ex-blog do César Maia
1. A Editora Nova Fronteira, em edição especial, lança o livro de Sérgio Rodrigues "Elza, a Garota".          
2. Essa é uma história sempre bem escondida e nada divulgada do assassinato da jovem companheira de Miranda, secretário geral do PCB em 1936. Presos entre outros dirigentes do PCB, após a intentona comunista, Elvira Cupelo, de codinome Elza Fernandes (16 anos), foi libertada, ficando presos seu companheiro Miranda e seu irmão Cupelo entre outros.
3. Antes da prisão de Prestes, dirigentes do PCB foram sendo presos e a suspeita recaiu sobre Elza. Ela ficou em "prisão domiciliar" decidida pelo PCB em Guaratiba e depois transferida a uma casa em Guadalupe, após o tribunal constituído pelo PCB decidir sobre sua morte, mesmo sem nenhuma comprovação de que pudesse ter denunciado ou soubesse dos locais onde outros dirigentes estavam escondidos.     
4. Como o assassinato -justiçamento- não era executado, Prestes em um bilhete de próprio punho exigiu o cumprimento da "pena", em seguida executada de forma bárbara, por estrangulamento com fio, tendo seu corpo sido partido e enterrado no quintal da casa onde estava.

Texto completo

            
5. Em 1940, dois dos que participaram do assassinato -justiçamento- e que ainda estavam presos, resolveram contar a história. Para o ato da abertura do local, foram levados seu companheiro-marido e seu irmão, que viram escandalizados a brutalidade dos fatos, reagindo duramente e desligando-se do partido a partir dali.
             
6. Toda a documentação, as fotos do instituto médico legal, o bilhete de Luiz Carlos Prestes e os depoimentos estão disponíveis para consultas, num processo de quase 2 mil páginas do tribunal de segurança da época. Mesmo anos e anos mais tarde, Prestes nunca quis comentar este fato e quando perguntado pedia para não falar, pois se tratava de algo que nunca queria se lembrar.
             
7. A imprensa deu ampla cobertura aos fatos na época. O "esquecimento" posterior dificultou e até impossibilitou o contato com conhecidos e familiares. Por isso, Sergio Rodrigues tem que inserir juntos aos fatos documentados e a cobertura dos jornais, elementos prováveis em alguma medida romanceados.
             
8. A publicação de “Elza, a Garota” (como era conhecida) constrói um diagrama que estava incompleto com a publicação de “Olga”. Poder-se-ia desenhar dois pontos superiores separados, significando dois regimes para os quais as pessoas humanas específicas não tinham qualquer valor, ou pelo menos suas vidas não podiam atrapalhar as "causas". Duas linhas retas destes pontos encontrariam num nó abaixo, Luiz Carlos Prestes e deste sairiam outras duas retas para mais abaixo encontrar dois pontos: Elza e Olga.
             
9. Olga, deportada para a Alemanha ainda numa época de apogeu do regime hitlerista, termina anos depois morrendo num campo de concentração na condição de judia e comunista, em nome da ideologia nazista. Elza é morta como desdobramento das práticas stalinistas, na simples suposição que havia traído o partido comunista.
           
10. Ao publicar "Elza, a Garota" numa edição especial da Nova Fronteira, descobre-se a história oculta por décadas e fecha-se o duplo triângulo linkado em Prestes, com dois regimes totalitários nos vértices de cima e duas mulheres, chacinadas em nome da defesa desses regimes, nos vértices de baixo. A publicação de “Olga” deixou a história pela metade, que agora se completa, numa memória trágica, condenado assim ambos os regimes.
 
Comentário do site:
 Não lemos o livro, portanto não sabemos o enfoque. Não sabemos se aborda  no contexto o princípio da história que envolveu "Garota "   de modo tão trágico.

 

 Não custa recordar.

Em  1935,  Luiz Carlos  Prestes  voltou de Moscou onde tinha ido fazer um curso de capacitação política. Veio com a  missão de implantar uma ditadura comunista no Brasil. Entrou no país com o nome de Antônio Vilar. Trouxe , " de fachada" , como sua mulher, Olga Benário.

Olga  - Ana Baum, Frida Wolff, Ema Krueger, Olga Meirelles, Olga Begner,  Olga  Sinek, etc -, tinha na realidade a missão de fazer a segurança de Prestes. Ela era uma especialista em espionagem, treinada para obedecer os chefes e ao partido. Seu verdadeiro "marido " era o Exército Vermelho da União Soviética. 

 

Prestes,  Olga e  um grupo de membros e simpatizantes do PCB,  recebiam dinheiro de Moscou para desencadear a revolução comunista no Brasil, e depois impulsionar o movimento vermelho na América do Sul. 

 

O plano foi desencadeado precipitadamente em Natal, no dia 24 de novembro de 1935,  depois em Pernanbuco e finalmente no Rio de Janeiro, em 27 de novembro.  Fala-se em mais de 1000 vítimas ( somente em Pernanbuco foram contabilizados 720 mortos, segundo o historiador Glauco Carneiro). 
No Rio de Janeiro, alguns quartéis foram atacados na madrugada Militares foram mortos covardemente enquanto dormiam.Foi uma chacina - foram mortos 33 militares do Exército. Mesmo assim , cercados, os comunistas acabaram se rendendo, e a primeira tentativa de tomada do poder pelos comunista foi desbaratada rapidamente.
 
 Mas, onde entra Elvira Cupelo Colônio, Elza Fernandes ou "Garota" nessa história ?
 
O irmão de Elvira, Luiz Cupelo Colônio, era membro do PCB e costumava levar os companheiros para reuniões em sua casa. Elvira, uma menina de 16 anos, encantava-se com os discursos do chefe do grupo, o secretário-geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Antônio Maciel Bonfim, o “Miranda”. Em 1934, Elvira tornou-se amante de “Miranda”, que também usava o nome falso de Alberto Fernandes e passou a ser conhecida como “Elza Fernandes” ou “Garota”.

 Com o fracasso da Intentona Comunista, em janeiro de 1936, “Miranda” e “Elza” foram presos em sua residência. A polícia logo concluiu que “Garota” pouco poderia acrescentar ao depoimento de “Miranda” e ela  foi solta por ser menor.

Logo depois, vários outros membros do PCB foram presos e as suspeitas recaíram sobre ela. Julgada pelo “Tribunal Vermelho”, os “juízes”, pressionados pelo parecer de Luíz Carlos Prestes, decidiram condená-la à morte.

Elvira ou Elza foi enterrada no quintal da casa onde fora assassinada. O desaparecimento de Garota só foi esclarecido  anos depois, em 1940,  quando dois comunistas foram presos e contaram a história, indicando local de seu sepultamento. Seu irmão exumou o cadáver e desligou-se do Partido comunista.

 Não sei  se o livro  aborda  outros casos, pois, nesse período , o famigerado "tribunal vermelho" ou "tribunal revolucionário",  fez o "julgamento" , condenou e executou o " justiçamento" de vários militantes  do PCB.

 

O “Tribunal Vermelho”, composto às vezes por duas ou três pessoas, julgava, sumariamente, todos os que desejavam abandonar as fileiras da organização, desiludidos com a ideologia, ou aqueles que se tornavam suspeitos de uma possível delação. Os “juízes” desse tribunal variavam de acordo com o contato com as vítimas. A partir de 1934, os comunistas perpetraram crimes com requintes de perversidade, em nome de sua ideologia, para eliminar não só os representantes da lei que os combatiam, mas, também, para justiçar alguns de seus próprios companheiros.

Os ”justiçamentos”, abaixo relacionados, sugerem que muitos outros podem ter sido cometidos, sem que seus autores e suas vítimas chegassem ao

conhecimento público.

Tobias Warchavski - 1934

Tinha 17 anos e cursava a Escola Nacional de Belas Artes. Iludido com os apelos comunistas e usando o nome falso de Carlos Ferreira, abandonou sua

casa e passou a residir com Walter Fernandes da Silva. Ambos eram militantes da Juventude Comunista.

Em outubro de 1934, seu cadáver foi encontrado, sem documentos, em local ermo, já em decomposição, com a cabeça separada do corpo. Recolhido

ao IML, foi encontrado pelos familiares somente 15 dias depois. Tobias foi reconhecido por sua mãe, com o auxílio do dentista da família.

O PCB difundiu, na época, a notícia de que ele, muito afoito na pregação de sua ideologia, fora descoberto e morto pela polícia.

Com as prisões de 1935 a verdade surgiu. O famigerado “tribunal” o condenara à morte e o executara. Tobias foi atraído a uma emboscada. Ao perceber que seria morto, ajoelhou- se e pediu que lhe poupassem a vida. Walter Fernandes da Silva (o companheiro de quarto e amigo de Tobias),  ante o desespero do companheiro de quarto, tentou salvá-lo, implorando que o poupassem. De nada adiantou. Adolfo Barbosa Bastos acionou o revólver.

Walter Fernandes da Silva - 1935

Ao tentar salvar o amigo, passou a ser suspeito. O fatídico “Tribunal Vermelho” decidiu que ele deveria afastar-se do local do crime, para não levantar

suspeitas. Walter cumpriu as ordens do partido e viajou para Recife, onde, alguns dias depois, apareceu morto na Praia do Pina.

Bernardino Pinto de Almeida - “Dino Padeiro” - 1935

Acusado de traição, por Honório de Freitas Guimarães, foi julgado e condenado pelo “Tribunal Vermelho”. O secretário-geral do partido, na época

“Miranda”, e Luiz Cupelo Colônio atraíram-no a uma emboscada. “Dino” levou uma coronhada e quatro tiros. Sobreviveu à ação e relatou a tentativa

de assassinato.

Afonso José dos Santos - 1935

O “Tribunal Vermelho” do PCB, já na clandestinidade, depois da derrota da Intentona Comunista, julgou-o, condenando-o à morte.

Executor: José Emídio dos Santos, membro do Comitê Estadual do PCB do Rio de Janeiro. Foi, ao mesmo tempo, delator e executor da sentença.

Somente em 1941 o crime foi esclarecido.

Maria Silveira - “Neli” - 1940

Elizário Alves Barbosa e Maria Silveira, “Neli”, eram namorados e, também, militantes do PCB. Residiam em São Carlos,SP.

Acabado o namoro, Elisário acusou-a de não merecer mais a confiança do partido. O “Tribunal Vermelho” condenou-a à morte, no Rio de Janeiro.

Participantes: Ricarte Sarrun; Antônio Vitor da Cruz; e Antônio Azevedo Costa.

Para executar a sentença, usaram o táxi de Domingos Antunes Azevedo, “Paulista”. No local, Floresta da Tijuca, esperavam Diocesano Martins e

Daniel da Silva Valença.

Domingos Antunes Azevedo - “Paulista” - 1941

Preocupado com a possível descoberta do assassinato de “Neli”, o “Tribunal Vermelho” decidiu eliminar o motorista de táxi que transportou seus executores. O cadáver foi atirado à margem da estrada.

Segundo a esquerda radical, revolucionário comunista não é assassino.Os assassinatos de pessoas - inclusive de seus companheiros de partido - são chamados de “justiçamentos”, feitos em nome da “liberdade e da democracia”. São crimes políticos.

Durante a luta armada, nas  décadas de 60 e 70  o tribunal revolucionário, usando o nome da "democracia pela qual eles lutavam" , "julgou", condenou  e executou o " justiçamento"  de cerca de 30 pessoas ("O Globo" 31/01/2005) entre agentes da lei, militares estrangeiros, civis e companheiros de organizações subversivo-terroristas.) Fontes:

 Projeto Orvil

 Ustra, Carlos Alberto Brilhante. A Verdade Sufocada- A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça -

 Augusto, Agnaldo Del Nero. A Grande Mentira.- Biblioteca do Exército

- DUMONT, F. Recordando a História - Os crimes do PCB.- www.ternuma.com.br

 Jornal Inconfidência. Belo Horizonte Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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