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Categoria: Revanchismo
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 Margrit Schmidt - Jornal de Brasília
Não é de hoje a suspeita que paira sobre o supósto apego às regras democráticas pelo Partido dos Trabalhadores. Não é apenas o passado leninista, castrista, trotskista de amplos setores que formaram o petismo que justificam a desconfiança. Os exemplos no decorrer desses 6 anos de mandato lulo-petista reforçam a suspeição . Criação de conselhos para "democratizar" os meios de comunicação; demonização da mídia; expulsão do País de Larry Rohter, jornalista do New York Times, e, outras tentativas delimitam muito claramente o desconforto desse governo com os cânones das liberdades democráticas, especialmente a liberdade de expressão.
 
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Revisão extemporânea
 
O último dos indícios de uma visão de mundo desconjuntada reveladora de espírito autoritário  no qual só cabe uma verdade, um partido, um único sentido messiânico para a história, é essa tentativa exdrúxula e revanchista de punir os crimes de tortura do passado, da época da ditadura militar. Esquecem que a Lei de Anistia foi um pacto entre a sociedade brasileira que seguir adiante, rompendo com o regime militar. Esquecem que a Lei de Anistia " apagou" tanto os crimes cometidos pelos torturadores nos quartéis como os crimes cometidos pelos guerrilheiros urbanos.
 
O ministro Gilmar Mendes presidente do Supremo Tribunal Federal ( STF) , no início da semana disse: " Repudio qualquer manipulação ou tentativa de tratar unilateralmente casos de Direitos Humanos. Eles não podem ser ideologizados. É uma discussão de dupla face, porque o texto constitucional também diz que o crime de terrorismo é imprescrítível. "
 
 A arual polêmica sobre esse assunto de anistia veio à tona há algumas semanas , quando o secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, revoltou-se contra o parecer da Advocacia - Geral da União ( AGU), que baseado na Lei de Anistia e na Constituição Federal defeniu que os militares acusados  de tortura não podem ser julgados por aqueles crimes cometidos,  ou seja , reconhecendo anoistia para crimes conexos - terrorismo e tortura. Vanucchi, ele mesmo um ex-terrorista da ALN ( Aliança Libertadora Nacional - que no período redemocratização fez carreira de sindicalista no poderoso Sindicato dos Professores de São Paulo -, agora "ameaça" sair do posto que ocupa no Ministério da Justiça por querer impor esse despropósito recalcado.