Quem desidrata quem para 2018
 
Por Felipe Moura Brasil - O Antagonista
João Doria tem hoje um potencial maior de desidratar a candidatura de Jair Bolsonaro do que Geraldo Alckmin.
A comparação do desempenho dos três, nos cenários com Lula da pesquisa DataPoder360, confirma em números a tese:
– Bolsonaro 25% x 4% Alckmin;
– Bolsonaro 18% x 12% Doria.
Alckmin, no entanto, insiste na ambição de ser o candidato do PSDB, com o discurso da experiência político-administrativa em contraponto ao novo (Doria) e ao velho deputado sem passagem pelo Executivo (Bolsonaro); e da qualidade no trato das contas públicas no estado de São Paulo em contraste com o estouro das contas federais nos governos do PT de Lula e Dilma Rousseff e do PMDB de Michel Temer.
O governador certamente crê que, em campanha, terá condições técnicas e estruturais de crescer nas pesquisas com seu desempenho em palanques e debates, embora pese contra ele a falta de empatia e carisma com o eleitorado nacional, bem como a imagem de representante tecnocrata do velho tucanato, desgastado com a opinião pública, também, em razão de citações em delações premiadas.
 
Com o nome limpo até aqui neste quesito, Doria busca nacionalizar sua presença e seu discurso – enfrentando Lula, por exemplo, de movo mais incisivo – para se descolar de Alckmin nas pesquisas e conseguir o consentimento do padrinho para a candidatura pelo partido, ou a segurança para se candidatar por outro, como o DEM.
 
Com um discurso à direta do PSDB, mas à esquerda de Bolsonaro, Doria busca preencher a lacuna de representatividade existente há décadas entre um e outro no cenário político brasileiro.
 
A parte mais engajada do eleitorado direitista de Bolsonaro repudia o prefeito de São Paulo por ser do PSDB, por ter se posicionado a favor do desarmamento da população civil e por ter declarado que votaria em Hillary Clinton nos Estados Unidos.
 
O apoio do presidente impopular Michel Temer a Doria reforça nele a imagem de novo representante do velho sistema, que já está sendo devidamente explorada por Bolsonaro e da qual o prefeito busca se livrar com o discurso da necessidade do diálogo e da conciliação.
 
Em compensação, ao contrário do velho Alckmin que vestiu jaqueta com símbolo de estatais para fugir ao rótulo de “privatista” na campanha de 2006, Doria defende a redução do tamanho do Estado por meio de privatizações e concessões que vem tentando colocar em prática como gestor da capital paulista, o que, somado a seu antipetismo, sua habilidade verbal e seu histórico menor de polêmicas, atrai a parte menos fiel do eleitorado de Bolsonaro e/ou órfã de um candidato menos esquerdista.
 
Desidratada à esquerda por Lula e fora do eixo PT-PSDB por Bolsonaro, Marina Silva, com 3%, busca em possível composição de chapa com Joaquim Barbosa sua eventual ressureição; enquanto Ciro Gomes, aos 4% como Alckmin, acredita poder vencer nos debates, de preferência herdando mais votos de Lula em caso de inelegibilidade do que Fernando Haddad, que atingiu apenas 3% no cenário sem seu padrinho.
 
Em resumo: Lula, Doria e Bolsonaro são hoje os pré-candidatos mais competitivos – e, se a Justiça falhar, terão de se unir em segundo turno, ainda que para desgosto de seus respectivos eleitores, contra o candidato condenado.
 
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