várias ações armadas, entre as quais o roubo de armamento do sentinela do Hospital Central de Aeronáutica, deixando evidentemente de comparecer à Faculdade e ao trabalho no TST.

Em 1970, foi preso e banido do país, para a Argélia, em troca da liberdade do embaixador da então Alemanha Ocidental, seqüestrado por um grupo da Ação Libertadora Nacional e pela Vanguarda Popular Revolucionária. Por ocasião de sua prisão, um fato inusitado: foi apreendido entre seus pertences um croquis de um apartamento na rua Souza Lima, no Flamengo, RJ, apartamento onde residia seu tio Almirante de Esquadra Levi Pena Aarão Reis, então Chefe do Estado-Maior da Armada.

No exterior, em 70/71, recebeu treinamento de guerrilha em Cuba, sob o codinome de “Faustino”. Quando da deposição de Salvador Allende, no Chile, em setembro de 1973, foram apreendidos com brasileiros detidos, papéis que davam conta de uma viagem sua à Coréia do Norte, com um grupo de companheiros.

Hoje, Daniel Aarão Reis Filho é professor de História Contemporânea na UFF e autor das seguintes análises sobre o movimento em que se envolveu nos anos 60 e 70 do século passado: "As esquerdas radicais se lançaram na luta contra a ditadura, não porque a gente queria uma democracia, mas para instaurar o socialismo no país por meio de uma ditadura revolucionária, como existia na China e em Cuba. Mas, evidentemente, elas falavam em resistência, palavra muito mais simpática, mobilizadora, aglutinadora. Isso é um ensinamento que vem dos clássicos sobre a guerra. (...) Falava-se em cortar cabeças, essas palavras não eram metáforas. Se as esquerdas tomassem o poder, haveria, provavelmente, a resistência das direitas e poderia acontecer um confronto de grandes proporções no Brasil. Pior, haveria o que há sempre nesses processos e no coroamento deles: fuzilamento e cabeças cortadas” (O Globo, 29 de março de 2004).

“Assim, antes da radicalização da ditadura, em 1968, e antes mesmo de sua própria instauração, em 1964, estava no ar um projeto revolucionário ofensivo. Os dissidentes se estilhaçariam em torno de encaminhamentos concretos (...). Aprisionados por seus mitos, que não autorizavam recuos, insensíveis aos humores e pendores de um povo que autoritariamente julgavam representar, empolgados por um apocalipse que não existia senão em suas mentes, julgavam-se numa revolução que não vinha, que, afinal, não veio, e que não viria mesmo” (artigo “Esse Imprevisível Passado”, na revista Teoria e Debate” de jul;ago;set de 1995, editada pelo PT).
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