Pneumonia de Bolsonaro não é comum, mas deve evoluir bem, dizem especialistas
Médicos esperam debelar a pneumonia dentro de cinco dias
Rafael Ciscati - O Globo - 08/02/2019O quadro de pneumonia apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro , segundo especialistas consultados pelo Globo, não é comum em pacientes que passaram por cirurgias como a dele (a reversão da colostomia ). Mas, se tratado precocemente, tende a evoluir bem, apesar de estender o tempo de internação, dizem profissionais ligados às áreas de tratamento intensivo e de gastroenterologia.

Bolsonaro está no hospital Albert Einstein, na zona sul de São Paulo, desde o dia 27 de janeiro, quando foi internado para retirar a bolsa de colostomia que carregava junto ao corpo desde que sofrera um atentado à faca, durante a campanha à presidência da República. Segundo o boletim médico divulgado pelo hospital na tarde de hoje, uma tomografia de tórax constatou quadro semelhante à pneumonia. Bolsonaro, que recebe cuidados semi-intensivos, também apresentou um “episódio isolado de febre”, diz o boletim.

EXPLICAÇÃO – Segundo o médico intensivista Jorge Salluh, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, trata-se de uma complicação importante para a saúde do presidente, e que ocorre em poucos casos semelhantes ao dele: “É o tipo de complicação que ocorre de 10% a 15% das cirurgias de andar superior de abdômen. Prolonga a internação” — afirma Salluh. “Mas, se tratada precocemente, tem bons resultados clínicos”.

Segundo o Hospital Einstein, foi feito um ajuste no tipo de antibiótico usado pelo presidente. De acordo com o cirurgião Eduardo Grecco, especialista em aparelho digestivo e professor da Faculdade de Medicina do ABC, o tratamento precoce com antibióticos é o correto em situações assim, e o quadro de Bolsonaro deve evoluir bem.

De acordo com Grecco, é provável que a pneumonia do presidente tenha sido causada por uma infecção bacteriana. Ele especula que a complicação decorreu da internação prolongada e pelo longo período que Bolsonaro passou em jejum:

IMUNIDADE – “O presidente ficou muito tempo internado sem se alimentar. Uma hipótese é que tenha caído sua imunidade, e isso o deixou exposto a infecções” — explica o especialista.

O período prolongado passado no hospital aumenta as chances desse tipo de ocorrência. Nesse ambiente, o paciente pode ficar mais exposto a vírus e bactérias:

— Por isso, o desejo do médico é o de operar e, tão logo for possível, mandar para a casa — diz Grecco.

De acordo com Elaine Moreira, da Federação Brasileira de Gastroenterologia, o longo período passado em repouso e o desconforto decorrente da cirurgia abdominal também aumentam as chances de uma infecção:

DESCONFORTO – “Ainda que esteja fazendo fisioterapia, Bolsonaro passa muito tempo em repouso. E sente o desconforto decorrente da operação. Isso diminui a complacência pulmonar, a capacidade de o pulmão se expandir. E aumenta as chances de infecção” — afirma ela.

Segundo Elaine, é possível que a internação de Bolsonaro seja prolongada por pelo menos mais sete dias. É o tempo que, no geral, os médicos esperam para avaliar a evolução do tratamento com antibiótico.

Por ora, Bolsonaro mantém a dieta oral líquida, associada à nutrição intravenosa. Deve evoluir para dieta pastosa e

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