Carta de uma Vítima do 27 de Novembro de 1935
“Nada aterroriza mais um comunista do que a Verdade”
Por Carlos I. S. Azambuja
O momento atual é adequado para a difusão desta Carta
Carta de uma Vítima do 27 de Novembro de 1935
Fui um soldado da minha Pátria. Fui um daqueles que dormiam o sono merecido, após a labuta diária do quartel – talvez em Natal, Recife ou Rio de Janeiro – quando fui surpreendido pela foice da Morte, traiçoeiramente manejada pelos agentes do comunismo e da esquerdização do mundo, por maus brasileiros que haviam sido ideologicamente desviados da estrada reta da honra, do dever e do patriotismo. E, ao cair do meu leito, convertido em um inesperado túmulo, minha mão, avermelhada de sangue que se esvaía dos ferimentos, ficou estampada na parede branca do alojamento, onde procurei derradeiro amparo...

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Muita água da história brasileira passou sob a ponte do tempo, de 1935 até hoje. Em meio ao vai-e-vem dos acontecimentos políticos, cabe perguntar: o que foi feito da resistência brasileira à maré montante do esquerdismo, do comunismo e de suas atuais variantes, ao pseudo-socialismo democrático ou ao progressismo católico, aos marxistas de batina que pregam a Teologia da Libertação e o homem-novo?

A interpelação é pertinente e a pergunta tem procedência face à atual situação do Brasil a partir da redemocratização de 1985. Nos idos de 1935, a ameaça esquerdista estava concentrada maciçamente nas organizações ligadas ao Partido Comunista, como a chamada Aliança Nacional Libertadora, instrumentos da União Soviética através da Terceira Internacional. Atualmente, a esquerdização tem placenta em várias matrizes no mundo inteiro. Infelizmente, todavia, isso não é facilmente visível pela maioria de nosso povo.

Não há como negar que os governos implantados pela Revolução de 1964 ofereceram um combate meramente policial à subversão, quando o verdadeiro campo de batalha é o cultural, uma vez que o comunismo é uma cultura, conforme já alertado por diversas vezes pelo professor, filósofo e jornalista Olavo de Carvalho em seus artigos. Nada se fez no campo das idéias. Esqueceu-se que a mão que maneja a bomba ou o revólver assassino é comandada por um cérebro intoxicado de idéias distorcidas e falsos valores, implantados por alguém na mente dos quadros terroristas.

A luminosa lição do poeta e liberal francês Victor Hugo foi deixada de lado: “Enquanto houver patetas que garatujem lérias, há de haver malvados que assassinem; enquanto um homem manejar com a pena as tolices frívolas, estas gerarão tolices atrozes”.

Não existe um sistema de idéias eficaz. A simples e pura negação nada constrói. Foi esse o erro fundamental do anticomunismo. Contra a tese esquerdista, negativa, deve proclamar-se a tese oposta, afirmativa, positiva. A luta deverá obedecer a uma estratégia eficiente contra o esquerdismo, o comunismo e todos os matizes de vermelho. Essa é, no entanto, uma batalha que se situa na órbita da cultura. Nesse campo nada se fez e nada se faz no Brasil, excetuando-se as elogiáveis atividades de uma minoria ativa que não se corrompeu e não se entrega.

Nossos meios de comunicação – imprensa, rádio e TV – que deveriam ser chamados de meios de desinformação, apesar de serem propriedade de empresas burguesas e capitalistas, atraídas pelo suicídio e pela autodestruição, mantiveram-se todos esses anos, e até hoje, altamente permeáveis e penetrados pela subversão das idéias e pela desinformação.

O editorial ou o artigo assinado poderão não trazer a chancela marxista, mas esta se manifesta logo ali, ao lado, no noticiário, nas reportagens, nos comentários, nos títulos, nas palavras e expressões utilizadas, nas manchetes, moldando pela manipulação ideológica subliminar a estrutura mental do homem das ruas. São vozes da desinformação planejada, manobrando o inconsciente coletivo das multidões.

Em suma, cada órgão da imprensa falada e escrita no Brasil de hoje é um híbrido monstruoso: cabeça burguesa e capitalista que não consegue – ou não deseja – controlar um corpo redatorial marxista, além da reiterada reincidência na prática desonesta da desinformação que se transformou em regra geral. Exemplo disso são os atuais editores do jornal O Globo, que cinicamente escreveram que o apoio do jornal à Revolução de 1964 foi “um erro editorial”. Ora, o apoio à Revolução foi descrito em um editorial assinado por Roberto Marinho, dono do jornal!

Ao falar em burguesia capitalista, tudo parece indicar que a brasileira já aceitou a suposta fatalidade esquerdizante, preparando-se seus integrantes para sobreviver, assim supõem equivocadamente, às custas da capacidade gerencial ou técnica e mesmo do poder econômico. Essa burguesia capitalista parece não conhecer a História! Alimentam um crocodilo na esperança de serem comidos por último! (frase de Winston Churchil).

Há capitalistas que não hesitam em investir nas esquerdas, auxiliando-as em suas empreitadas e fornecendo a corda com a qual serão enforcados. Há jovens burgueses, intelectualóides, que formam a esquerda caviar de Ipanema e alhures, sob os olhos complacentes de seus papais. A História ensina o destino desse tipo de esquerda: a guilhotina francesa de 1789, os fuzilamentos bolchevistas de 1917 ou o “paredón” de Fidel Castro e Che Guevara.
Há que falar também no teatro, no cinema, no romance e nas letras em geral, na música e nas artes plásticas, vezes sem conta transformadas em mensagens subliminares e freqüentemente contando com o apoio e subsídios oficiais do Estado. Esse mesmo Estado que almejam derrubar, ou melhor, “ultrapassar”, como dizem hoje.

As poucas e raras publicações, com minguada tiragem, que têm a coragem moral de opor-se ao caudal das esquerdas, são devoradas pelas dificuldades financeiras e a omissão de qualquer ajuda por aqueles que podem fazê-lo.
A educação nacional está traumatizada pelas sucessivas reformas que se inspiram nas esquerdas. A pedagogia da anarquia, da liberdade sem limites e sem freios para os alunos, de concessões e transigências inumeráveis constituem a atual política imposta por sucessivos ministros. Um exemplo: em agosto de 2005, os jornais noticiaram que o então ministro da Educação, um petista, militante de uma corrente radical, recorreu a Cuba para erradicar o analfabetismo no Piauí!

O resultado é que a autoridade e a hierarquia são coisas do passado na Universidade brasileira; a colegialidade abusiva corrói a instituição universitária como já corroeu a Igreja; o professorado continua a receber formação marxista; permanece o temor em encarar e resolver problemas que são arvorados em bandeiras de agitação; os regimentos acadêmicos são omissos quanto à conduta e disciplina dos alunos. O ensino da História e das Ciências Sociais são cátedras dominadas pelo marxismo barato e incompetente. Os Diretórios Estudantis e os Centros Acadêmicos foram transformados em células de AGIT-PROP - há muitos anos um feudo de partidos comunistas -, com excelentes verbas nos orçamentos universitários e viagens gratuitas em aviões da Força Aérea Brasileira. A indisciplina discente é generalizada e os poucos professores que não comungam com essa degradação são vítimas da eliminação social e do patrulhamento ideológico.

Se voltarmos as vistas para a Igreja, especialmente o clero e o episcopado ditos católicos, o quadro é demasiadamente claro e evidente para merecer maiores comentários, além da observação de que nenhuma ação eficaz parece ter sido implementada para dar fim a esse quadro.

Com a chamada democratização, em 1985, e depois com a nova Constituição, a chamada “Constituição cidadã”, as porteiras foram abertas ao que há de mais torpe e hoje a demagogia avassala o país. Não sabemos qual o nosso destino, em meio ao mar de lama que inunda o país e já penetra na rampa do Palácio do Planalto.
Do desconforto silente de minha tumba, agradeço as homenagens que meus companheiros nos prestam todos os anos, malgrado a proibição por parte do atual governo e com o silêncio dos atuais comandantes. Prefiro dizer, entretanto, que mais sensibilizaria a todos nós, vítimas de novembro de 1935, a meditação aprofundada e refletida no que acabei de escrever. Sem isso, sem a reflexão amadurecida do que expus, as homenagens tornam-se vazias e desprovidas de um sentido útil e objetivo, qual seja o da conscientização nacional de todos os brasileiros sobre o grave instante que nosso país atravessa.

Autor: UM SOLDADO DO BRASIL ASSASSINADO EM 1935

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