Pelo menos 10 bandidos invadem a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), na Grande São Paulo, levam 20 fuzis e 70 mil projéteis e fogem
Por José Dacauaziliquá e Josmar Jozino - O Estado de São Paulo

Uma quadrilha formada por pelo menos dez criminosos invadiu ontem à noite o Centro Tático de Treinamento (CTT), integrante da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), fabricante de armas de alta potência para treinamento de tiro, em Ribeirão Pires, na Grande São Paulo. O bando ficou três dias num terreno perto esperando o momento de invadir o local. Os bandidos portavam pistolas e entraram na empresa pelos fundos do terreno onde também fica o prédio principal da CBC. Segundo a Polícia Militar, foram levados pelos menos 20 fuzis e 70 mil projéteis.

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Há suspeitas de que os criminosos sejam integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). "Não chegaram a entrar na CBC. Ainda não temos o levantamento do que foi roubado. Mas posso garantir que os ladrões levaram armas de alta potência, como fuzis, para treinamento de tiro", afirmou o delegado-seccional de Santo André, Luiz Carlos do Santos, que também responde por Ribeirão Pires.

Eram 20 horas quando parte da quadrilha entrou pelo matagal e dominou o único vigia do CTT, cujo nome não foi divulgado. Ele teve os pés e mãos amarrados com cordas e foi trancado numa sala durante uma hora e 35 minutos. Os criminosos foram às prateleiras e recolheram todo o armamento e a munição. Sabe-se que a quadrilha utilizou pelo menos uma Fiorino branca na fuga, por volta das 21h30.

Uma testemunha avisou a Polícia Militar. Os policiais foram até a empresa e libertaram o refém. Segundo a polícia, os ladrões tinham um alvo concreto: levaram armamento pesado, normalmente utilizado para os treinamentos de elite das Polícias Civil, Militar e Federal, além do Exército.

O helicóptero Águia da PM foi acionado para as buscas. Até o fim da noite, havia informações desencontradas sobre perseguições e tiroteios na região.

Única fábrica de munições do Brasil, a CBC vende 50% da produção para o exterior. Mas a quantidade exata de mercadoria produzida é sigilosa. Em 2002, 230 mil cápsulas de munição da companhia foram roubadas quando eram levadas para Belo Horizonte e posteriormente recuperadas pela Divisão Antissequestro.

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