A estratégia definida no Foro de São Paulo, começa a ser posta em prática. O governo brasileiro faz a sua parte, de permitir e fazer cara de surpreso. O teatrinho vermelho abriu suas cortinas.

Editorial - Folha de São Paulo
Depois do Equador, o Paraguai também sinaliza que pretende rever suas dívidas contraídas com o Brasil. O presidente Fernando Lugo disse que fará "auditoria" na dívida externa do país, sem descartar a possibilidade de incluir o valor referente à usina de Itaipu.

 

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Começa, assim, a se unificar um discurso comum de nações sul-americanas contra o Brasil, tendência que foi reforçada no último dia 26, quando os países da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) defenderam o Equador em seu pleito de impugnar os "créditos lesivos".

O grupo -que inclui Venezuela, Bolívia e Cuba- não citou o Brasil, mas ficou evidente o apoio às bravatas do presidente equatoriano contra Brasília. Quito contesta o débito contraído no BNDES, garantido pelo Tesouro brasileiro, para a construção da hidrelétrica de San Francisco.

Tem alguma razão o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em atribuir os questionamentos a um "incômodo" com a nova projeção regional do país.

Foram empréstimos internacionais efetuados por bancos estatais brasileiros, em larga medida, que deram conteúdo à plataforma da integração latino-americana -o montante emprestado pelo BNDES chega a US$ 3 bilhões. Esses aportes são, também, uma conseqüência da expansão de interesses empresariais brasileiros na região.

Até certo ponto, é natural que o Brasil seja alvo de ressentimento onde a presença de empresas brasileiras começa a ser expressiva. A ascensão de um populismo nacionalista, antimercado, na vizinhança aumenta o potencial de conflito. Os líderes açulam a antipatia popular contra estrangeiros, em nações que foram, de fato, superexploradas no passado, numa associação entre capital externo e elite local.

Cabe ao governo brasileiro tentar dissuadir, no nível mais geral e com uma diplomacia atenta, esses arroubos antibrasileiros que por vezes surgem. Em casos extremos, contudo, o Itamaraty não pode prescindir de respostas duras, como o foi a retirada do embaixador de Quito.

 

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