Com igualdade de tempo na TV, Bolsonaro será um arraso no segundo turno
Duarte Bertollini
Não me sinto capacitado para análises sofisticadas e nem tenho vínculos com qualquer das forças em disputa na eleição. Mas tenho a firme convicção da extensa, capilarizada e nada republicana ou mesmo perversa rede de interesses na manipulação de notícias, pesquisas e projeções que atuam fortemente para defender seus históricos interesses.Mesmo que a população tenha, (pelo menos os minimamente esclarecidos e ainda não cegos pelas fé incondicional em suas crenças) a percepção desta manipulação, o esforço, a quantidade, a diversidade e a frequência das ações são tão fortes que perdemos a capacidade de pensar e refletir.

SENÃO, VEJAMOS – Fomos bombardeados na semana passada, por todos os veículos (rádio, TV, jornal, blogs, políticos e até mesmo neste blog) sobre a derrota de Bolsonaro no segundo turno, contra qualquer candidato, mesmo que ele vença no primeiro turno, com qualquer volume de votos.

Como aceitamos esta conversa? Além da suspeita razoabilidade, o histórico de raramente o vencedor do primeiro turno não perder no segundo, não esquecemos algo muito importante?

Não vi (pode ser que alguém tenha feito, é claro) nenhuma referência a um fator absurdamente importante e que por si só pode demonstrar a torpeza destas notícias, dadas como verdadeiras.

NO HOSPITAL – Bolsonaro está na frente, sem fazer campanha, numa cama de hospital, quase sem acesso até mesmo à Internet e com mínima aparição no horário eleitoral.

Apenas em leves citações, o nome dele e sua candidatura aparecem no horário, que, segundo todos analistas e políticos, é fundamental para a popularização do candidato, suas ideias e suas possibilidades de vitória.

Pois bem, Bolsonaro estará eleito no primeiro turno ou pelo menos estará no segundo turno desta forma. Mas no segundo turno ele terá o mesmo espaço no rádio e TV do que o seu opositor.

INTERPRETAÇÃO – Então querem dizer que para todos os casos a TV é importante e fundamental, mas o candidato que ganhou no primeiro turno sem campanha na TV, terá 20 minutos por dia (um tempo de exposição quase 70 vezes maior que o do primeiro turno), perderá com isso? Quer dizer que cada vez que ele abrir a boca, perderá grande número de votos?

Apesar de toda a propaganda de terror feita pelos adversários e pela imprensa, não é isto que vai acontecer. Ele será mais conhecido, terá acesso a eleitores a que nunca chegou, poderá falar sobre problemas do cotidiano para milhões, e vai perder com isso?

Por esta lógica, devemos cancelar a propaganda eleitoral, porque ela é prejudicial aos candidatos.

POSSIBILIDADE – Não estaria aí o verdadeiro temor da candidatura Bolsonaro? No segundo turno ele terá amplo acesso ao povo (coisa que nunca teve), com a possibilidade de enfim poder demonstrar a diferença real entre ele e seus adversários?

Nós, os eleitores de Bolsonaro, também temos receios com relação a ele, mas seguramente são menos preocupantes do que as certezas que temos em relação aos outros.

Hoje, o cansaço da população seguramente também se dá pela exaustão, aversão e nojo real da constante manipulação que desde sempre sofremos.

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