Atas de reuniões históricas tiveram trechos censurados por 'diplomacia'
Bernardo Mello Franco - O globo
BRASÍLIA. Quase 24 anos após a redemocratização no país, o governo anunciou a abertura das atas de reuniões do extinto Conselho de Segurança Nacional, entre 1935 e 1988. Os documentos registram debates em que presidentes e ministros discutiram temas históricos como a edição de atos institucionais na ditadura militar e a entrada do Brasil na Segunda Guerra. O material, no entanto, não será divulgado na íntegra: 413 linhas foram censuradas e receberão tarjas negras antes de serem expostas a pesquisadores no Arquivo Nacional.

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Ao justificar os cortes, o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, alegou que alguns trechos continham ofensas a países estrangeiros e poderiam abrir crises diplomáticas. Ele contou que o material incluía insultos contra políticos, chefes de Estado e nações vizinhas:

- Os povos, de maneira geral, são muito emocionais. Poderíamos ter constrangimentos com países vizinhos por causa de declarações feitas nos anos 30. Seria uma grosseria deixar essas coisas transparecerem.

Os cortes foram definidos pela Comissão de Averiguação e Análise de Informações Sigilosas, coordenada pela chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Félix disse que não haverá tarjas sobre nomes e que nada de relevante será segredo:

- São 400 e poucas linhas em milhares de páginas.

As atas foram entregues em solenidade no subsolo do Palácio do Planalto. Guardião dos arquivos desde 2003, Félix fez um discurso emocionado:

- São uma fascinante mescla de verdades e silêncios.

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