"Se TSE absolver Dilma e Temer, a casa cai”, diz Tasso sobre a posição do PSDB
Maria Lima, Cristiane Jungblut e Fernanda Krakovics
O Globo
O mais novo escândalo envolvendo o presidente Michel Temer admitindo uso de um jatinho de Joesley Batista para uma viagem particular com a primeira dama Marcela Temer, pode ser o ingrediente que faltava para o rompimento do PSDB com o governo. A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que seria o gatilho para um eventual desembarque, acabou provocando o adiamento da reunião da Executiva desta quinta-feira para a próxima segunda-feira . Mas o episódio do avião pode acabar com a resistência de senadores e ministros a pressão de deputados para o rompimento já.
Diante da indefinição do PSDB e do agravamento da situação do governo, cresce entre os deputados um movimento para que alguns saiam da legenda.

 

DATA-LIMITE – “A cada dia é um fato novo, não vai parar de ter fato novo nunca. Isso vai mudando a cabeça dos senadores. Segunda-feira é o limite do PSDB” — disse o presidente interino, Tasso Jereissatti (CE), depois de uma manhã e tarde tomada por reuniões com deputados e senadores em seu gabinete.
 
A reunião da Executiva , segunda-feira, será ampliada, com a participação de todos os governadores, deputados, senadores, ministros e presidentes de diretórios estaduais.
— Daqui para lá pode ter coisa nova. Estou preocupado com esse novo roteiro do TSE. Se absolver Temer e Dilma a casa cai — disse Tasso.


UM CALDEIRÃO – O senador explicou que há um caldeirão no partido, que tem de tudo, e que a preocupação é que o PSDB saia coeso dessa situação, por isso era preciso aguardar a decisão do TSE. “Não precisamos de cargos ou ministérios para continuar apoiando as reformas” — disse Tasso.

Durante almoço no gabinete de Tasso, havia a premissa de que o TSE decidiria até quinta-feira, o que facilitaria a decisão da Executiva. O colegiado será ampliado , mas só os integrantes da Executiva votarão.
“Nós precisamos de uma narrativa para o rompimento. O TSE nos daria essa narrativa, mas adiou para sábado” — lamentou um dos presentes na reunião. Entre os tucanos, há a percepção de que mesmo que escape do julgamento do TSE, Temer não terá como governar.
 
TEMER ACUADO – “A percepção é que o TSE vá absolver os dois, Dilma e Temer. Mas aí como será o cotidiano do governo? Não governa, hoje Temer está preocupado em dar explicações sobre o avião, amanhã será outra coisa. Está acuado, é uma situação terrível” — disse o presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal.
Para os tucanos, Temer teria também enormes dificuldades de conseguir os votos para barrar o acolhimento da denúncia que deverá ser encaminhada a Câmara pelo STF. “Aí a chapa esquenta. Não será tão fácil assim” — avaliou o secretário geral do PSDB, deputado Silvio Torres (SP).


Até segunda-feira Tasso irá conversar com governadores e dirigentes do PSDB para chegar a um consenso sobre a decisão de segunda-feira. “O adiamento foi bom. Dará tempo para conversar com todo mundo e amadurecer uma posição de consenso” — disse Silvio Torres.

PRESSÃO DA BANCADA – Segundo dirigentes tucanos, a pressão da bancada de deputados pelo desembarque segue muito intensa e deve forçar a Executiva a ter uma posição clara. Alguns parlamentares estariam inclusive ameaçando deixar a legenda se o partido não decidir prontamente. Mas o clima tenso não está apenas na Câmara. Alguns senadores passaram também a demonstrar crescente descontentamento com a situação:
“A nossa questão é politica. Temos um projeto e começamos a ver que o governo está sem rumo. As reformas estão andando mais por nossa forca que pela do governo. A bancada dos senadores ainda não tem uma posição, mas o foco da bancada da Câmara no desembarque é muito forte e não podemos tomar uma decisão e ignorar isso” — pontua o líder do partido do Senado, Paulo Bauer (SC).
 
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