Por   Carlos Augusto Fernandes dos Santos - General Reformado                                             

Há cinquenta e três anos, estávamos no “olho-do-furacão”. Como esquecer os dias de tensão vividos, como jovem Tenente,  na então 6ª Companhia de Polícia do Exercito , situada na Praça do Portão da cidade de Porto Alegre/RS.  Nela,   LAMARCA, colega  de turma, iniciou um  inventário de crimes e traições, aos companheiros, ao Exército e ao Brasil, auxiliando, em dezembro daquele ano,  a fuga de   um  militar da aeronáutica,  recolhido preso à disposição da Justiça Militar . Na época ,o inquérito policial não apurou a traição. Hoje, não há dúvidas.
As estridentes sirenes dos “Choques”, abrindo espaços nos velozes deslocamentos   para receber no aeroporto o presidente JOÃO GOULART, que se deslocava de ( Brasília/Rio)   para Porto Alegre, na frustrada tentativa de manter-se no poder, ainda soam nos nossos ouvidos.  Seu carbonário cunhado, LEONEL BRIZOLA ,   sem sucesso,  tentava reeditar a Cadeia da Legalidade de 1961, sugerindo, até,  que praças assassinassem seus superiores “ golpistas”.

Testemunha da derradeira reunião ocorrida na residência do então  Comandante do III Exército, General LADÁRIO PEREIRA TELES, o Capitão Comandante da Companhia, RAUL JOSÉ  RIBEIRO  informou que GOULART, depois de atritar-se com o belicoso cunhado, resolvera não resistir, homiziando-se no vizinho Uruguai. Era a vitória do movimento cívico-militar, sem reação.

Sobre essa importante quadra da vida nacional, um silêncio constrangedor; constata-se  que um pacto, tacitamente acordado, por editores e jornalistas engajados, é cumprido religiosamente pela imprensa do país. Os sucessos do movimento moralizador que colocou o país na senda do desenvolvimento e da ordem com o apoio maciço da sociedade brasileira, propositalmente esquecidos.  Hoje, a história vem sendo contada pelos vencidos de ontem, que continuam, ao que parece, adeptos do credo maldito. Só vale falar mal, denegrir e desdenhar, o movimento cívico-militar de 1964.

O planejado ESQUECIMENTO não surpreende; afinal, não faz muito tempo,  a principal  Rede de  informação do país,   a GLOBO,  apologista da benéfica intervenção militar   na alvorada do movimento ( basta ler o editorial do dia), veio a público desculpar-se pelo EQUÍVOCO cometido. Quanta hipocrisia :“Vão-se os anéis, mas ficam os dedos”. E, também,  as impressões digitais.

Como velho soldado que viveu as incertezas e angústias daquele momento ,  obrigo-me a relembrar o histórico e salvador movimento que reuniu expressiva participação dos brasileiros conscientes sobre os perigos que nos rondavam. A vizinha Colômbia é o  exemplo vivo :   até hoje convive com  embaraços para exterminar a nefasta atuação das FARC. Obrigo-me, portanto,   a relembrar hoje, a memória dos companheiros mortos,   que perderam suas vidas  lutando contra fanáticos e terroristas para impedir que , aqui, fosse implantado um regime semelhante  ao que, hoje, infelicita a pobre Venezuela.  

Esperamos que  pelo menos nos quartéis e estabelecimentos de ensino militares, alunos, cadetes, soldados, praças e jovens oficiais, recebam de seus chefes  , através de palestras, as informações verdadeiras . Seria um sonho esperar que universitários brasileiros, doutrinados, na maioria,  por  professores jovens e  marxistas, recebessem essas mesmas informações.  

Esse SILÊNCIO que ensurdece  e constrange quem viveu aqueles dias , não pode, por omissão indesculpável, por interesses menores  ou por medo de represálias ,  ser ouvido  dentro dos muros das  inexpugnáveis cidadelas  do castro.

                                   Porto Alegre, 31 de março de 2017

                      CARLOS AUGUSTO FERNANDES DOS SANTOS- militar reformado

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