General da Reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva
O título, relembro, remete ao livro da historiadora Barbara Tuchman, escrito na década de 1980, pois insensata é a política governamental naquela região desde os anos 1990.
Fronteiras físicas envolvem o espaço interno de defesa da soberania, integridade territorial e patrimônio – três interesses vitais de uma nação. São estabelecidas por tratados internacionais e sua violação afeta gravemente aos três interesses.
Porém, existem as fronteiras intangíveis, passíveis de ser violadas pela imposição ou aceitação de acordos ou tratados que limitem a soberania ou comprometam o patrimônio mesmo sem resultar em perda da integridade territorial (conforme o Embaixador Camilo Côrtes). A assinatura do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (1998) e o voto favorável à Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas (DUDPI - ONU/2007) foram medidas injustificáveis de governos socialistas sem compromisso com o futuro do País. As ameaças transitaram por fronteiras intangíveis e os governos, dobrando-se a pressões políticas, econômicas e psicossociais, cederam voluntariamente parcelas de soberania e liberdade para explorar o próprio patrimônio. Nunca houve ameaça militar, assim, as Forças Armadas (FA) ficaram de mãos atadas.


O futuro não se adivinha, mas pode ser prospectado com algum nível de acerto. Após a queda da União Soviética, os conflitos entre as potências globais se concentravam no Oriente Médio e na Europa Oriental (antiga “Cortina de Ferro”). Tempos depois, se estenderam à Ásia Central, África, aos Oceanos Índico e Pacífico e ao Mar da China. A globalização intensificada e assimétrica permitia visualizar que chegariam à América Latina (vide Venezuela), trazendo atores rivais e poderosos para o entorno brasileiro e o norte-americano.

O direito é filho do poder. Se um país é ingênuo a ponto de desprezar a aplicação do poder militar, mesmo de forma dissuasória, por confiar na diplomacia e no direito internacional para resolver qualquer contencioso, FA para que? Melhor transformá-las em guarda nacional, que não precisa de submarinos, fragatas, caças, defesa antiaérea, mísseis e forças blindadas. Haveria uma grande economia de recursos. Porém, o custo moral da mácula à dignidade da Pátria, pelo comprometimento da soberania e do patrimônio nacional, não sensibiliza a liderança política brasileira. Mas e os socialistas, não são nacionalistas? Diriam alguns. Negativo! Não o são de fato, pois seu nacionalismo é apenas discurso antiamericano. A mente socialista é internacionalista, como foram os governos FHC, aliado à oligarquia financeira mundial, e os petistas, lacaios do Foro de São Paulo.

A defesa, no Atlântico Sul e em outras áreas estratégicas do Brasil, não será tratada neste texto. Na Amazônia, no nível estratégico operacional, a área prioritária de defesa externa é a Calha Norte do Rio Amazonas, da sua foz (Amapá e norte do Pará) até Roraima, havendo uma área passiva entre o Amapá e Roraima. O miolo da região amazônica é, também, uma imensa área passiva praticamente inaccessível, sem objetivos estratégicos e de difícil apoio para a sobrevivência de uma força invasora.

A Faixa de Fronteiras ao sul, sudeste e noroeste da Amazônia é área secundária (Plano B), no que concerne à defesa externa. Não seria razoável uma potência global ou coalizão extra regional optar por uma ação vinda do Oceano Pacífico, dependendo do aval de países de origem ibérica, exigindo uma logística problemática, haja vista a barreira dos Andes; e chegando a áreas periféricas da Amazônia brasileira, propícias à nossa guerra de resistência. No entanto, merece atenção a entrada da Colômbia como membro especial da OTAN, ainda que não haja nenhuma via terrestre daquele país entrando no Brasil. Apenas rios bloqueáveis, incidindo em regiões passivas.

Na Calha Norte, ao contrário, os vizinhos são a França (OTAN), o Suriname e a Guiana, os dois últimos ligados e sujeitos a pressões das antigas metrópoles, hoje “otanianas”. França, Reino Unido e Holanda incentivam a desnacionalização do indígena brasileiro e a crescente autonomia do que chamam “nações indígenas”. A IV Frota e o Comando Sul dos EUA, também financiador de ONGs na Amazônia, estão na Flórida, ou seja, a região guianense é a cabeça de ponte da OTAN na Amazônia. Ela facilita as operações e a manutenção de forças agressoras e seus países teriam dificuldade em manter neutralidade diante das pressões de uma coalizão de potências. Roraima e a foz do Rio Amazonas são áreas sensíveis que, ocupadas, isolam Manaus, conferindo ao agressor uma poderosa moeda de troca para impor a soberania compartilhada na região sem a necessidade de uma ampla e custosa invasão, cujos resultados seriam altamente incertos. Arrisco considerar que seria suficiente ocupar ou bloquear apenas a foz.
Soberania compartilhada não implica a permanência do agressor no território, algo difícil pelas exigências de governança de país estrangeiro, vide ocupação no Iraque e no Afeganistão. A posse voltaria ao Brasil, mas sujeita ao cumprimento de normas estabelecidas pelo agressor, coalizão ou organismo internacional. Ao Brasil caberia o ônus de administrar, enquanto a maior parte do bônus seria destinada conforme imposições alienígenas.


Uma desmoralização inaceitável para verdadeiros patriotas. ACORDA BRASIL!
DUDPI (alguns artigos): Nas Terras Indígenas, os indígenas têm direitos como: autogoverno e livre determinação da condição política; instituições políticas e sistemas jurídicos próprios; pertencer a uma comunidade ou “nação indígena”; vetar atividades militares; recusar medidas legislativas ou administrativas do governo; e outros ---.

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