BRASIL ACIMA DE TUDO! OU NÃO?
General da Reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva
O discurso do governo trata como absolutamente prioritária e essencial a reforma previdenciária para o Brasil entrar em rota de recuperação da economia. Diz, ainda, que a Previdência Social será inviável, dentro de poucos anos, se a reforma não for implantada nos moldes propostos que, por seu lado, exigem pesados sacrifícios para os aposentados.
Partindo da premissa de serem verdadeiras essas assertivas, ainda não convincentemente desmentidas, todas as categorias profissionais, sem exceção, teriam de sair do vermelho para sanar o problema. Isso em hipótese alguma significa ter de igualar todas as categorias profissionais, pois igualdade não é sinônimo de justiça. Se for assim, sugiro que as carreiras civis sejam igualadas à militar, perdendo grande parte dos seus direitos e assumindo os deveres da carreira das armas. Seria o mais vantajoso para a nação, mas provavelmente inviável, portanto, sejam levadas em conta as especificidades de cada carreira.
Sem ser especialista no assunto, acredito que a péssima gestão previdenciária - populista, eleitoreira, irresponsável, permissiva e patrimonialista - esteja no cerne do problema. A correção de tantos desvios e tamanha incompetência amenizaria, talvez em médio prazo, a alegada condição pré-falimentar em que se encontra a Previdência Social.
 
O pagamento das aposentadorias de todos nós, tenham o nome que tiverem, sai do mesmo cofre - o Tesouro Nacional. Ele precisa ter recursos para bancar esses pagamentos e, também, cobrir as necessidades de custeio de todas as demais áreas sob responsabilidade do Estado, bem como dispor de excedentes para investir onde seja vital à nação e a iniciativa privada não tenha condições ou atrativos para atuar. Se o rombo na Previdência impacta o Tesouro, a ponto de impedir que o Estado cumpra suas atribuições, algo precisa ser feito e será, reitere-se, com impacto em todas as categorias profissionais, inclusive do serviço público.
Ficam, então, as perguntas. Quem vem em primeira prioridade? O Brasil ou os interesses setoriais? Que carreiras ou segmentos dos Poderes da União têm aposentadorias deficitárias ou abusivas? O baixíssimo teto do setor privado é justo, se comparado às aposentadorias supramencionadas?
Por outro lado, é muito cinismo as autoridades dos altos escalões da União quererem impor a reforma começando pelas camadas de menor poder político. Como já escrevi inúmeras vezes: a sociedade "concordaria em arcar com um pesado ônus para ajudar o Brasil a sair do abismo desde que o andar de cima apertasse, e muito, o próprio cinto. Porém a liderança nacional, nos três Poderes da União, não entende que o exemplo vem de cima e é a base moral da autoridade. Nos altos escalões do serviço público, da União e dos Estados, existem megassalários turbinados por benesses complementares, cuja legalidade sem legitimidade afronta a justiça. A socialização equilibrada desse custo é a única forma de legitimar sacrifícios impostos a uma sociedade sem reservas para cortar".
A consequência desse mal exemplo, em uma nação cansada de ser enganada, menosprezada e humilhada por sucessivos e poderosos, mas desacreditados e corruptos comandos políticos (não merecem ser chamados de lideranças) é que cada segmento pensa em "defender o seu" sem pensar no futuro do Brasil. A sociedade, que precisaria ter responsabilidade cívica e compromisso com a Pátria, infelizmente apequenou-se e perdeu a altivez, que teve apenas um lampejo entre 2015 e 2016, quando a nação parecia ter despertado de um longo período de omissão. Vai se arrepender de ter abandonado aquele patriótico ímpeto moralizador.
Não se vê no comando político, em nenhum dos Poderes da União, disposição para mudar a nefasta maneira de conduzir o país, pois isso significaria abdicar de rentáveis posições e ilegítimas benesses. Se o fizesse, não haveria categoria profissional em condições morais de não aceitar rever algumas de suas regras de aposentadoria. Porém, faltam espírito cívico e patriotismo no comando político para tanto.
A salvação é a intervenção militar, diriam alguns. Ora, a nação não pode passar a vida sendo tutelada pelas Forças Armadas (FA). No período de 1964 a 1984, elas estiveram no governo, deram exemplos de patriotismo e compromisso, desenvolveram o país, se afastaram da influência político-partidária, que enfraquecia as instituições, neutralizaram a esquerda revolucionária em sua luta armada para implantar a ditadura socialista e redemocratizaram o Brasil. Resultado? Poucos anos depois a nação elegeu a mesma esquerda socialista para governa-la e esta, também no espaço de 20 anos, afundou o Brasil econômica e moralmente, desacreditou a democracia e perseguiu as FA visando desacreditá-las, de modo a facilitar a tomada do poder, no que fracassou.
O que o senhor fez para defender suas FA cidadão intervencionista? Nada! Portanto, não venha exigir que o soldado faça com fuzil e com sangue o que o senhor pode fazer com suor, vontade e coração patriota. Vá para as ruas e para as redes sociais exigir de seus representantes, de forma legal e legítima, que lhe ouçam por bem ou por medo de perder suas posições.
 
Cada um pense no dever pessoal com o Brasil, ainda que isso exija abdicar de benesses e situações confortáveis, mas assim pense, primeiramente, quem tem de dar o exemplo. Todos estejam cientes de que a crise brasileira, onde a questão previdenciária é um dos grandes problemas, pode levar à perda da unidade política nacional, pois haverá quem julgue, por engano, ser o gigantismo do país a causa de sua ingovernabilidade. Seria o certificado da falta de mérito das gerações atuais para herdar o grande país que nossos antepassados, com extraordinários feitos heroicos, nos legaram soberano e íntegro.
 
 
 

 

 

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