Vladimír Petrilák e Mauro “Abranches” Kraenski produzem importante pesquisa histórica sobre influência comunista no Brasil

Por Epoch Times

A humanidade passou por muitas transformações ao longo do século XX. Algumas delas foram boas, outras, nem tanto. Entre aquelas que marcaram profundamente a época, em uma extensão ainda não possível de ser dimensionada, estão as operações de inteligência das agências de inteligência dos países comunistas.

Muitos livros já foram escritos sobre as operações da Central Intelligence Agency(CIA) durante a Guerra Fria, sejam eles estudos acadêmicos ou ficção, mas o mesmo não pode ser dito da Komitet Gosudarstvennoy Bezopasnosti (KGB) – mesmo que muitos ex-agentes dos serviços de inteligência de países comunistas tenham falado abertamente sobre as atividades realizadas por essa agência, como por exemplo Vasili Mitrokhin, Yuri Bezmenov e Ladislav Bittman, parece que suas palavras foram lançadas ao vento. É possível entender o atual momento histórico, sem entender o impacto das operações da KGB no Ocidente?

Tendo esse contexto em perspectiva, percebe-se a importância do trabalho feito por Vladimír Petrilák e Mauro “Abranches” Kraenski, pesquisadores independentes que estão se debruçando sobre os arquivos da Státní Bezpečnost(StB), estudando as operações, no Brasil, dessa antiga agência de inteligência da Tchecoslováquia.

Talvez, no futuro, com o surgimento de mais pesquisas como essa, seja respondida definitivamente a pergunta derradeira da história brasileira no século XX: a tomada de poder pelos militares em 1964 foi para frear o avanço da revolução comunista no Brasil, ou as guerrilhas comunistas que surgiram para enfrentar a ditadura militar e trazer de volta a democracia?

Enquanto esse dia não vem, aproveite a entrevista abaixo, concedida ao Epoch Times por e-mail.

Epoch Times: Quem são Vladimír Petrilák e Mauro “Abranches” Kraenski? Nos fale um pouco sobre o passado de vocês, aquilo que os capacitou e os inspirou a iniciar esse trabalho?

Mauro Kraenski: Tudo começou com um post que li em um fórum brasileiro sobre história, onde alguém escreveu que o “Massacre de Katyn”, onde milhares de poloneses foram assassinados pelos soviéticos, havia sido obra dos alemães. Claro que todo mundo sabe sobre os horríveis crimes praticados pelos alemães nazistas durante a II Guerra Mundial, mas, neste caso, alguém estava repetindo uma propaganda soviética enganosa, de mais de 70 anos. Isso me deixou intrigado e curioso em saber o que as pessoas conhecem no Brasil sobre comunismo, falsificação da História, operações de desinformação, etc.

Navegando por páginas brasileiras na Internet, atrás de informações sobre o comunismo, foi possível perceber – principalmente no que diz respeito à época dos acontecimentos relativos ao Golpe de 64 – que: enquanto havia várias menções, artigos ou até exemplos de livros publicados sobre atividades da CIA no Brasil (sem entrar aqui no âmbito do grau de veracidade de todas essas informações), por outro lado, não encontrei praticamente nada sobre as atividades da KGB ou de outros serviços de inteligência de países do antigo bloco soviético em território brasileiro.

Para ser justo, é preciso afirmar que, na época, havia encontrado apenas um professor brasileiro: Olavo de Carvalho, que vive nos Estados Unidos, e comentava sobre as atividades da KGB no Brasil. Ou seja, percebia-se claramente (principalmente porque estamos lidando com o período da “Guerra Fria”) uma certa falta de simetria na maneira de tratar sobre este assunto. Foi isso que me inspirou a iniciar uma pesquisa sobre o assunto.

Depois de consultar o Arquivo dos Serviços de Segurança (em tcheco: Archiv Bezpečnostních Složek – ABS), que faz parte do Instituto para Estudo dos Regimes Totalitários, e encontrar informações sobre atividades, no Brasil, do serviço de inteligência da polícia secreta comunista da Tchecoslováquia (Segurança Estatal – StB) e sobre brasileiros, a primeira coisa que fiz foi tentar encontrar um cidadão tcheco que estivesse disposto a colaborar com estas pesquisas. Foi só aí que conheci o colega Vladimír Petrilák. Não nos conhecíamos anteriormente. Foi através da decisão e da necessidade em realizar estas pesquisas que acabamos nos conhecendo. Claro que, além disso, existe, entre nós, uma certa afinidade de convicções no modo de ver questões relacionadas com história, comunismo, etc. Em outras palavras: podemos dizer que jogamos no mesmo time, o que não deixa de ser importante para poder realizar juntos este tipo de trabalho.

Em resumo: Vladimír Petrilák é cidadão tcheco, vivendo atualmente na Polônia. Trabalha como tradutor e como colunista, onde publicou vários textos sobre política. Mauro “Abranches” Kraenski é brasileiro, atualmente vivendo na Polônia. É tradutor e guia turístico. Já trabalhou para a televisão polonesa, pesquisando temas para a produção de programas. Tem como hobby história e pesquisa.

ET: Como foi o início da pesquisa? Vocês usaram como base o método de alguém, ou a pesquisa ao arquivo do Instituto da Memória dos Regimes Totalitários foi na tentativa e erro?

MK: Até onde sabemos, inicialmente não usamos nenhum método que conhecíamos, como base. Simplesmente fomos fazendo do nosso jeito, aquilo que era preciso fazer. Líamos artigos sobre políticos brasileiros, jornalistas, economistas, assistíamos filmes documentários sobre a época, quero dizer, sobre os anos 1950, 1960 e 1970, coletávamos nomes e depois usávamos o buscador online nas páginas do arquivo, onde escrevíamos os nomes destas pessoas, para ver se apareciam nos resultados. Foi assim que encontramos os primeiros nomes que, posteriormente, segundo os documentos, eram de brasileiros que colaboraram com a StB. Buscávamos pastas que poderiam, eventualmente, conter algo de interessante para nossas pesquisas, ou seja, informações relacionadas com o Brasil ou com brasileiros.

Com o tempo, fomos aprendendo a lidar melhor com os números de registro do Arquivo. Também, e isso foi essencial, fomos conhecendo funcionários e historiadores experientes do Instituto USTR (Instituto para Estudos dos Regimes Totalitários) que nos deram muitas dicas, conselhos e nos ajudaram muito, no que diz respeito a lidar com o tema complexo que são os documentos do Arquivo. No fim, a rotina era a de preencher e enviar formulários de pedidos para o arquivo, aguardar as respostas de que estavam disponibilizados, ir até Praga para coletar documentos, posteriormente estudá-los com calma e, a seguir, enviar novamente pedidos com os números de pastas, etc., num círculo constante.

Muitas vezes, encontrávamos, nas próprias pastas que estudávamos, informações e dicas sobre que outras pastas consultar. Às vezes funcionava como uma rede de conexões, onde uma pasta leva à outra. Seja como for, independente da experiência e conhecimento adquiridos, ou de dicas e conselhos dos profissionais, não é possível descartar totalmente o método de tentativa e erro, pois, às vezes, é necessário arriscar e pedir uma pasta que não temos certeza que conterá ou não algo importante, ou seja, dar um tiro no escuro. Como já tivemos a oportunidade de constatar, de vez em quando você acerta o alvo, outras vezes não.

Podemos afirmar que, desde o início das pesquisas até hoje, as maiores dificuldades foram tempo e recursos. É preciso lembrar que quando aqui falamos em tempo e recursos, não nos referimos somente à questão de viajar até o arquivo, para coletar documentos, mas também sobre o tempo necessário para estudar os documentos: ou você trabalha para ganhar a vida, ou faz pesquisas. Então é preciso equilibrar as coisas, para poder continuar pesquisando.

ET: Qual a importância do estudo dos arquivos da StB para o Brasil? Qual o grau de confiabilidade que vocês dão a esses dados?

MK: Quanto ao grau de confiabilidade dos dados e informações contidos nos documentos, é suficiente lembrar que estamos falando de documentos da própria StB, ou seja, da polícia secreta comunista da República Socialista da Tchecoslováquia. Mais precisamente do 1º Departamento, que é o serviço de inteligência que atuava no exterior, neste caso no Brasil. É difícil imaginar o porquê de um serviço de inteligência registrar, em seus documentos, informações, correspondências ou relatórios, se não os tratasse totalmente a sério. Em outras palavras: por que um serviço de inteligência mentiria para si mesmo?

Além disso, existem muitas informações que pudemos verificar, como por exemplo os artigos de imprensa que, no âmbito das chamadas operações ativas (em tcheco aktivní opatření – AO), foram planejados e realmente publicados em jornais da época. Também não podemos esquecer que, atualmente, os próprios tchecos (e quem teria mais autoridade senão os tchecos, para avaliar estes documentos e dados) reconhecem os documentos como autênticos e, inclusive, são suas atuais leis de verificação de antecedentes que impediram que antigos colaboradores da StB ocupassem funções públicas, baseando-se nos dados presentes nesses documentos. Sendo assim, eles levam tudo isso muito a sério. Soma-se a isso vários trabalhos históricos que confirmam a autenticidade dos documentos da StB. Estes documentos são disponibilizados por instituições estatais, criadas por lei.

Quanto à importância, para o Brasil, dos estudos dos arquivos da StB, não é nosso papel avaliar o quanto isso é importante, mas, do nosso ponto de vista, esse estudo é muito interessante como fonte complementar. É importante lembrar que o serviço de inteligência tchecoslovaco penetrou muito bem o Brasil e, por isso, o seu conhecimento sobre esse tema, que era secreto e exclusivo, não deve ser ignorado.

A StB operava com dois tipos de materiais: pastas sobre objetos e pastas pessoais. Penetrava e observava tanto objetos, como parlamento, instituições diversas, etc., quanto o ambiente de jornalistas, pessoas importantes, etc. Também conduzia o trabalho de agentes, de vários figurantes (pessoas pelas quais a StB se interessava e que, eventualmente, também podiam ser usadas de alguma maneira), de contatos legais e ilegais, etc. Sendo assim, o conhecimento registrado nestas pastas é, sem dúvida, importante e ajuda a compreender melhor aqueles tempos.

ET: Seguindo adiante, a StB instalou a sua primeira “rezidentura” em 1952 no Brasil. Como foi esse início? A StB iniciou suas atividades no Brasil por conta própria, ou era apenas a ponta de lança da KGB?

MK: O início foi difícil para a StB. O primeiro residente (nome para designar um oficial da polícia secreta do 1º Departamento, responsável pelas atividades de inteligência em países estrangeiros), que usou os codinomes “Honza” e, posteriormente, “Treml”, quando chegou ao Brasil, mal sabia o português. Ocupou oficialmente o cargo de attaché de assuntos de imprensa. Também ficou sozinho por dois anos na rezidentura (isto é, uma base da StB no exterior, que no caso do Brasil funcionava na Embaixada da República da Tchecoslováquia, no Rio de Janeiro). Mesmo que não fosse o seu objetivo principal, também tinha que realizar serviços na sua função oficial, de attaché.

Ele chegou a reclamar que o aprendizado do idioma português, que recebeu ainda na Tchecoslováquia, foi insuficiente. Reclamou também dos recursos escassos que recebia da central: insuficientes para que pudesse convidar pessoas a restaurantes, ou para mobiliar adequadamente a sua moradia e, assim, poder convidar as pessoas para que o visitassem. Tudo isso criava dificuldades para conhecer novas pessoas, desenvolver relações com as mesmas, criar amizades, etc. Isso dificultava o seu trabalho de adquirir contatos, algo fundamental no trabalho de inteligência.

Seja como for, mesmo com um início difícil, pouco a pouco o trabalho da rezidentura da StB no Brasil foi se desenvolvendo, e é preciso dizer que “Treml”, o primeiro residente, tendo permanecido no Brasil até agosto de 1955, mesmo que não tenha recrutado pessoalmente nenhum agente, preparou o terreno para a aquisição de 02 figurantes (que são pessoas pela qual a StB tem interesse), recrutados posteriormente. Além disso, foi capaz de formar as bases para que o serviço de inteligência pudesse atuar.

Não encontramos nos documentos nenhuma ordem ou instrução direta da KGB, para que a StB “abrisse” uma rezidentura no Brasil. É sabido que a StB, assim como serviços de inteligência de outros países do bloco soviético, na prática era subordinada à KGB, e muitas de suas ações faziam parte das tarefas designadas por Moscou.

Lembramos também que, enquanto o Brasil havia rompido relações diplomáticas com a URSS em 1947, a Tchecoslováquia possuía boas relações com o nosso país. Haviam também imigrantes tchecos e eslovacos, sendo que um dos mais conhecidos, o empresário Jan Antonín Bat’a, chegou a construir várias fábricas e, inclusive, quatro cidades (Batatuba é uma delas). Então… estamos falando de diplomatas, representantes comerciais, engenheiros, técnicos, etc. Isso não significa que todas essas pessoas trabalhavam para a StB, mas tudo isso criava, para os tchecos, possibilidades operacionais que os soviéticos não possuíam.

ET: O ideário contemporâneo brasileiro diz que as guerrilhas surgiram como expressão daqueles que lutavam pela democracia, dizer o contrário seria paranoia da extrema-direita. O que a pesquisa de vocês nos diz até agora: as guerrilhas surgiram para combater a ditadura, ou a ditadura surgiu porque os serviços de inteligência do Bloco Soviético tentavam, usando-se das guerrilhas, causar a guerra civil no Brasil? Era esse o objetivo da AO LUTA (AO)?

MK: Segundo os documentos, o objetivo da AO LUTA, ou Operação LUTA, que surgiu no ano de 1961 era: no caso do surgimento de uma guerra civil no Brasil, a StB a canalizaria de acordo com os interesses da esquerda.

Segundo nossas pesquisas, a StB e a KGB não apoiaram diretamente a guerrilha após a tomada pelos militares, mas sabiam muito bem que Cuba o fazia e esse país possuía o apoio ilimitado de Moscou.

Praga e Moscou apoiavam o PCB de Prestes, e o PCB, de acordo com o que nós sabemos, não aprovava a luta armada contra a ditadura. Isso não acontecia muitas vezes, mas, neste caso, a política informal de Moscou e de Praga estava de acordo com a política oficial.

ET: Em 1972, Adauto Alves dos Santos, integrante do PCB, revelou ao Jornal do Brasil o que sabia sobre as operações clandestinas do partido. Dentre outras coisas, afirmou que o partido comunista recebia financiamento da KGB, afirmação posteriormente comprovada com base nos documentos apresentados por Vladmir Bukovsky. Contudo esse fato de nossa história caiu no completo esquecimento. A pesquisa de vocês revelou algo contra Adauto Alves dos Santos, buscando desacreditá-lo? Vocês diriam que esse esquecimento se dá pelo fato da StB ter infiltrado e recrutado agentes em jornais, como o Última Hora?

MK: Não encontramos nenhuma informação nos documentos sobre alguma operação contra Adauto Alves dos Santos. A StB encerrou suas atividades ofensivas no Brasil em 1971 e, a partir daí, praticamente se ocupava somente da proteção de sua embaixada. Mas nós não sabemos o que então a KGB vinha ou não fazendo.

ET: Na visão de vocês, qual foi o grau de penetração da StB junto a partidos políticos e pessoas influentes no Brasil?

MK: Segundo nossa opinião, podemos classificar o grau de penetração da StB junto a pessoas influentes, diplomatas, funcionários com cargos importantes, jornalistas, etc. como perigoso o suficiente para ser capaz de realizar ações de política de influência ou outras, de acordo com seus objetivos.

ET: Nas informações que vocês revelaram até o momento, a StB tinha grande interesse em fomentar o sentimento pró-Cuba na América Latina. O que vocês podem nos dizer sobre as Operações LUTA realizadas no Brasil em favor de Cuba?

MK: Antes de tudo, aqui é importante lembrar que muitos documentos da StB foram destruídos, principalmente no que diz respeito às AOs. Encontramos vários nomes de AOs com números de registro relacionados com a América Latina, mas com suas pastas destruídas. Sendo assim, não se pode excluir a possibilidade de que, além da realização das AOs sobre as quais encontramos informações, também tenham sido realizadas, no Brasil, outras AOs em favor de Cuba.

Aqui vale a pena citar, principalmente, a operação DRUZBA (em tcheco DRUŽBA, que em português significa AMIZADE). Foi uma grande operação de política de influência, inspirada pelos soviéticos, onde a StB engajou não somente todas as suas rezidenturas na América Latina, mas também as de outros países. Teve também a participação de serviços de inteligência cubano e soviético. Nessa operação, a StB gastou milhões de cruzeiros e engajou vários de seus agentes e colaboradores brasileiros nesta operação.

Na sua primeira etapa, foi criada uma organização de apoio à Cuba que se chamou FNAC (Frente Nacional de Apoio à Cuba). Outra etapa foi a organização de um congresso com o objetivo de concentrar as forças pró-Cuba. Trata-se do evento que a nossa história conhece como “Congresso Continental de Solidariedade à Cuba”. Esse congresso foi proibido de ser realizado na cidade do Rio de Janeiro, pelo então governador do estado da Guanabara, Carlos Lacerda. Por isso acabou ocorrendo na cidade de Niterói, no dia 26 de março de 1963.

Também foram realizadas outras operações, como por exemplo: através de artigos na imprensa.

ET: O que vocês podem nos dizer da infiltração e do recrutamento de agentes junto a pessoas do alto escalão do governo? Como os agentes no gabinete dos ex-presidentes João Goulart, Jânio Quadros e Juscelino Kubitschek.

MK: A StB precisou de um certo tempo para poder alcançar capacidade e eficácia operacionais. Podemos afirmar que, pelos meados dos anos 1957-1958, o serviço de inteligência tchecoslovaco começou a atingir resultados satisfatórios. A partir daí, até o ano de 1964, a sua eficácia só cresceu. Sendo assim, foram capazes de chegar até os círculos dos presidentes Quadros e Goulart. Quanto aos presidentes posteriores ao ano de 1964, a StB já não teve condições de repetir os sucessos anteriores.

ET: Vocês entraram em contato com algum ex-integrante do extinto SNI, buscando confirmar alguma informação encontrada nos arquivos da StB?

MK: Tentamos encontrar diversas pessoas para tentar confirmar informações, mas não obtivemos muito êxito em conseguir fazer estes contatos. Gostaríamos de aproveitar a oportunidade desta entrevista e informar que se, por acaso, algum integrante do extinto SNI queira entrar em contato conosco, ficaríamos muito gratos, e isso seria de grande interesse para nós. O eventual contato pode ser feito através de nosso perfil no Facebook: StB no Brasil.

ET: Foi possível mensurar o volume de AOs realizadas no Brasil, no período anterior a 1964? O cenário estava favorável à StB?

MK: Nós não fizemos essa conta, mas, sem dúvida, o ambiente do período anterior a 1964 foi favorável para a execução de AOs, as quais foram realizadas em uma quantidade relativamente alta. Quanto a isso, a rezidentura da StB no Brasil se destacava entre as outras rezidenturas na América Latina (México, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Uruguai, Venezuela – situação do ano de 1963).

ET: Com o estabelecimento do regime militares em 1964, que rumo tomou a StB? Continuou seu apoio à Cuba? Intensificou as AOs para fomentar o sentimento anti-EUA? Seu trabalho foi gravemente comprometido?

MK: Aqui podemos afirmar que, segundo informações existentes nos documentos da própria StB, as condições para realizar atividades de inteligência no Brasil, após a entrada dos militares, ficaram bem mais difíceis e complicadas do que antes. Eles perderam, temporariamente, a possibilidade de se comunicar com vários de seus agentes e contatos. Com outros, a colaboração foi interrompida definitivamente. Inclusive, operações importantes em andamento foram interrompidas e prejudicadas.

O estabelecimento do regime militar paralisou totalmente a ação ofensiva da StB por vários meses. Porém não a eliminou definitivamente. A StB continuou atuando, mas o ambiente de trabalho para a StB, no Brasil, tornou-se bem mais hostil, e as coisas nunca mais foram como antes.

ET: Por fim, quero agradecer pela oportunidade dessa entrevista e encerrar com uma pergunta a qual pela resposta os nossos leitores já devem estar curiosos: vocês planejam lançar um livro sobre o trabalho que estão fazendo com os arquivos da StB? Quais são os planos?

MK: Como o material que estudamos é bem vasto e complicado, o seu esclarecimento só é possível no formato de um livro. Esse formato fornece a possibilidade de apresentar o contexto e de compreender os detalhes. Estamos trabalhando nisso e temos esperança de que surja mais de um livro.

Convidamos a todos os interessados para que visitem o nosso perfil no Facebook, onde informaremos sobre novidades.

Para acompanhar o trabalho dos pesquisadores e contribuir financeiramente com a pesquisa, acesse o website StB no Brasil.

Link para o vídeo: https://www.facebook.com/brasilstb/videos/825888200903667/

 

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