Lagos conduziu um governo de "concertación". Lula tem sob si uma "coalizão". Como Dilma, Bachelet foi ministra antes de eleger-se presidente.

Michelle Bachelet foi, primeiro, ministra da Saúde de Lagos. Depois, a despeito de ser filha de um general morto nos cárceres da ditadura Pinochet, foi à pasta da Defesa.

Prevaleceu como candidata do governo à sucessão de Lagos numa prévia disputada com outra mulher: Soledad Alvear, então ministra das Relações Exteriores.

Para Lula, aliando a apregoada "competência técnica" ao sexo de Dilma, o governo levará à sucessão um nome muito competitivo.

Acha que o fato de a ministra ser mulher funcionará como diferencial positivo: "Chegou a hora de o Brasil ter uma presidenta", diz.

No momento, Lula empenha-se em convencer os partidos que o rodeiam a se unirem já no primeiro turno de 2010.

Espera dobrar as resistências até meados de 2009. Na impossiblidade de acomodar todas as legendas ao redor de Dilma, espera ter ao menos o apoio do PMDB.

Mantém a pretensão de pinçar do maior partido do consórcio governista um candidato a vice para compor a chapa com Dilma.

Depois de eleita sucessora de Ricardo Lagos, Michelle Bachelet abriu um discurso ao povo chileno assim:

"Boa noite, amigos e amigas. Quem pensaria? Quem pensaria, vinte, dez ou cinco anos atrás, que o Chile elegeria uma mulher para presidente?".

Lula sonha com o dia em que Dilma pronunciará uma frase semelhante.