O Globo
O Brasil sedia hoje e amanhã, na Costa do Sauípe, na Bahia, a maior reunião latino-americana e do Caribe já realizada. Aliás, são quatro quase simultâneas: a I Cúpula da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento; a da União de Nações Sul-Americanas (Unasul); a XXXVI do Mercosul; e a extraordinária do Grupo do Rio, que formalizará o ingresso de Cuba, com a provável presença do presidente Raúl Castro. Participarão ainda o atual presidente da Assembléia Geral das Nações Unidas, o nicaragüense Miguel D'Escoto; e o secretário-geral da OEA, o chileno José Miguel Insulza.

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O encontro, convocado pelo presidente Lula para tratar de integração e desenvolvimento, evidencia um gigantismo redundante e se realiza num momento de desagregação regional, agravado pela forte crise econômica mundial. Se o Brasil ainda tem munição para enfrentá-la, a Argentina paga o preço das políticas equivocadas do casal Kirchner; a "frente bolivariana" vê seus projetos delirantes em xeque diante do colapso dos preços do petróleo e do gás (Venezuela e Bolívia), e do calote da dívida externa (Equador), que fecha ao país mercados de crédito já minguantes em função da crise mundial.

As últimas semanas foram mais de escaramuças que de entendimento entre vários participantes do superencontro. O Brasil vive momentos de tensão com o Equador - que contesta uma dívida de US$243 milhões junto ao BNDES, e com o Paraguai, que rejeita o preço recebido pela energia de Itaipu que vende ao Brasil e também decidiu fazer uma auditoria de sua dívida externa, boa parte com o país por conta da construção da usina. Existe ainda a ameaça de o Uruguai se retirar da Unasul caso o ex-presidente argentino Néstor Kirchner seja confirmado na secretaria-geral do organismo. Os dois países vivem às turras por conta de uma fábrica de papel do lado uruguaio da fronteira, contestada pela Argentina.

O Brasil tem todas as condições para bem recepcionar tantos chefes de Estado e de governo e seus chanceleres, presidentes de bancos centrais, assessores e seguranças. Amigos à parte, não deve perder a oportunidade para reiterar sua liderança regional e a firme defesa dos interesses nacionais, que devem estar acima de eventuais simpatias ideológicas de Brasília por este ou aquele governo da região.  

 

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