Desabafo de um Jovem Aspirante a Oficial da AMAN- Academia Militar das Agulhas Negras

ASP Inf Valdir Bastos Campêlo

 
Hoje o choro é de alegria, o soluço é de emoção; foram 5 anos da minha juventude dos quais eu abri mão para poder fazer aquilo que sempre foi meu sonho, para fazer aquilo que nasci para fazer.
Abri mão do conforto da minha casa, da companhia daqueles que mais amo e entreguei minha juventude nas mãos do meu Exército Brasileiro; não tive festas durante a semana com os amigos; não tive finais de semana em família; não tive 10 minutos a mais na cama, mas valeu muito a pena tudo isso para poder ter uma profissão que a maioria não entende, uma profissão a qual era a única que eu poderia seguir.
Minha famila por muitas vezes me questionou sobre isso dizendo:
Você vai pra lá pra que? Pra sofrer?
Eu sempre dizia a todos que não sabia, mas que iria principalmente porque era meu destino!!!!!
Após 5 anos me perguntaram:
"E o que você aprendeu depois desses 5 anos?"
E eu com muito orgulho disse: aprendi o que é fome, aprendi o que é frio, aprendi o que é dor. Descobri quanto valem exatos 5 minutos de sono e um pedaço a mais de carne, entendi que nada cai do céu a não ser chuva, que banho quente é luxo, que a coletividade não é fácil!!
Aprendi que tudo tem um preço e que normalmente as coisas não são baratas.
Aprendi o que é saudade e que ela dói.
Descobri que grandes homens também choram e que mochilas são pesadas.
Aprendi que para uma boa noite de sono não preciso de coberta nem de travesseiro.
Aprendi que eu sempre tive tudo demais.
Mesmo após dizer tudo isso ainda insistiam em me perguntar, se realmente EU achava que tudo isso valeu a pena?
E respondi........claro!
Porque também aprendi que família não é só a de sangue.
Que eu tinha irmãos que não conhecia. Que alguns eram negros, outros ruivos, índios e até estrangeiros.
Descobri que sempre tem alguém melhor do que eu em tudo, que existe um lugar em que o rico e o pobre são iguais.
Aprendi que se eu cair, alguém me levanta.
Aprendi que se eu chamar, alguém me responde.
Que se me faltar comida alguém dividirá seu alimento comigo.
Aprendi que não importa o nome que uma pessoa dá para Deus.
Que não importa de onde você veio.
Aprendi que se eu quiser eu posso, e se eu posso, eu faço.
Aprendi que o cara ao meu lado me respeita e que eu lhe devo o mesmo respeito!"
E hoje com muito orgulho posso dizer a todos que sou um SOLDADO DO EXÉRCITO BRASILEIRO!
 
 
 

Comentários  

+1 #1 Thiago 29-06-2017 11:18
Esse texto foi escrito pelo ASP Inf Valdir Bastos Campêlo

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